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Imagem ilustrativa da imagem Canetas movimentam R$ 13 bi e mudam hábitos alimentares

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Canetas movimentam R$ 13 bi e mudam hábitos alimentares


				Canetas movimentam R$ 13 bi e mudam hábitos alimentares
Reprodução

As chamadas canetas emagrecedoras deixaram de ser apenas uma novidade da medicina para se transformar em um dos produtos de maior crescimento do varejo farmacêutico brasileiro. Mounjaro, Wegovy e Ozempic movimentaram R$ 13,3 bilhões nos 12 meses encerrados em maio de 2026.

O Mounjaro liderou o mercado, com faturamento de R$ 8,5 bilhões. O Wegovy movimentou R$ 3,7 bilhões, enquanto o Ozempic somou R$ 1,1 bilhão. Os dados são de levantamento da Close-Up International Brasil divulgado no início de julho.

O crescimento deve continuar nos próximos anos, impulsionado pela maior procura, pela entrada de concorrentes e pela possibilidade de redução dos preços. Projeções do setor indicam que o mercado brasileiro desses medicamentos poderá se aproximar de R$ 60 bilhões por ano até 2030.

Não é apenas um fenômeno das farmácias. As canetas já interferem no orçamento das famílias, na alimentação e no movimento de supermercados, bares, restaurantes e outros segmentos de consumo.

Os números das canetas

• R$ 13,3 bilhões movimentados em 12 meses;

• R$ 8,5 bilhões em vendas do Mounjaro;

• R$ 3,7 bilhões movimentados pelo Wegovy;

• R$ 1,1 bilhão faturado pelo Ozempic;

Presença nos lares

• 5% dos lares brasileiros já usam regularmente GLP-1;

• 26% demonstram interesse em iniciar o tratamento;

Como funciona

O GLP-1 é um hormônio liberado pelo intestino após as refeições. Os medicamentos dessa classe imitam sua ação, aumentando a sensação de saciedade, reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago.

Os produtos são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em casos específicos, da obesidade ou do sobrepeso associado a outras condições de saúde. Entre os princípios ativos mais conhecidos estão a semaglutida e a tirzepatida.

O uso exige avaliação e acompanhamento médico. Os efeitos adversos mais frequentes incluem náuseas, vômitos e constipação. Sem dieta adequada e atividade física, a rápida redução de peso também pode resultar em perda de massa muscular.

Mais carne e menos doces

Pesquisa da NielsenIQ mostra que 89,4% dos usuários mudaram a alimentação depois de iniciar o tratamento. A queda mais expressiva ocorreu na compra de chocolates e doces, reduzida ou eliminada por 76,9% dos entrevistados.

Também diminuíram o consumo de biscoitos, balas e salgadinhos, apontado por 73,4%; bebidas alcoólicas, por 67,6%; refrigerantes e outras bebidas açucaradas, por 64,7%; e pães e bolos, por 58,4%.

O movimento contrário ocorre entre produtos associados a uma alimentação com maior presença de proteínas e alimentos naturais.

• 84% passaram a consumir mais carnes e ovos;

• 67% aumentaram a compra de frutas, verduras e vegetais;

• 46% ampliaram o uso de suplementos;

• 42% passaram a consumir mais alimentos ricos em proteínas;

• 42% aumentaram o consumo de vitaminas e minerais;

• 39% passaram a comprar mais bebidas sem açúcar. ([Abradilan][2])

As mudanças chegam também aos gastos fora de casa. Para manter o tratamento, 62% dos usuários precisaram cortar outras despesas. Entre eles, 61% reduziram as saídas para bares, 54,9% diminuíram os gastos com restaurantes, 56,6% cortaram serviços e 50% reduziram despesas com lazer.

O custo ajuda a explicar esse comportamento. Segundo a NielsenIQ, 63% dos usuários desembolsam mais de R$ 800 por mês com o tratamento. Para 84%, a despesa tem impacto alto ou moderado nas finanças familiares. ([Abradilan][2])

Nordeste ainda usa menos

A presença das canetas varia de acordo com a renda das regiões. No Nordeste, os medicamentos GLP-1 estão em 2% dos lares, menos da metade da média nacional, de 5%.

No Centro-Oeste, região que inclui o Distrito Federal, a participação chega a 8%. No Sul e na área formada por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, alcança 6%.

A diferença mostra que o preço ainda limita a expansão desses tratamentos no Nordeste. Mas isso não significa que a região tenha um mercado farmacêutico pequeno.

As farmácias nordestinas movimentaram R$ 28,6 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro de 2025. O faturamento cresceu 11,7%, acima da média nacional de 10,2%, ficando atrás apenas da expansão registrada na região Norte.

O tamanho do mercado nordestino

• R$ 28,6 bilhões em faturamento ao consumidor;

• 1,2 bilhão de unidades comercializadas;

• 24,7% do volume nacional;

• 21,6% de toda a receita do varejo farmacêutico brasileiro;

• segunda maior receita regional do país;

• crescimento de 11,7% em um ano;

• alta de 19,8% no faturamento de medicamentos genéricos. ([Movimento Econômico][3])

O Nordeste comercializa quase um quarto dos medicamentos, produtos de higiene, beleza e demais itens vendidos nas farmácias brasileiras. O desempenho é favorecido pela abertura de novas lojas, expansão das redes regionais e avanço do setor em capitais, regiões metropolitanas e municípios de médio porte.

Consumo frequente e automedicação

A expansão do varejo farmacêutico também revela um comportamento que exige atenção. Pesquisa do Opinion Box, realizada com mil pessoas em março de 2026, mostra que 85% dos brasileiros compram medicamentos pelo menos uma vez por mês.

Ao perceber os primeiros sintomas, 42% recorrem diretamente a remédios que já conhecem. Outros 38% afirmam que primeiro se automedicam e somente procuram um médico quando não apresentam melhora.

Apenas 18% dizem consumir exclusivamente medicamentos prescritos por profissionais de saúde. Quase metade, 47%, faz algum tratamento contínuo.

No caso das canetas, o sinal de alerta é maior. Embora 75% dos usuários comprem os produtos em farmácias, 12,2% recorrem a vendedores informais, 5,6% compram em clínicas de estética e 4,1% usam plataformas de comércio eletrônico.

Ainda não há dados públicos sobre quanto os alagoanos gastam especificamente com Mounjaro, Wegovy, Ozempic e medicamentos semelhantes. Os números nacionais e regionais, no entanto, mostram o tamanho do mercado que começa a se formar.

Com maior concorrência e uma eventual redução de preços, a utilização tende a crescer também no Nordeste. E o efeito não ficará restrito às farmácias.

As mudanças já chegam ao consumo de alimentos, bebidas, suplementos, bares, restaurantes, academias e serviços de saúde. As canetas movimentam bilhões e começam a alterar também a maneira como uma parcela dos brasileiros come, bebe e distribui suas despesas.


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