
A assinatura da medida provisória que prevê R$ 300 milhões em subvenção para fornecedores de cana do Nordeste também teve repercussão política em Alagoas. Entidades do setor passaram a reconhecer publicamente o papel do senador Renan Filho na articulação que levou o presidente Lula a autorizar o pagamento de R$ 12 por tonelada de cana aos produtores nordestinos.
Em postagem nas redes sociais, o presidente da Asplana, Edgar Filho, classificou a assinatura da MP como uma “conquista histórica” e fez agradecimento direto a Renan Filho e ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Segundo ele, os dois tiveram papel fundamental nas articulações junto à Presidência da República para que a medida se tornasse realidade.
A Asprovac também destacou a participação de lideranças políticas alagoanas. A entidade citou o apoio do senador Renan Calheiros, do senador Renan Filho e o empenho do deputado federal Isnaldo Bulhões, que atuou junto a Hugo Motta e ao governo federal para viabilizar a proposta.
A medida foi assinada em Brasília pelo presidente Lula e prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana para fornecedores do Nordeste, dentro de um pacote de até R$ 300 milhões. A ajuda deve beneficiar mais de 17 mil produtores da região, atingidos pela queda dos preços, aumento dos custos e instabilidade climática.
Os números da crise em Alagoas
Em Alagoas, a expectativa é que a subvenção injete cerca de R$ 96 milhões na economia do setor, considerando uma produção próxima de 8 milhões de toneladas de cana entregue por fornecedores independentes e cooperados na safra 2025/2026
O dinheiro chega num momento de forte dificuldade para os produtores. Na safra 2025/2026, Alagoas moeu 17,79 milhões de toneladas de cana, alta de 1,71% sobre o ciclo anterior. Mas a renda do setor caiu com a retração nos preços do açúcar, do ATR e da tonelada de cana.
Levantamento do Blog do Edivaldo Júnior apontou que a cadeia produtiva pode ter perdido cerca de R$ 872 milhões em faturamento na comparação entre as duas últimas safras. Entre fornecedores independentes e cooperados, a perda estimada passa de R$ 600 milhões.
A subvenção não cobre todo o prejuízo, mas pode dar fôlego ao produtor no momento em que começam os tratos culturais do canavial, com compra de adubo, herbicidas e outros insumos necessários para garantir a próxima safra.
O reconhecimento das entidades fortalece o discurso político de Renan Filho em Alagoas. O senador tem afirmado que sua proximidade com Lula pode ajudar a trazer mais recursos federais para o Estado. A liberação da subvenção da cana passa a ser um exemplo concreto dessa relação, antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.Para o setor, o resultado também mostra a importância da articulação conjunta entre entidades produtivas e bancada federal. Asplana, Asprovac, Asprovale, Unida e Feplana atuaram nos últimos meses em defesa da ajuda emergencial. Em Brasília, o pleito ganhou força com Renan Filho, Isnaldo Bulhões, Renan Calheiros e Hugo Motta.
A expectativa agora é que a MP tenha tramitação rápida no Congresso e que os critérios de pagamento sejam definidos a tempo de permitir que os recursos cheguem ao campo ainda no período de preparação da safra 2026/2027.