Família contesta versão de suicídio após morte de jovem em União dos Palmares
Nayane Gaspar Araújo, de 28 anos, foi sepultada três dias após ser encontrada morta em casa
Três dias após a morte de Nayane Gaspar Araújo, de 28 anos, familiares e amigos conseguiram sepultar o corpo da jovem nesta segunda-feira (27), em União dos Palmares, Zona da Mata de Alagoas. Ela foi encontrada morta dentro da casa onde morava, com uma corda no pescoço, e teve o corpo velado em caixão lacrado, na residência da mãe, no Sítio Boa Esperança.
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A família contesta a hipótese inicial de suicídio e suspeita que Nayane tenha sido vítima de um crime cometido pelo companheiro, com quem mantinha um relacionamento havia cerca de dez anos. O caso é investigado pela Polícia Civil.
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Segundo os familiares, o relacionamento era conturbado. A mãe da jovem, Marilene Gaspar Araújo, afirmou que a filha havia decidido colocar fim à relação e retornar para a casa da família.
Em um vídeo cedido pelos parentes, o companheiro de Nayane, identificado como Ednilson Jonas Monteiro, aparece filmando a jovem enquanto ela chora. Nas imagens, ele pede que Marilene vá buscar a filha e afirma que, caso isso não aconteça, "os dois iriam acabar se matando".


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Marilene contou que foi até a casa da filha para buscá-la e que Nayane confirmou o desejo de deixar o imóvel com todos os seus pertences.
"Ela disse: 'Mãe, eu estou indo com tudo o que é meu'. Eu respondi para ela vir. Ela queria levar os cachorros também. Ela olhou para mim chorando e parecia estar se despedindo", relatou.
A mãe afirmou que não conseguiu levar a filha naquele momento. Segundo ela, ao deixá-la na residência, foi ameaçada pelo companheiro.
"Ele pegou nas minhas mãos e apertou. Eu pedi que soltasse. Então ele disse: 'Hoje eu vou dar um ponto final'", afirmou Marilene.
Família questiona versão apresentada
No sábado, os familiares disseram ter recebido, por terceiros, a informação de que Nayane havia morrido. Segundo Marilene, ao procurar o companheiro da filha, ele confirmou a morte e afirmou que ela teria tirado a própria vida.
A mãe da jovem, no entanto, questiona essa versão.
"Perguntei que horas isso tinha acontecido e ele respondeu que ela se matou entre meia-noite e uma hora. Como ele sabe? Depois da discussão, ele disse que não tinha dormido em casa", declarou.
Para a família, há indícios de que a morte não ocorreu da forma relatada inicialmente.
Declaração de óbito
Durante a reportagem exibida pela TV Gazeta, a repórter Karla Vilela informou que o companheiro de Nayane teria permanecido com a Declaração de Óbito por mais de 72 horas, impedindo que a família providenciasse o sepultamento.
Segundo os familiares, o documento só foi recuperado na manhã desta segunda-feira (27), com auxílio da Polícia Civil e da advogada que acompanha o caso.
A Declaração de Óbito aponta como causa da morte asfixia mecânica por meio físico-químico e registra o evento como "suicídio por enforcamento".
A mãe de Nayane também afirmou que o companheiro teria informado aos policiais que a jovem não possuía familiares, o que, segundo ela, dificultou o acesso da família à documentação necessária para o sepultamento.
Investigação
A advogada da família, Júlia Nunes, informou que o companheiro de Nayane prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberado após ser ouvido.
O caso segue sob investigação.
Emocionada, Marilene pediu que as autoridades esclareçam as circunstâncias da morte da filha.
"Eu quero Justiça. Que a Justiça do céu desça para a Terra. Me ajudem a fazer Justiça", apelou.
