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Reitor conduz Ufal ao heroísmo coletivo de se expandir sob asfixia de 65% do caixa

Josealdo Tonholo resiste para a Ufal não apagar sua luz elétrica, nem o brilho de sua excelência acadêmica


				Reitor conduz Ufal ao heroísmo coletivo de se expandir sob asfixia de 65% do caixa
Reitor conduz Ufal ao heroísmo coletivo de se expandir sob asfixia de 65% do caixa. Credito RENNER BOLDRINO - UFAL

Há um milagre administrativo acontecendo silenciosamente nos corredores, laboratórios e salas de aula do ensino superior público de Alagoas, enquanto gráficos do Ministério da Fazenda chegam de Brasília indicando um cenário de terra arrasada. Sob a retenção implacável de quase 65% do caixa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), neste ano de 2026, a instituição reage contrariando os prognósticos mais óbvios desta crise. Cresce, inova e lidera rankings internacionais, sem abandonar o compromisso humano de cobrar a dívida histórica a ser paga à população alagoana.

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O reitor Josealdo Tonholo é quem está à frente desta engrenagem que gira no vazio financeiro, desde que assumiu a gestão da Ufal no trágico epicentro da pandemia de covid-19, em 2020. Sem vacina para a falta de recursos, e sob o luto das maiores perdas humanas e orçamentárias da história da Ufal, Tonholo assumiu um papel que beira o heroísmo institucional. Mas contraria a vaidade comum à gestão pública para rejeitar a capa de salvador solitário.

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"A gente tem uma comunidade que é extraordinária. Nada disso acontece a partir do gestor. Isso tudo acontece a partir da comunidade como um todo", afirma Tonholo.

A fala é parte da explicação do gestor sobre os feitos administrativos e acadêmicos que convertem a sobrevida em uma revolução que integra professores, técnicos e alunos, rumo ao compromisso social da Ufal com o futuro de Alagoas.

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De fato, a Ufal exige e constrói seu futuro por meio de suas 40 mil mentes. Mas a humildade pessoal de Tonholo não pode negar que sua capacidade gerencial de absorver o impacto da asfixia federal e convertê-lo em expansão tem sido a melhor blindagem para a universidade não sucumbir.

“O Governo Federal tem uma dívida com o estado de Alagoas. Não podemos só reclamar do orçamento, mas provocar em relação a pagar a dívida histórica aos alagoanos. Que seja garantido muito mais jovens na universidade, para serem transformados pela educação. Queremos que o governo federal reconheça a urgência de se fazer esse investimento, não só na Ufal, como nas outras instituições de ensino”, reclama o reitor.

Tal postura mostra o compromisso de não apenas evitar que escassez orçamentária mate a universidade pública. Mas de pavimentar um futuro, mesmo enquanto é preciso seguir tomando decisões dramáticas de uma economia de guerra na Ufal. É o que o leitor da Gazeta de Alagoas verá nesta reportagem.

Ufal não aceita derrota e conduz Alagoas ao futuro, sob fogo cruzado

O instinto natural de qualquer administrador diante de um caixa que despencou 57% de um ano para o outro seria fechar as portas, suspender editais e decretar estado de inércia. A gestão da Ufal faz o oposto, mesmo fazendo das tripas coração, como define o reitor Josealdo Tonholo.

O Governo Federal aprovou uma dotação de R$ 1,27 bilhão para 2026, mas efetivamente pagou pífios R$ 447,2 milhões até julho. O sufoco chega a exatos 64,8% do orçamento previsto. Além disso, a verba de custeio, com o dinheiro carimbado para pagar contas e manter a estrutura, acumula uma defasagem inflacionária de 30% na última década.

Mas, além do recém-lançado curso de Inteligência Artificial, que inicia sua primeira turma neste mês de julho, a Reitoria insiste e negocia com o Ministério da Educação (MEC) a proposta de mais 26 cursos em áreas estratégicas para Alagoas. Se a meta mais conservadora for atingida, a Ufal emplacará cinco ou seis novas graduações de ponta, em um ano em que mal consegue pagar a própria conta de luz, atrasada há mais de seis meses, ainda ligada por força de liminar judicial.

“A comunidade da Ufal tem consciência da sua importância para Alagoas e não vai jogar a toalha. Vamos continuar insistindo com muita energia”, ressalta o reitor.

A luta por expansão é a forma de Tonholo e toda a comunidade acadêmica resistem ao estrangulamento. Mas o reitor expõe um dado estarrecedor: Hoje a Ufal opera com o orçamento que, se fizer as correções de valores, é o orçamento que a Ufal tinha no ano de 2009. O absurdo desta crise reside no fato de que, naquele ano, o Campus do Sertão sequer existia, o de Arapiraca estava no início e havia 30% menos alunos que o quadro atual existente hoje em Maceió.

Mas o resultado da teimosia acadêmica já é medido em escala global. No início de junho, a Ufal subiu 15 posições no ranking internacional do Center for World University Rankings (CWUR). E se tornou a única do Nordeste a avançar na classificação, compondo o grupo seleto de apenas cinco universidades brasileiras que evoluíram nesta lista.

“Por a gente estar fazendo das tripas coração, a UFAL cresceu, e como a única do Nordeste a evoluir. Aumentamos substancialmente a qualidade da graduação e da pós-graduação. De 2020 para cá, nenhum curso dos 104 cursos de graduação da UFAL diminuiu de conceito”, exemplifica o reitor Josealdo Tonholo.

O número de pesquisadores de alta produtividade financiados pelo CNPq saltou de parcos 80 para mais de 230 sob a gestão de Tonholo. Na mais recente e rigorosa avaliação da Capes, a Ufal foi a instituição que mais elevou a nota de seus programas de mestrado e doutorado entre todas as 20 federais do Nordeste.

No semiárido da crise, a Ciência brota celeiros tecnológicos na Ufal

Os avanços da universidade pública federal em Alagoas seguem nascendo sob a aridez de recursos públicos, mas finca suas raízes profundas da Ufal no terreno das ciências de vanguarda tecnológica. A instituição ainda fortalece sua produção crítica nas humanidades, e garante que a universidade dê passos firmes para novos programas como os mestrados em Jornalismo e Ciência Política, entre tantas novidades.

Outra trincheira administrativa deixou de tratar a universidade como mero polo de ensino, para trabalhar o potencial da instituição para fomentar o desenvolvimento socioeconômico de Alagoas. Por isso, com parcerias e o modelo Embrapii, a Ufal atraiu quase 40 das maiores empresas do mundo. E passou a executar, desde projetos bilionários de mitigação de danos ambientais da agressão geológica da Braskem em Maceió, até o uso de inteligência artificial na educação básica pelo programa Tela Brasil.

Longe de ser um mero burocrata, o reitor segue atuando em sala de aula na universidade que administra. E superou suas origens como físico-químico, ao dividir grande parte de seus conhecimentos em suas aulas para o numeroso grupo de 73 alunos de oito programas de pós-graduação na Ufal, para empreendedorismo, inovação e setores tecnológicos.

Com motivação para inovar recebida das diversas esferas da Ufal, seus laboratórios ditam o ritmo da inovação tecnológica e produtiva do Brasil rejeitando um destino traçado para o sucateamento. Os polos de excelência transcendem as fronteiras de Alagoas, a exemplo da Unidade Embrapii Edge, que ostenta o raro e cobiçado grau "diamante" no país.

Em outros ecossistemas de alta complexidade como o Edge, o Nees e o laboratório Easy, a Ufal resolve gargalos globais e atrai parcerias de peso com gigantes da indústria, como a multinacional Weg, líder global em tecnologia e eficiência energética.

“Todos esses resultados de inovação e pesquisa nos permitem aprovar projetos específicos. A Ufal está sobrevivendo graças a esses recursos. Cada um desses projetos de pesquisa alavanca recursos no CNPq, na CAPES, na FINEP ou na iniciativa privada. E a gente usa para compensar a falta do orçamento oficial”, destaca Josealdo Tonholo.

Este ramo inovador direciona a Ufal a se tornar referência nacional, responsável pelas principais políticas públicas do Ministério da Educação, como desenvolver a inteligência de dados de iniciativas vitais como o programa Pé de Meia e a plataforma nacional do livro didático.

Para além de telas e códigos de computador, a Ufal sustenta a balança comercial do estado, por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA). É a espinha dorsal tecnológica do setor sucroenergético, que garante alta produtividade e a competitividade das usinas locais e de todo o país.

Vetando o assédio e blindando o prato de comida, a Ufal segue humana

Mesmo sangrando pelos cortes e retenções federais, a Ufal continua salvando a indústria, modernizando a educação e devolvendo à sociedade um retorno econômico e social infinitamente maior do que o orçamento que lhe é negado.

Mas a fatura da excelência sob a escassez financeira cobra seu preço. Para que Alagoas brilhe lá fora, a economia de guerra castiga a estrutura na Ufal, bem além do mato que tem dominado a paisagem. Sob iminência de um colapso estrutural, o reitor Josealdo Tonholo tem sido forçado a escolher o que pode mais cortar na própria carne.

Ao priorizar proteger o aluno das medidas extremas. Lida com dilemas como de extinguir gastos anuais de cerca de R$ 500 mil com quentinhas de isopor, para não faltar comida no prato de seus alunos, acolhidos pela revolução inclusiva. "Hoje, mais cerca de 77% da Ufal é de estudantes de alto grau de vulnerabilidade, que a família tem menos de um salário mínimo e meio por mês", explica o gestor, ao evidenciar que a universidade, para muitos, não se resume às salas de aula, mas a acolhimento e alimentação.

Tais decisões são impostas porque, dos cerca de R$ 47 milhões a R$ 50 milhões que seriam necessários anualmente apenas para a manutenção predial básica, a Ufal está executando heroicos e insuficientes R$ 4,5 milhões.

"Começa a cair telhado, a gente não dá conta de fazer pintura, não consegue cortar o mato. A gente tem que fazer escolhas... Escolher o que vai doer menos na carne", lamenta Tonholo, expondo a crueldade matemática de sua cadeira.

Entre pagar o contrato de limpeza ou garantir as bolsas estudantis, a gestão enxugou a segurança e varreu os contratos de manutenção para o mínimo existencial. O que não significa desleixo com o combate a violências, como ficou evidente na aprovação unânime da Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, ainda neste mês.

Por isso, o reitor traçou uma linha vermelha que Brasília não pode cruzar: a assistência estudantil. Mesmo sob a ameaça iminente de cortes severos e o estrangulamento de 65% do caixa, ele decreta: "O RU [Restaurante Universitário] é sagrado. Se não tiver de barriga cheia, o estudante não consegue estudar".

Cofres vazios exigem gestão responsável que não se rende a retrocessos

O saldo da jornada administrativa de 2026 indicam orgulho e alerta. Porque a prova de que é possível elevar o patamar do ensino superior brasileiro, mesmo operando com os recursos de 14 anos atrás é insustentável a longo prazo. Na prática, o volume de dinheiro real pago em 2026 despencou 57,0% em comparação ao total executado no ano de 2025. E o Governo Federal precisa compreender com urgência que a resiliência premiada e heroica de Alagoas não convida para eternizar o sufoco como política de Estado.

“Ufal evolui muito às custas da saúde mental coletiva. Estamos chegando ao limiar. Se você me perguntar como é que está na Ufal, digo logo que temos uma comunidade de heróis da resistência, técnicos, docentes, terceirizados, estudantes. Mas o custo disso é a energia mental, a saúde mental, que definitivamente começa a ficar degradada. Vivemos em um ambiente extremamente agressivo. E nossa infraestrutura física está muito degradada”, alerta Tonholo.

Em 2021, ainda sob o impacto da crise sanitária, a gestão de Tonholo assistiu ao derretimento de 10% do poder de compra, com a inflação corroendo a verba federal da Ufal, sob o agravante de um orçamento que foi sangrado por reduções nominais drásticas, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Neste ano de 2026, o pesadelo mudou de face no contexto da polarização política, sob o governo do presidente Lula (PT). O problema deixou de ser apenas a previsão orçamentária e passou a ser o cofre vazio. Com dotação de R$ 1,27 bilhão neste ano eleitoral, a Reitoria da Ufal, de forma responsável, já empenhou quase R$ 1,20 bilhão para honrar seus compromissos. Porém, o Governo Federal pagou, efetivamente, pífios R$ 447,2 milhões, até este mês de julho.

A gravidade da situação pode ser evidenciada com a exposição da realidade vivida pela Ufal de quinze anos atrás. Em 2011 e 2012, os repasses anuais respectivos foram de R$ 417,3 milhões e R$ 439,7 milhões. Até hoje, sem previsão de trégua nas retenções federais, quase o mesmo volume de dinheiro (R$ 447,2 milhões efetivamente pagos em 2026) sustenta uma universidade que triplicou de tamanho, complexidade e responsabilidade.

Quanto realmente sobra?

O orçamento global da Ufal, de R$ 1,27 bilhão em 2026, engana. Porque quase todo este montante é destinado por lei para pagar a folha de salários e aposentadorias. O que sobra nas mãos do reitor para pagar a conta de luz, a segurança, a limpeza, a pesquisa e a comida dos alunos é o chamado Orçamento de Custeio. Em 2026, este valor real de sobrevivência é de apenas R$ 129,2 milhões.

Futuro incerto

Caso o orçamento continue crescendo à média histórica de apenas 1,15% ao ano, a Ufal chegará a 2032 com R$ 138,4 milhões para custeio, na análise corrigida. Valor muito abaixo dos R$ 157,2 milhões que seriam necessários apenas para empatar com a inflação projetada. O resultado será uma nova perda real acumulada de cerca de 12%, equivalente a R$ 18,8 milhões, ao fim dos próximos seis anos.

A Corrosão do Orçamento de Custeio: O "Buraco" da Inflação (2017–2032)


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Cenário Analisado Valor / Indicador O que isso significa na prática

Custeio Ideal (2026) R$ 184,6 milhões Valor necessário para a Ufal ter hoje o mesmo poder de pagar suas contas e investir que detinha em 2017.

Custeio Real Aprovado (2026) R$ 129,2 milhões O que de fato o Governo Federal aprovou como limite para manter a universidade de portas abertas este ano.

Perda Acumulada na Década - 30,0% A Ufal opera hoje com 30% menos capacidade real de custeio do que há dez anos.

O Fundo do Poço Histórico Ano de 2021 A dotação despencou para míseros R$ 80,5 milhões, exatamente no ano em que a inflação disparou a 10,06%.

Projeção Sombria (Até 2032) - R$ 18,8 milhões Se a inércia federal continuar, a defasagem vai engolir mais 12% do poder de compra da Ufal nos próximos seis anos.

O Custo da Crise: Raio-X Financeiro (Ano Base: julho/2026)


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— Foto: Reprodução

(Quadro consolida o estrangulamento imediato sofrido no fluxo de caixa atual)

Indicador Valor (R$) O que significa na prática

Dotação Total R$ 1,27 bilhão O que a Ufal tem autorizado no papel para gastar no ano.

Valor Empenhado R$ 1,19 bilhão O volume de compromissos que a Ufal já assumiu para funcionar.

Valor Efetivamente Pago R$ 447,2 milhões O dinheiro real liberado pelo governo federal até o momento.

Déficit (Retenção Federal) R$ 825,4 milhões O rombo no caixa da Ufal pela falta de repasses efetivos.

Nível de Asfixia 64,8% Percentual do orçamento que a Ufal deveria receber, mas não recebeu.

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