
Faltando três dias para acabar o prazo de alteração da ata de registro das candidaturas, os dois principais nomes da política de Alagoas ainda deixam pontas soltas. Qualquer mudança ou confirmação deve ocorrer até as 19h do dia 15 de agosto.
O prazo avança e a expectativa cresce. JHC espera por Renan Filho ou Renan Filho espera por JHC?
A pergunta ajuda a entender este momento da eleição em Alagoas. Na chapa do MDB ainda falta um vice para Renan Filho chamar de seu. Do outro lado, JHC nem sequer anunciou oficialmente que será candidato ao governo.
As convenções terminaram no dia 5 deste mês, as atas apareceram no dia 6, mas algumas das principais decisões continuam sendo empurradas para a "prorrogação".
Existe razão para tanta demora? Nos bastidores, ainda há quem acredite que JHC pode mudar de ideia e disputar o Senado. É uma possibilidade considerada pouco provável por alguns interlocutores e esperada por outros. Se acontecer, porém, muda completamente a eleição.
Nesse desenho, Ronaldo Lessa poderia surgir como candidato ao governo, Marina Candia seguiria para a disputa de deputada federal e uma nova composição teria de ser feita para as vagas ao Senado.
Não parece hoje a alternativa mais provável, mas também não pode ser descartada enquanto JHC não colocar definitivamente seu nome na disputa pelo governo. Sim, porque JHC não colocou o nome dele na ata do PSDB, embora tenha sido citado na convenção - realizada com sua ausência - que será ele o "ponta de lança".
O caminho mais esperado continua sendo outro: JHC candidato a governador, Arthur Lira ao Senado e uma segunda candidatura ao Senado indicada pelo grupo do ex-prefeito. Essa vaga pode ficar com alguém da família, seja Marina Candia ou a senadora Eudócia Caldas. Restaria então resolver o vice.
Ronaldo Lessa continua na fila, mas a vaga já foi oferecida a Célia Rocha e a outras pessoas. Lessa, contrariado com a possibilidade de perder a vez, chegou a ser sondado para disputar vaga de suplente de senador - mas não quis.
É justamente em meio a esse imbróglio que a espera de Renan Filho começa a fazer sentido.
O candidato do MDB ao governo terá duas eleições muito diferentes pela frente. Com JHC candidato, enfrentará uma disputa dura e equilibrada. Sem JHC, terá uma eleição muito mais confortável, com enorme favoritismo. E isso muda também o critério para a escolha do vice.
Se JHC estiver na disputa, o vice pode servir para ampliar alianças, conquistar um setor importante ou compensar alguma deficiência eleitoral. Sem JHC, a escolha pode ser feita dentro de uma zona de conforto maior, com menos pressão e mais liberdade política.
O MDB praticamente montou toda a sua chapa e deixou algumas brechas: a vice de Renan Filho e as suplências de Renan Calheiros estão hoje ocupadas por nomes provisórios. O partido já indicou que pretende observar o movimento dos adversários antes de fechar essas escolhas.
A espera do MDB tem uma explicação lógica. Os nomes para vice e suplentes podem vir do círculo mais próximo ou não, dependendo do nível da disputa.cJHC tem mais peças para movimentar e dá sinais de indefinição, enquanto espera que o adversário antecipe o movimento.
No desenho de hoje, o PSDB pode definir o governador, indicar a segunda candidatura ao Senado e participar da escolha do vice, além de ajustar a composição com Arthur Lira, o PL e os demais partidos da aliança. E continua existindo, por mais remota que pareça, a possibilidade de o próprio JHC mudar de posição.
Por isso, talvez um esteja mesmo esperando pelo outro. A dúvida agora é saber até quando. Os partidos têm até as 19h do dia 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro das candidaturas.
Até lá, Arthur Lira, Renan Filho, Renan Calheiros e os aliados de JHC continuarão olhando para o mesmo lugar: JHC. Porque uma decisão dele pode definir não apenas a própria chapa, mas mudar o rumo de toda a eleição em Alagoas.