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Cerca de 70% das nascentes em Alagoas estão em processo de degradação

Estado conta com mais de mil fontes naturais e programa busca recuperá-las


				Cerca de 70% das nascentes em Alagoas estão em processo de degradação
Projeto estudantil busca recuperar e preservar nascentes no interior. Foto: Divulgação

Você já parou para pensar de onde vem a água que chega à sua casa? Em Alagoas, boa parte desse recurso essencial vem das nascentes, fontes naturais que garantem o abastecimento, preservam a biodiversidade e contribuem para a qualidade de vida da população. No entanto, esses mananciais enfrentam desafios urgentes para sua preservação.

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Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh), cerca de 70% das nascentes do estado estão em processo de degradação. As principais causas são o desmatamento, a ocupação desordenada do solo e a ausência de proteção adequada das áreas ao redor.

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Atualmente, a estimativa é de que Alagoas possui pouco mais de mil nascentes acessíveis. “Estamos em processo de desenvolver uma metodologia de ação específica para catalogação das nascentes em Alagoas”, informou o secretário da Semarh, Gino César.

A maior concentração de nascentes está na Zona da Mata e nas áreas de transição com outras regiões do estado, que apresentam características naturais mais favoráveis à formação desses mananciais. Gino César também destacou que há um programa voltado para a recuperação das fontes naturais, geralmente articulado com as prefeituras. “Até o momento, Alagoas já conseguiu recuperar aproximadamente 350 nascentes, um avanço importante, mas ainda há muito a ser feito para garantir a preservação e a ampliação desse número”, afirmou.

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IMPORTÂNCIA

A bióloga e técnica agropecuária Shirley Souza Santos, especialista em reflorestamento e sistemas de produção sustentável, reforça que as nascentes desempenham um papel fundamental no abastecimento de água das comunidades locais, tanto para o consumo humano quanto para a agricultura. “Para que elas continuem vivas, é fundamental cuidar do entorno”, afirmou.

Além do impacto social, Shirley lembra que as nascentes têm grande relevância ambiental, por serem a origem de importantes rios alagoanos, como os rios São Miguel, Coruripe e Piauí — este último, principal afluente perene do rio São Francisco. “Preservar essas fontes é essencial”, alerta a especialista. Ela explica que uma nascente ideal é aquela que “fornece água de boa qualidade, em quantidade abundante e de forma contínua, mesmo durante os períodos de seca”. Essa fonte, segundo ela, é indispensável para a hidratação de animais, irrigação de plantações e produção de alimentos no campo.

Entre as boas práticas citadas por Shirley para a preservação das nascentes, estão o cuidado com o uso da terra na área de recarga, o plantio de vegetação nativa, a manutenção da limpeza do entorno e a construção de cercas de proteção. “Cada produtor ou agricultor tem um papel fundamental. Se precisamos utilizar essa fonte, é crucial preservá-la para garantir sua continuidade”, disse. Shirley também ressaltou a importância das ações coletivas e dos programas de financiamento público. “Não basta receber os recursos: é necessário aplicá-los corretamente para alcançar o objetivo principal, que é a preservação das nascentes”.


				Cerca de 70% das nascentes em Alagoas estão em processo de degradação
Mananciais desempenham um papel essencial no abastecimento de água. — Foto: Divulgação

RECUPERAÇÃO E PROTEÇÃO

Além das ações coordenadas por órgãos públicos, iniciativas locais também têm se destacado na proteção dos mananciais. Um exemplo é o projeto Olho d’Água Urucum, desenvolvido pela Escola Estadual Mário Gomes de Barros, em Joaquim Gomes, na Zona da Mata. O projeto visa à revitalização de nascentes degradadas e à conscientização ambiental da comunidade.

De acordo com o professor Adriano Nascimento, idealizador da iniciativa, a degradação ambiental na região preocupa. “As queimadas e o desmatamento nas adjacências da Serra do Búfalo têm deixado marcas na paisagem local, contribuindo para a redução da vazão de água nas nascentes e olhos d’água que alimentam o rio que margeia a cidade”, explicou.

Para enfrentar o problema, o projeto adotou metodologias adaptadas à realidade local, com foco na sustentabilidade hídrica e na educação ambiental de alunos e moradores. A ação integra o programa Professor Mentor, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que incentiva práticas voltadas à responsabilidade ambiental. Segundo Adriano, a perda de vegetação e a lixiviação do solo na região provocam assoreamento das nascentes e aumentam o risco de extinção desses mananciais. Ele garantiu que a iniciativa continuará sendo desenvolvida no município. “Abordamos a temática porque a Serra do Búfalo, em nosso município, abriga diversas fontes naturais, mas sofre com diversos fatores”, diz.

Como parte do debate sobre os recursos hídricos no estado, a Organização Arnon de Mello (OAM) promove nesta segunda-feira (24) o Gazeta Summit Água, que discutirá a gestão dos recursos hídricos em Alagoas. O evento será realizado no Centro de Convenções de Maceió, a partir das 8h, com transmissão ao vivo pela GazetaNews TV, Gazetaweb.com, aplicativo +Gazeta e YouTube.

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