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IAs tentam desvendar Manuscrito Voynich, o livro indecifrável do século 15

Algoritmos e estudos buscam desvendar se o livro do século 15 esconde um código secreto, uma língua extinta ou um enigma


				IAs tentam desvendar Manuscrito Voynich, o livro indecifrável do século 15
Unsplash.

Adquirido em 1912 pelo livreiro Wilfrid Voynich e datado por radiocarbono no início do século 15 (entre 1404 e 1438), o Manuscrito Voynich é considerado o livro mais misterioso do mundo.

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Guardado na Biblioteca Beinecke de Livros Raros e Manuscritos da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o códice de 240 páginas combina um alfabeto desconhecido com ilustrações detalhadas de plantas inexistentes, diagramas astronômicos e figuras humanas.

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Por não apresentar equivalência com nenhum idioma registrado e resistir às tentativas de decifração dos maiores criptógrafos do século 20, como William Friedman, responsável por quebrar códigos militares na Segunda Guerra Mundial, o documento levanta dúvidas entre ser uma linguagem cifrada complexa, uma língua natural extinta ou uma farsa elaborada do Renascimento.

Diante do fracasso dos métodos tradicionais, pesquisadores recorreram a algoritmos e modelos de aprendizado de máquina. A inteligência artificial atua na análise estatística do texto, mapeando a frequência dos símbolos e calculando a entropia da escrita.

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“A IA funciona hoje como uma grande lupa estatística para tentar encontrar padrões nos textos encontrados no Códice”, explica Romes Heriberto, professor de Engenharia de Software do Centro Universitário Uniceplac.

Estrutura linguística e limites computacionais

As análises computacionais demonstram que o texto não é fruto de combinações aleatórias. A distribuição das palavras no Voynich obedece à Lei de Zipf, um padrão estatístico presente nas línguas humanas em que poucas palavras surgem com muita frequência e a maioria aparece raramente.

Além disso, termos específicos agrupam-se conforme as seções temáticas do volume, como botânica ou astronomia.

“A IA consegue mostrar que existe estrutura, mas estrutura não é o mesmo que significado decifrado”, aponta o especialista em inteligência artificial Leo Soares, destacando que os algoritmos avaliam a frequência de caracteres e a distribuição de termos para testar hipóteses sobre a natureza do registro.

A ausência de um ponto de apoio bilíngue, semelhante à Pedra de Roseta nos hieróglifos egípcios, impõe uma barreira técnica para os computadores. Sem uma chave do código ou registros completos sobre idiomas antigos extintos, os modelos correm o risco de indicar falsas correspondências.

Heriberto afirma que para decifrar um texto, normalmente é preciso algum ponto de apoio e o Voynich não oferece nada disso. Soares complementa que a escassez de dados sobre línguas antigas reduz a precisão dos testes. Segundo eles, sem uma chave externa, o risco é produzir uma interpretação plausível, mas falsa.

Hipóteses históricas e o futuro da pesquisa

Para a história da escrita e da criptografia, o Voynich permanece como o maior teste de limites da análise linguística. Em 2025, o pesquisador Michael Greshko demonstrou que o chamado código Naibbe — um método manual de cifragem do século 15 baseado em dados e cartas — é capaz de replicar em latim e italiano as mesmas propriedades estatísticas observadas no manuscrito.

Especialistas concordam que o avanço tecnológico precisa caminhar ao lado da pesquisa documental humana.

“O avanço depende de mais poder computacional, mas também de novas evidências históricas”, afirma Heriberto, apontando que a resposta definitiva pode vir de arquivos históricos e não apenas de algoritmos.

Soares reforça que a tecnologia amplia as oportunidades de análise, mas não assegura uma resolução rápida: “A IA aumenta as chances de avanço, mas ainda não garante a decifração nem prova se o texto é mensagem cifrada, língua desconhecida, escrita artificial ou farsa”.

Acompanhe a matéria em Metrópoles.com

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