
O Índice de Progresso Social Brasil 2026 divulgado recentemente não traz Alagoas entre os melhores do ranking. Tampouco Maceió. O Estado ocupa a 21ª posição entre as 27 unidades da Federação, com 58,97 pontos. É o sétimo pior resultado do país.
Maceió está ainda mais próxima do fim da tabela. A capital alagoana ocupa o 25º lugar entre as 27 capitais, com 61,96 pontos. Está à frente apenas de Macapá e Porto Velho. É o terceiro pior resultado do Brasil.
Os números são estes:
• Alagoas: 58,97 pontos — 21º lugar entre 27 estados;
• Maceió: 61,96 pontos — 25º lugar entre 27 capitais;
• Macapá: 59,65 pontos — 26º lugar;
• Porto Velho: 58,59 pontos — 27º lugar.
Ou seja: entre todas as capitais brasileiras, somente duas têm desempenho inferior ao de Maceió. Isso não melhora a situação de Alagoas. Apenas permite enxergar o quadro completo, mantendo um desempenho próximo de outros indicadores, onde o estado aparece proporcionalmente à frente da sua capital - a exemplo do Ideb.
Consideerando o indicador do ano anterior. Alagoas tinha 57,70 pontos e permaneceu na 21ª posição. Agora chegou a 58,97 pontos, um ganho de 1,27 ponto.
Maceió também avançou, mas menos. Passou de 61,48 para 61,96, crescimento de 0,48 ponto. A capital permaneceu na 25ª colocação. (IPS Brasil)
Em resumo:
• Alagoas: 57,70 → 58,97: +1,27 ponto;
• Maceió: 61,48 → 61,96: +0,48 ponto;
• Alagoas manteve o 21º lugar; Maceió manteve o 25º lugar. (IPS Brasil)
Na edição de 2024, Maceió aparecia na 20ª posição entre as capitais. Em 2025 caiu para 25ª e, em 2026, permaneceu nesse lugar. A comparação das notas entre 2024 e 2025 exige cautela porque o IPS informa que houve mudanças nos indicadores e no tratamento estatístico.
A matéria conta só metade
Nesta segunda-feira (10), o Francês News publicou a manchete: “Alagoas é o 7º estado mais atrasado do Brasil, segundo ranking do IPS”. A informação está correta. O texto registra os 58,97 pontos de Alagoas, a 21ª colocação, a distância para a média nacional e compara o Estado com os demais integrantes da Federação.
Há uma ausência, porém, difícil de ignorar. Maceió não aparece na reportagem. O mesmo IPS usado para mostrar que Alagoas está entre os sete piores estados informa que Maceió está entre as três piores capitais brasileiras.
E mais: o próprio artigo oficial do IPS destaca nominalmente Maceió entre os menores resultados das capitais, ao lado de Salvador, Macapá e Porto Velho.
Não é preciso esconder Alagoas para mostrar Maceió. Nem esconder Maceió para mostrar Alagoas.
O IPS mede 57 indicadores sociais e ambientais distribuídos por áreas como necessidades humanas básicas, bem-estar e oportunidades. O objetivo é medir resultados concretos na qualidade de vida, e não simplesmente gastos ou investimentos públicos.
Os resultados de 2026 dizem duas coisas ao mesmo tempo: Alagoas continua precisa melhorar. Maceió também. A diferença é que, olhando todos os números, o leitor sabe disso.
O que é o IPS
O Índice de Progresso Social (IPS) mede a qualidade de vida da população a partir de resultados sociais e ambientais, e não apenas de indicadores econômicos ou do volume de investimentos públicos.
Na edição de 2026, o IPS Brasil avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores, distribuídos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. Entram nessa conta áreas como saúde, educação, moradia, saneamento, segurança, inclusão social, acesso à informação e direitos individuais.
A nota varia de 0 a 100. Quanto maior, melhor o desempenho. O índice é calculado exclusivamente com dados públicos e permite comparar municípios e estados, inclusive aqueles com níveis de renda semelhantes. A proposta é justamente mostrar até que ponto os recursos e as políticas públicas conseguem se transformar, de fato, em melhores condições de vida para a população.
Em 2026, a média brasileira ficou em 63,40 pontos. Entre as três dimensões avaliadas, Necessidades Humanas Básicas teve o melhor resultado nacional, enquanto Oportunidades apresentou a menor pontuação.