Inverno, mulheres 35+ e a balança: por que essa estação parece desafiar tanto a nossa saúde?
Frio desperta uma busca natural por alimentos que tragam conforto

Quando o inverno chega, não é apenas a temperatura que muda. A rotina também se transforma. As manhãs ficam mais difíceis para sair da cama, a vontade de praticar atividade física diminui, as férias escolares exigem uma reorganização da casa e da alimentação, e os convites para festas juninas, cafés da tarde e encontros ao redor de uma boa comida se multiplicam.
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Para muitas mulheres acima dos 35 anos, essa combinação costuma resultar em alguns quilos extras, sensação de inchaço, intestino mais lento e aquela impressão de que o corpo "desandou". Mas isso não acontece por falta de força de vontade. Existe uma explicação fisiológica para esse comportamento.
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Por que sentimos mais fome no frio?
Nos dias frios, nosso organismo precisa gastar mais energia para manter a temperatura corporal. Embora esse aumento no gasto energético seja relativamente pequeno, ele pode estimular o apetite.


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Além disso, o frio desperta uma busca natural por alimentos que tragam conforto. Preparações quentes, cremosas e mais calóricas ativam regiões do cérebro relacionadas ao prazer e ao bem-estar, especialmente em momentos de maior estresse ou cansaço.
Outro fator importante é que muitas mulheres chegam ao inverno já acumulando uma rotina intensa de trabalho, casa e filhos. O alimento acaba sendo uma forma rápida de recompensa emocional.
A água desaparece da rotina
No verão, sentir sede é quase automático. No inverno, porém, esse mecanismo diminui.
Como transpiramos menos e a sensação de calor é menor, muitas pessoas passam horas sem beber água, acreditando que o corpo não precisa da mesma hidratação. O problema é que a necessidade continua existindo.
A baixa ingestão de líquidos favorece dores de cabeça, cansaço, pele ressecada, retenção de líquidos e ainda dificulta o funcionamento adequado do intestino.
Sim, beber pouca água pode fazer você se sentir mais inchada, mesmo quando imagina que está "retendo menos líquido".
O intestino também sente o inverno
É muito comum observar uma piora do funcionamento intestinal nessa época do ano.
Isso acontece pela soma de vários fatores:
• menor consumo de água;
• redução da prática de atividade física;
• diminuição do consumo de frutas e saladas;
• aumento da ingestão de alimentos ricos em açúcar, farinha e gordura.
Quando o intestino desacelera, surgem gases, distensão abdominal, sensação de peso e maior dificuldade para controlar o apetite.
Menos movimento, menos energia
Nos dias frios, a motivação para caminhar, correr ou frequentar a academia costuma diminuir.
O curioso é que acontece justamente o contrário do que imaginamos: quanto menos nos movimentamos, menor tende a ser nossa disposição.
A atividade física melhora o humor, regula hormônios relacionados ao apetite, preserva a massa muscular — extremamente importante após os 35 anos — e ajuda a controlar o peso mesmo durante uma estação naturalmente mais desafiadora.
Os alimentos típicos do inverno precisam ser evitados?
De forma alguma.
O maior erro é acreditar que uma alimentação saudável precisa excluir tudo aquilo que faz parte da cultura da estação.
Pinhão, milho, canjica, caldos, sopas, mingaus e até um bolo caseiro podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
A diferença está na frequência, na quantidade e na forma de preparo.
O pinhão, por exemplo, é um excelente alimento típico do inverno. Rico em fibras, minerais como magnésio, potássio, fósforo e manganês, além de antioxidantes naturais, promove maior saciedade, fornece energia de forma gradual e contribui para a saúde intestinal e cardiovascular. Pode ser consumido cozido ou utilizado em receitas como saladas mornas, sopas, refogados, recheios, risotos e até preparações proteicas.
Da mesma forma, receitas tradicionais podem ganhar versões nutricionalmente mais interessantes, com maior teor de proteínas, fibras e menos açúcar, preservando o sabor e a tradição sem transformar a alimentação em um período de culpa.
O segredo não é passar o inverno fazendo dieta
O inverno não precisa ser uma estação de restrições.
Também não precisa ser uma época de exageros seguidos pela promessa de "começar na segunda-feira" ou esperar o verão para cuidar da saúde.
O caminho mais sustentável é aprender a adaptar a alimentação à realidade da estação: consumir preparações quentes e acolhedoras, aproveitar os alimentos típicos, manter uma boa hidratação, organizar a rotina durante as férias escolares e continuar se movimentando, mesmo que em menor intensidade.
Essa mudança de olhar faz parte de um processo de reeducação alimentar. Em vez de proibir os sabores do inverno, a proposta é aprender a incluí-los de forma equilibrada, sem culpa, sem terrorismo nutricional e sem abrir mão do prazer de comer.
Porque cuidar da saúde também significa viver cada estação do ano com equilíbrio, respeitando a cultura, a família e, principalmente, o próprio corpo.
Luciana Leme
Nutricionista – CRN3: 29.513
Saúde da Mulher.
(Luciana Leme é nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico).
@lemelunutri – instagram
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(11) 97247-2729
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
