
Eu estava no Parque do Sabiá e acompanhei de perto parte do que aconteceu depois de Uberlândia 1 x 0 CSA.
Por isso, prefiro tratar a situação com uma expressão que considero adequada: houve falta de zelo com integrantes do staff e da diretoria do CSA no deslocamento entre o camarote e o vestiário.
Presenciei, inclusive, a reclamação do vice-presidente da Federação Alagoana de Futebol Junior Beltrão aos representantes da Federação Mineira e do Uberlândia diante da dificuldade enfrentada naquele percurso. A presença de seguranças particulares contratados pelo CSA ajudou a evitar que a situação ganhasse proporções maiores.
Também houve um princípio de tumulto no gramado logo após o apito final, envolvendo Félix Jorge e Da Silva. Em poucos segundos, pessoas sem função naquele espaço apareceram dentro do campo, numa situação que merece análise dos responsáveis pela organização e segurança da partida.
Na arquibancada também houve confusão, mas é importante fazer uma distinção: o episódio ocorreu entre torcedores do próprio Uberlândia. A torcida do CSA presente no estádio não participou daquele tumulto.
Esse cuidado com os fatos é fundamental.
Segurança não se resolve com versões, exageros ou generalizações. Existem imagens, súmula, representantes das federações, autoridades de segurança e instâncias esportivas competentes para analisar o que aconteceu, identificar responsáveis e aplicar, se necessário, as punições previstas.
Minha preocupação começa quando uma indignação legítima passa a produzir manifestações que deixam no ar a ideia de que existe alguma conta a ser acertada em Maceió.
É justamente aí que o terreno fica perigoso.
Não faço aqui uma crítica à imprensa como instituição. Faço uma reflexão que também serve para mim e para todos que possuem algum espaço de comunicação.
Quem fala para milhares de pessoas precisa entender o peso de uma palavra, principalmente às vésperas de uma partida cercada por emoção.
Denunciar falhas, cobrar providências, questionar a organização e exigir segurança fazem parte do nosso papel. Alimentar, mesmo sem intenção, um ambiente de hostilidade é outra coisa.
Imagine uma família de Uberlândia decidindo viajar para Maceió para acompanhar talvez o jogo mais importante da história recente do clube.
Pai, mãe, filhos, amigos.
Essas pessoas não podem ser tratadas como inimigas porque uma minoria se comportou de maneira inadequada no jogo de ida.
Mais de 20 mil torcedores estiveram no Parque do Sabiá. A enorme maioria simplesmente torceu, comemorou, sofreu e foi embora.
Não existe responsabilidade coletiva por atitudes individuais.
Quem errou precisa ser identificado e responsabilizado. Quem não errou merece respeito.
Há ainda uma questão que não pode ser esquecida: o CSA está disputando um acesso.
Qualquer invasão de campo, tumulto ou problema grave de segurança pode gerar consequências esportivas justamente no momento mais importante da temporada.
E mesmo que o acesso não venha neste sábado, ainda existirão outros dois jogos capazes de levar o CSA à Série C.
Então, muita calma nessa hora.
O torcedor azulino pode transformar o Rei Pelé numa enorme vantagem: estádio cheio, pressão esportiva, canto, apoio e 90 minutos empurrando o time.
É disso que o CSA precisa.
Porque a resposta mais contundente para qualquer episódio ocorrido fora das quatro linhas continua sendo dada dentro delas:
gols, vitória e acesso.
Para tudo o que ultrapassou os limites em Uberlândia existem autoridades, regulamentos e tribunais.