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Acidentes com motos aumentam 14% em Alagoas e já deixam mais de 6 mil vítimas em seis meses

Hospitais públicos registraram 6.175 atendimentos no 1º semestre; sobrevivente de acidente ainda enfrenta limitações

O número de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito aumentou em Alagoas no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e o Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca, registraram 6.175 atendimentos de pessoas feridas em acidentes com motocicletas, quase 800 casos a mais do que no mesmo período do ano passado. O crescimento é superior a 14%.

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Os números revelam uma realidade que vai além das estatísticas. Para quem sobrevive a um acidente grave, as consequências podem permanecer por meses ou até pelo resto da vida. É o caso de Vitor, auxiliar administrativo que sofreu um acidente de moto há quase dois anos e ainda enfrenta limitações provocadas pelas lesões.

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“Eu estava fazendo transporte de passageiro, normalmente, de aplicativo. No meio desse trajeto, tinha um motorista alcoolizado e, infelizmente, ao fazer um cruzamento e um retorno, ele avançou na principal e colidiu do todo o meu lado direito. Eu quebrei a perna, quebrei a bacia e fiquei com algumas lesões”, relata.

Segundo Vitor, o motorista que provocou a colisão fugiu sem prestar socorro. A vítima precisou ser internada no HGE e passou por um longo período de recuperação.

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“Eu passei um tempo acamado, passei três meses acamado, fiquei um tempo de cadeira de rodas. No HGE, internado, fiquei entre a vida e a morte lá.”

Mesmo depois de quase dois anos, o acidente ainda faz parte da rotina do auxiliar administrativo. Ele utiliza muletas e continua realizando fisioterapia devido a uma sequela conhecida como síndrome do pé caído, que dificulta o movimento e o apoio do pé no chão.

“Hoje, eu já passei, graças a Deus, por tudo isso, porém eu ainda uso muletas. Por conta do tempo que eu fiquei acamado, gerei um trauma, que é chamado de síndrome do pé caído. Por conta disso, eu não consigo pisar com todo o meu pé no chão e preciso usar a muleta para não fraturar o quadril, não lesionar o quadril”, explica.

A recuperação ainda está longe de terminar. Vitor afirma que continua fazendo fisioterapia e deverá passar por novos procedimentos cirúrgicos.

“Eu vou precisar fazer mais duas cirurgias para voltar o movimento do meu tornozelo normal, para o meu pé não ficar mais caído e eu voltar a ter minha qualidade de vida normalmente.”

Risco de lesões graves é maior em motocicletas

O cirurgião Amaury explica que a própria característica da motocicleta aumenta a exposição do condutor e do passageiro a acidentes e lesões graves.

“Motocicleta é um veículo que não tem estabilidade. Então, a estabilidade da moto depende de quem está pilotando, depende da condição da moto e depende da condição do ambiente onde ele está usando a moto. Então, os riscos de se ter um acidente são muito maiores.”

Segundo o especialista, estudos apontam uma diferença significativa no risco quando motocicletas e carros percorrem a mesma distância na mesma velocidade.

“Já foi feito um estudo que, comparando você botar um carro e uma moto para percorrer uma mesma distância, a uma mesma velocidade, a chance de ter um acidente de moto é 14 vezes maior.”

A vulnerabilidade do motociclista também está relacionada à ausência de uma estrutura de proteção semelhante à existente nos automóveis. Por isso, o uso adequado dos equipamentos de segurança é fundamental para reduzir a gravidade dos ferimentos.

“Principalmente quando não há uso de equipamentos de proteção individual, como joelheira, cotoveleira e capacete”, alerta o médico.

De acordo com o cirurgião, o tipo mais comum de ocorrência envolvendo motocicletas é a colisão com carros, seguida pelas quedas.

“Numa colisão, por exemplo, sempre o motociclista é ejetado e, toda vez que ele é ejetado, aumenta em três vezes mais a possibilidade de ele ter uma lesão grave.”

As consequências podem atingir diferentes partes do corpo. “A maior parte dessas lesões são lesões de extremidades, trazendo, inclusive, lesões ortopédicas complexas, assim como lesões no restante do corpo, como traumatismo cranioencefálico, se não estiver usando adequadamente os EPIs, como capacete.”

Para o especialista, a gravidade dos acidentes pode aumentar ainda mais quando outros fatores de risco estão presentes.

“Tudo isso são situações em que um acidente de moto pode fazer com que a vítima tenha uma lesão grave e vai ter, evidentemente, uma chance maior de evoluir para um caso de óbito.”

Mais de 12 mil atendimentos em 2025

O cenário deste ano chama atenção porque ocorre após um 2025 que também apresentou números elevados. Ao longo do ano passado, HGE e Hospital de Emergência do Agreste registraram mais de 12.200 atendimentos relacionados a acidentes com motocicletas.

Somente nos primeiros seis meses deste ano, já foram 6.175 atendimentos. A quantidade representa quase metade de todo o volume registrado em 2025.

O aumento ocorre em meio à presença cada vez maior de motocicletas nas ruas e também ao crescimento do uso de outros veículos de mobilidade individual, como bicicletas e patinetes elétricos.

O cirurgião alerta que os cuidados precisam ser mantidos também em ambientes que, muitas vezes, são considerados menos perigosos.

“Isso não é só nas ruas, nas estradas. A gente também está vendo isso em condomínios fechados, onde você tem pistas asfaltadas, essas condições, e muita gente está usando. Isso leva, evidentemente, a uma chance maior de ter uma lesão grave, um acidente grave e, consequentemente, ter um desfecho negativo que pode trazer repercussões muito graves na vida dessas pessoas.”

Enquanto os hospitais lidam diariamente com as consequências dos acidentes, quem sobrevive precisa enfrentar um processo de recuperação que pode ser longo, doloroso e permanente.

Vitor sabe disso na prática. Quase dois anos depois da colisão, ainda convive com as sequelas e precisa se preparar para novas cirurgias. O acidente também deixou uma perda irreparável: o passageiro que estava com ele morreu.

Por isso, o auxiliar administrativo transformou a própria experiência em um alerta para quem está diariamente nas ruas.

“Tenho mais atenção. Se já tem, redobre a atenção, porque, infelizmente, eu acreditei que o motorista tinha dado a vez para mim, porém, quando eu fui passar, ele avançou. Ele estava embriagado, infelizmente.”

O principal pedido é para que motoristas não misturem álcool e direção.

“Também tenho um recado para todas as pessoas: não ingiram bebida alcoólica quando forem dirigir e, se beberem, não dirijam, por favor. Porque, infelizmente, por conta de uma situação de irresponsabilidade, hoje a minha vida está assim. O passageiro que estava comigo, infelizmente, chegou a óbito e eu ainda estou passando por todas as consequências.”

Em Alagoas, os 6.175 atendimentos registrados nos primeiros seis meses do ano mostram que o problema não se resume à imprudência de um ou outro condutor. O trânsito exige atenção permanente de motoristas, motociclistas, passageiros e pedestres.

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