O que ocorreu com o voo da Voepass? Veja análise do Cenipa em acidente que matou morador de Maceió
Relatório final da investigação será apresentado nesta quinta-feira; queda de avião deixou 62 mortos

23/07/2026 às 9:40 • Atualizada em 23/07/2026 às 10:24 - há XX semanas
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Quase dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresenta nesta quinta-feira (23), em Brasília, o relatório final da investigação sobre o acidente.
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Dentre as vítimas estava o representante comercial Ronaldo Cavaliere, de 43 anos, morador de Maceió. Natural de Mogi das Cruzes (SP), ele vivia no bairro da Jatiúca, deixou um filho e viajava a trabalho. Ronaldo embarcou em Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), onde participaria de uma convenção da empresa em que trabalhava.
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A divulgação do documento é aguardada pelos familiares das vítimas, que esperam compreender quais fatores contribuíram para a tragédia. Antes da apresentação pública, o relatório será mostrado em uma reunião reservada aos parentes das vítimas. Em seguida, às 17h, os investigadores concederão uma coletiva de imprensa para detalhar as conclusões da apuração.
Ao longo de quase dois anos, o Cenipa realizou uma série de perícias para reconstruir os momentos que antecederam a queda da aeronave e identificar os fatores contribuintes do acidente.


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Entre as principais análises realizadas pelos investigadores estão:
- a leitura e interpretação das duas caixas-pretas, incluindo o gravador de voz da cabine e o gravador de dados de voo;
- a reconstrução completa do voo, com análise dos comandos realizados pelos pilotos e dos alertas emitidos pela aeronave;
- exames detalhados nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol;
- avaliação das condições meteorológicas registradas no momento do acidente;
- entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes operacionais e familiares dos tripulantes;
- estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da Voepass;
- testes em simuladores e um voo experimental utilizando outro ATR 72-500;
- análise dos registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos.
Segundo o Cenipa, a investigação também incluiu exames em equipamentos responsáveis pelo controle dos sistemas da aeronave e até nas lâmpadas dos painéis de instrumentos, para verificar quais estavam acesas nos instantes que antecederam a queda.

Antes da divulgação, o relatório passou por revisão internacional prevista nos protocolos de investigação de acidentes aeronáuticos. O documento foi analisado pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500, e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave.
Apesar da expectativa das famílias, o relatório do Cenipa não apontará culpados. A investigação tem caráter exclusivamente preventivo e busca identificar os fatores que contribuíram para o acidente, além de apresentar recomendações para ampliar a segurança da aviação civil. A definição de responsabilidades civis e criminais cabe às autoridades competentes.
Paralelamente, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar possíveis crimes relacionados à tragédia. No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave, documento que integra o laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC).
As gravações poderão ajudar a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo, uma das hipóteses investigadas desde o acidente.
A expectativa dos advogados que representam os familiares é de que o inquérito da Polícia Federal seja concluído em breve e encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), podendo embasar eventuais indiciamentos. Após essa etapa, as famílias também pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil, sem prejuízo das ações individuais de indenização que já estão em andamento.
RELEMBRE O FATO
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500, matrícula PS-VPB, caiu no quintal de uma residência em um condomínio de Vinhedo (SP), durante o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).
As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Nenhum morador da casa atingida ficou ferido.
O QUE DIZ A VOEPASS
Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi "o episódio mais difícil" da história da companhia. A empresa informou que continua prestando apoio psicológico às famílias das vítimas, reiterou que colaborou com as investigações desde o início e afirmou que sua frota sempre esteve apta a operar dentro dos padrões internacionais de segurança, sustentando que apenas o relatório final do Cenipa poderá apontar, de forma conclusiva, os fatores que levaram ao acidente.