HU da UFAL garante dignidade com oncologia avançada pelo SUS e se firma como referência contra o câncer em Alagoas
Com atendimento 24h, centro cirúrgico ampliado com radioterapia de ponta, HU faz milhares de procedimentos

O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-UFAL) tem enfrentado com rigor tecnológico e científico sua missão de atuar pela saúde digna para pacientes do estado que tem estimativa de cerca de 5 mil novos casos de câncer por ano em Alagoas. A modernização e a expansão dos serviços de alta complexidade em oncologia tornaram-se vitais para a sobrevivência da população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Em parceria com a rede estatal HU Brasil, antiga Ebserh, o HU da Ufal é um dos dois únicos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) habilitados em Alagoas. E tem sido estratégico para acolher e tratar pacientes dos 102 municípios alagoanos, ao passar por uma profunda reorganização assistencial e física que reduziu o tempo de espera para internação de meses para poucas semanas, além de eliminar desabastecimentos históricos de insumos e expandir serviços essenciais.
Leia também
Uma das transformações mais marcantes na assistência oncológica do hospital foi a estruturação do Pronto Atendimento Oncológico 24 Horas. Anteriormente, a unidade de urgência para pacientes com câncer encerrava as atividades às 19 horas, deixando usuários desassistidos em momentos de intercorrências graves no período noturno. A limitação levava pacientes e familiares ao desespero na busca por leitos ou forçava o retorno para casa sem a devida assistência imediata, um risco fatal em muitos casos avançados.
“No passado, houve caso de o paciente voltar para casa com recomendação de vir no dia seguinte, e ele falecer em casa. Hoje, tem 24 horas funcionando muito bem, não


Mulher em situação de rua é esfaqueada na orla da capital

Evento reúne representantes para debater melhorias hídricas

Homem morre após ser atropelado na AL-110

Dr. Wanderley trocou os dois suplentes na chapa três vezes durante a campanha
somente com pronto atendimento. Tem uma retaguarda, plantão de cirurgia, plantão de diagnóstico por imagem, plantão laboratorial, para necessidades desses pacientes. É uma grande evolução, fruto do aumento de quase 50% dos trabalhadores da HU Brasil, desde 2023”, relata o superintendente do HUPAA, Célio Rodrigues.
Tecnologia de precisão amplia relevância da Oncologia do HU da Ufal
No ano de 2025, a Oncologia do HU da Ufal registrou 9.692 procedimentos de quimioterapia e 943 de radioterapia, enquanto há estados brasileiros que sequer possuem este último tratamento. E é justamente na radioterapia que o HU da Ufal é referência tecnológica em Alagoas com a instalação de um novo acelerador linear, que atua com precisão milimétrica em radiocirurgias.
O equipamento inaugurado em 2022 foi instalado em um bunker construído especialmente no pavimento térreo do setor de oncologia, cujas paredes possuem até sete metros de espessura de concreto para contenção total da radiação.

O equipamento substituiu uma tecnologia obsoleta e passou a permitir a realização de radiocirurgias que queimam o tumor com exatidão suficiente para preservar os tecidos sadios ao redor da lesão cancerígena.
A superação da obsoleta tecnologia anterior levou a Oncologia do HU da Ufal a extrapolar o atendimento à demanda própria do hospital, e a atuar em cooperação com a rede pública estadual, para sessões de radioterapia em pacientes encaminhados pelo Hospital Metropolitano de Alagoas.
Além disso, Roraima é um dos estados sem radioterapia própria que já enviou paciente para ser atendido no hospital universitário por não ter radioterapia. O que dá exemplo do desafio enfrentado na pela gestão para não deixar faltar nada para pacientes em um momento tão sensível de suas vidas.
Pioneirismo minucioso reduzem a menos de 1% as suspensões cirúrgicas
A demanda pelas sessões de terapias oncológicas exige um controle rigoroso da cadeia de suprimentos hospitalares. Para evitar interrupções de tratamentos, a gestão do HU da Ufal desenvolveu um sistema de monitoramento constante de estoque em farmácias e almoxarifados com mais de 80 mil itens rastreados, garantindo previsibilidade de compras e reduzindo a taxa de suspensão de procedimentos.
O superintendente Célio Rodrigues lembra que itens classificados como críticos não podem faltar e este controle teve melhora imensa, que chegou a atingir um patamar de menos de 1% de suspensão de cirurgia por falta de insumo.
O gestor cita como outros motivos de orgulho o fato de o HUPAA ter sido pioneiro no desenvolvimento da carga de insumos e medicamentos correlatos usada pela HU Brasil em todo o País, e de ser o 1º hospital a implantar 100% dos módulos do sistema de prontuário eletrônico.
Centro cirúrgico em dobro e atuação multissetorial combatem filas no HU
A etapa decisiva das intervenções cirúrgicas para o tratamento oncológico no HU da Ufal tem como principal volume de procedimentos na área de mastologia, contra o câncer de mama. O superintendente do HUPAA, Célio Rodrigues, lembra que a instituição conta com a interação entre 52 especialidades medidas e cirurgiões oncológicos, para lidar com um grande volume de casos de câncer de próstata, bexiga, rim, cabeça e pescoço, colo e gastrointestinais.
O gestor relata que o número de salas cirúrgicas em funcionamento saltou de quatro em 2020 para as oito atuais, como evidência de que o HUPAA avança para atender todo tipo de caso, todo tipo de demanda reprimida e conter o avanço das neoplasias nos pacientes em fila de espera.
“No passado, tinha cirurgiões que operavam a cada 15 dias, mas por falta de sala de cirurgia. E estamos providenciando mais expansões para haver suporte de retaguarda para mais cirurgias. Queremos avançar para cirurgias noturnas e aos sábados. Isso
agiliza, faz com que o paciente espere menos e que a sua doença não se agrave”, relatou Célio Rodrigues.
O superintendente lembra que o acompanhamento oncológico no Hospital Universitário vai além da intervenção médica e fundamenta-se na atuação de uma equipe multiprofissional altamente integrada. A enfermagem do hospital, por exemplo tem contingente de 780 profissionais entre enfermeiros, técnicos e auxiliares que garantem a linha de cuidado contínua no leito e na aplicação de medicação.
Vida e afeto são prioridade nos corredores da Oncologia do HU da Ufal
Além dos números e das ampliações estruturais do HUPAA, o médico e superintendente Célio Rodrigues é professor de anatomia ainda em atividade. E reproduz princípio fundamental de suas aulas, ao ressaltar que "o paciente não é um órgão, mas é uma pessoa que precisa ser entendido como um todo".
Por isso, a assistência oncológica conta ainda com o suporte de psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e dentistas. Estes últimos atuam diretamente na saúde bucal de pacientes internados, para evitar complicações infecciosas.
Além disso, há priorização do acolhimento e atendimento de populações em situação de vulnerabilidade, com atenção diferenciada do HUPAA à saúde indígena e a comunidades quilombolas do estado, a exemplo do acompanhamento dermatológico especializado oferecido a quilombolas albinos do município de Santana do Mundaú diagnosticados com câncer de pele.
O saldo das histórias de superação, gratidão e apoio emocional entre profissionais, pacientes e familiares fica evidente nos de humanização promovidos no Centro de Oncologia (Cacon) do HUPAA, em campanhas do Outubro Rosa e Novembro Azul, com apresentações musicais, oficinas de maquiagem e espaço para a manifestação dos próprios usuários em tratamento.
O superintendente Célio Rodrigues lembra com emoção de relatos que refletem a importância do serviço para as famílias alagoanas. Uma jovem participante contou ao gestor que acompanhava a mãe em tratamento contra o câncer de pulmão no HU há vários anos e agradeceu à equipe pelo tempo de vida proporcionado à sua mãe.
Em outro evento, preparado para que os médicos falassem sobre a doença, os próprios pacientes tomaram a palavra no microfone para agradecer publicamente à equipe pelo atendimento recebido no hospital.
O impacto humano do serviço transparece também em projetos de extensão universitária que atuam na oncologia, como o Sorriso de Plantão, no qual estudantes caracterizados levam arte e escuta aos leitos.
Célio Rodrigues relata o caso de um idoso em tratamento paliativo de um câncer avançado que apresentava uma postura amargurada e avessa ao contato com os profissionais.
“Era um senhor muito ranzinza, não aceitava conversa com ninguém, tinha câncer e estava em cuidados paliativos. Com o passar do tempo, deixou de ser uma pessoa amargurada e passou a esperar todo final de semana que os meninos do Sorriso de Plantão fossem visitá-lo. Passou a ser uma pessoa alegre, e disse que nunca se sentiu tão amado, tão acolhido. Ele morreu com câncer, mas morreu com um amor que ele nunca tinha sentido”, lembrou o superintendente.
