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Comitê da Meta vê "falhas recorrentes" no controle de conteúdo eleitoral

Órgão financiado pela empresa, com atuação independente, aponta falhas na aplicação de regras durante eleições


				Comitê da Meta vê "falhas recorrentes" no controle de conteúdo eleitoral
• 20 de setembro de 2023 - REUTERS/Francis Mascarenhas

O Comitê de Supervisão da Meta avaliou nesta terça-feira (20) haver "falhas recorrentes" no controle de conteúdo eleitoral nas redes administradas pela empresa. Também criticou o tratamento dado às contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Em nota, os copresidentes do Comitê afirmaram que o episódio representa uma falha e deveria ter sido tratado por uma equipe interna de especialistas.

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No comunicado, os integrantes do Comitê apontam falhas na aplicação das regras da Meta durante períodos eleitorais e citam casos semelhantes para além da eleição brasileira. O texto menciona a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, antes das eleições de meio de mandato.

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“Está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação de regras durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que a expressão política seja protegida, em vez de sufocada”, afirmaram.

Segundo a nota, as restrições técnicas que atingiram as contas de um candidato à Presidência no Brasil levaram a acusações de interferência eleitoral. O colegiado classificou o tratamento dado às contas de anúncios de Lula como uma "aplicação excessiva" das políticas da empresa contra fraudes.

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“Da mesma forma, a aplicação excessiva das políticas contra fraudes da Meta às contas de anúncios do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de revisores especializados”, diz a nota.

O Comitê afirmou que problemas na moderação em períodos de maior tensão política costumam aparecer de duas formas: pelo excesso na aplicação das regras, que suprime a expressão política, e pela aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral.

O órgão também cobrou indicadores públicos que permitam avaliar a efetividade das medidas adotadas pela Meta durante eleições. Segundo os copresidentes, a empresa divulga números gerais, como a quantidade de anúncios armazenados ou de contas removidas, mas ainda não estabeleceu métricas públicas que mostrem a eficácia e as principais lacunas na aplicação das regras.

A cobrança retoma uma recomendação feita pelo colegiado após falhas identificadas na atuação da Meta nas eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2022.

No caso americano, o comunicado questiona por que o erro envolvendo a conta do movimento “No Kings” no Instagram não foi identificado pelos sistemas de prevenção da empresa. Também cobra explicações sobre a ausência dessas contas no programa de verificação cruzada da Meta, que permite submeter decisões sobre determinadas contas a uma revisão humana adicional.

Para o colegiado, remoções indevidas de conteúdo político antes de uma eleição podem comprometer a integridade do processo e gerar um efeito inibidor irreversível sobre a participação política. O texto defende que ferramentas automatizadas considerem o idioma, as nuances e o contexto político para proteger manifestações que não incitem violência.

O posicionamento do Comitê foi divulgado no mesmo dia em que a Meta negou favorecer candidatos nas eleições brasileiras em comunicado enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Segundo a empresa, as plataformas sob sua gestão (Facebook, Instagram e WhatsApp) aplicam as mesmas regras de distribuição de conteúdo para todos os candidatos e têm adotado uma série de medidas para evitar abusos.

Comitê de Supervisão da Meta

Criado por iniciativa da Meta e financiado pela empresa por meio de um fundo independente, o Comitê de Supervisão reúne especialistas de diferentes países para revisar decisões de moderação de conteúdo nas plataformas da companhia. O órgão tem estrutura própria e autonomia para deliberar.

As decisões sobre manter ou remover conteúdos específicos são vinculantes, ou seja, devem ser cumpridas pela Meta. O colegiado também faz recomendações para mudanças nas políticas da empresa. Nesses casos, a implementação não é obrigatória, mas a companhia deve responder publicamente.

As pessoas podem fazer apelações caso discordem das decisões de monitoramento de conteúdo da Meta no Facebook, no Instagram ou no Threads ao comitê.

*Sob supervisão de Emilly Behnke

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