A Fifa já começa a passar o bastão para o comitê organizador formado por Estados Unidos, Canadá e México, que sediarão o primeiro Mundial com 48 seleções. Pela maior mudança no modelo da competição já feita pela entidade, há ainda muita coisa a decidir nos próximos meses. Depois de sete edições seguidas com o mesmo formato — 32 países, divididos em oito grupos de quatro e fase mata-mata a partir das oitavas de final —, a entidade ainda estuda a melhor estrutura para manter o nível e competitividade do torneio.
As eliminatórias também entram no pacote de mudanças. Todos os continentes terão mais vagas. Na América do Sul estão previstas seis seleções com lugar garantido. A Conmebol deseja manter o sistema atual com 18 rodadas, mas tudo depende do aval da Fifa.
Desafio parecido que a entidade teve de enfrentar quase três décadas atrás quando, no seu constante afã de expansão do Mundial, anunciou o aumento do número de seleções de 24 para 32. Na primeira vez que os Estados Unidos sediaram a competição, em 1994, o torneio tinha seis grupos de quatro times, e os quatro melhores terceiros lugares seguiam para as oitavas de final. Foram nove cidades, com a decisão realizada em Pasadena.

Dúvida no formato
Ao longo do Mundial do Catar, representantes das 16 sedes da edição de 2026 (11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá) estiveram presentes no país para observar a organização à espera da confirmação de quantos jogos cada uma delas irá receber. A resposta é esperada apenas no fim do primeiro semestre de 2023.
Até lá, o corpo técnico da Fifa vai estudar as possibilidades. Antes do Mundial do Catar, havia a previsão de que a próxima edição teria 16 jogos a mais que os 64 atuais com a criação de mais uma fase mata-mata com 32 seleções — seriam 16 grupos de três times, com os dois primeiros de cada se classificando.
Na última entrevista coletiva, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, deixou em aberto a possibilidade de mudar o formato para 12 grupos de quatro times. O motivo foi a emoção na última rodada com várias seleções disputando uma vaga até o fim. Tal mudança elevaria o número de jogos para 104 (na opção em que os dois primeiros de cada grupo mais os oito melhores segundo colocados formariam o mata-mata com 32 seleções). Assim o campeão teria de disputar oito jogos, um a mais do que no modelo atual.
Não seria uma má ideia para quem quer transformar o futebol no esporte número 1 da América do Norte. A Fifa já prevê mais de 5,5 milhões de ingressos vendidos em 2026 — a média atual tem sido cerca de 3 milhões — com o aumento no número de jogos. Na ideia inicial, os Estados Unidos receberiam 60 partidas, Canadá e México dez cada uma.
— Estamos convencidos de que o futebol vai explodir na América do Norte nesse Mundial. São três grandes países, teremos mais jogos, mais seleções — disse Gianni Infantino.
Mata-mata nos EUA
Pela ideia inicial, todas as partidas de mata-mata serão nos Estados Unidos, justamente pela concentração de arenas com maior capacidade e mais estruturadas. Canadá e México se dividem com confrontos da fase de grupos.
O martelo também não foi batido sobre o local da abertura e da final da Copa. Mas há algumas sedes favoritas, como Nova York/Nova Jersey, Los Angeles e Dallas, sendo que a última está na frente para receber a decisão.
Os americanos também terão seus desafios. Boa parte dos estádios utilizados pela NFL possuem grama artificial. A Fifa exige grama plantada nas arenas do Mundial.
Arivaldo Maia com Redação do EXTRA