
O cenário parecia bastante desfavorável ao CSA. O gramado do Estádio 19 de Outubro estava pesado e úmido, com previsão de temporal durante a partida. A chuva forte não veio, mas a irrigação ainda foi acionada após o aquecimento, deixando o piso mais escorregadio.
Mesmo desfalcado de Arlan e Lucas Hulk, suspensos, além do lateral Lucas Hian, lesionado, o São Luiz manteve sua estrutura: três volantes pelo corredor central e um ataque móvel, formado por Mauri, Thiago André e Nathan.

A estratégia gaúcha era clara. Bola longa pelos lados, disputa aérea dos laterais e tentativa de encontrar os atacantes no segundo lance. Logo aos quatro minutos, Thiago André foi lançado em profundidade, invadiu a área, mas preferiu finalizar em vez de servir Nathan, que aparecia livre.
O CSA respondeu com Kayllan, de média distância, e quase marcou no escanteio seguinte, quando Fabrício Bigode cabeceou e Gabriel Oliveira salvou. Depois disso, o São Luiz assumiu o protagonismo ofensivo. O time alagoano não conseguia reter a bola no campo adversário e passou a sofrer pressão.
No lance mais perigoso, Caio Hila salvou praticamente sobre a linha. Havia forte indício de impedimento na origem da jogada, mas o lateral não esperou qualquer auxílio do VAR. Foi na disposição e impediu que a bola atravessasse completamente a linha.

O intervalo marcou a mudança da partida. Moacir Júnior retirou Dudu Figueiredo , que já estava amarelado, e colocou Lucas Silva. A expectativa era vê-lo aberto, mas o treinador o posicionou como referência central, deslocando Mateus Melo para o lado.
A alteração também limitou o apoio de Daniel Bolt, lateral que costumava entrar por dentro. Com Camacho, Kayllan e Fabrício Bigode mais adaptados ao terreno, o CSA começou a ganhar os duelos no meio e deixou de sofrer como havia acontecido na etapa inicial.
Mas o ponto decisivo passou pela segurança da primeira linha defensiva. Laterais e zagueiros controlaram as bolas longas, venceram a maioria das disputas e impediram o acionamento dos atacantes gaúchos.
Quando o São Luiz retirou volantes e aumentou o número de jogadores ofensivos, Moacir respondeu com Everton Heleno. O volante encontrou Lucas Silva em pelo menos duas boas possibilidades de contra-ataque, mas o CSA não conseguiu concluir com precisão.
A principal chance gaúcha no segundo tempo nasceu quase por acidente. Guilherme Escuro escorregou ao cobrar uma falta lateral, a bola saiu torta e encontrou Jhonata Lima livre. Yago cresceu na jogada e desviou para escanteio.
O 0 a 0 foi justo e deixou tudo para o próximo domingo, no Rei Pelé. Quem vencer estará nas quartas de final. Outro empate leva a decisão para os pênaltis.

O melhor em campo, para mim, foi Moacir Júnior. O treinador acertou nas escolhas, corrigiu o posicionamento da equipe e leu com precisão a principal força do adversário: o ataque direto.
Entre os jogadores, Marco, volante improvisado na zaga do São Luiz, fez grande partida. No CSA, Rayan comandou a linha defensiva, dominou os duelos aéreos e apresentou um senso de cobertura fundamental para que o Azulão saísse de Ijuí sem sofrer gols.
