Pelos da pele podem ajudar o corpo a detectar coceira, sugere estudo
A descoberta ajuda a entender melhor como o organismo percebe a coceira e pode contribuir para o desenvolvimento de novo

Os pelos finos que cobrem a pele podem ter uma função mais importante do que se imaginava. Um estudo publicado em 4 de junho na revista Neuron sugere que eles fazem parte de um sistema especializado para detectar a coceira provocada por pequenos estímulos, como um fio de cabelo, poeira ou um inseto caminhando sobre a pele.
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A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e realizada em camundongos. Segundo os autores, a descoberta pode ajudar a entender melhor a coceira crônica e orientar o desenvolvimento de novos tratamentos para o problema.
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Até hoje, a maior parte das pesquisas investigava a coceira causada pelo contato direto da pele com substâncias irritantes. Neste estudo, o foco foi em outro tipo de estímulo, provocado pelo movimento dos próprios pelos sobre a pele.
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Os pesquisadores concentraram a investigação em um tipo de pelo fino semelhante aos pelos velosos encontrados nos seres humanos, aqueles fios curtos e finos que recobrem grande parte da pele. Em camundongos, eles aparecem em maior quantidade em regiões mais expostas, como atrás das orelhas e nas patas traseiras.
Por meio de diferentes experimentos, a equipe descobriu que cada um desses pelos está conectado a um tipo específico de neurônio sensorial, responsável por transmitir ao cérebro a sensação de coceira quando o pelo é levemente movimentado.
Segundo os autores, isso indica que os pelos funcionam como uma estrutura especializada para detectar esse tipo de estímulo.
“Precisamos de uma nova via de ação se quisermos tratar a coceira crônica. Nossa pesquisa sugere que essa população de neurônios pode ser um alvo no futuro”, afirmou o pesquisador Bo Duan, um dos autores da pesquisa, em comunicado.
O que aconteceu nos animais
Para entender a importância desse mecanismo, os cientistas analisaram camundongos com inflamação crônica na pele. Nesses animais, os neurônios ligados aos pelos estavam muito mais ativos e os sinais de coceira eram evidentes.
Quando os pesquisadores bloquearam os genes responsáveis por ativar essas células nervosas, os camundongos deixaram de responder à inflamação com o comportamento típico de coçar.
Segundo os autores, isso mostra que tanto os pelos quanto esses neurônios desempenham um papel importante na coceira mecânica, desencadeada pelo movimento dos pelos.
O que a descoberta pode significar
Embora o estudo tenha sido realizado apenas em camundongos, os pesquisadores afirmam que humanos também possuem pelos velosos distribuídos por praticamente todo o corpo. Por causa dessa semelhança, os autores acreditam que os resultados podem ajudar a compreender melhor doenças que provocam coceira persistente, como eczema e outras inflamações da pele.
Ainda assim, serão necessários novos estudos para confirmar se o mesmo mecanismo também funciona da mesma forma em seres humanos e se ele poderá ser usado como alvo para futuros tratamentos.
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