Por que atletas muçulmanos recebem prêmio diferente na Copa do Mundo?
Marca de bebida foi removida do prêmio de Melhor Jogador da Partida na Copa

O respeito às tradições religiosas e culturais tem sido um dos grandes destaques nos bastidores da Copa do Mundo de 2026. Um exemplo marcante disso é a adaptação do prêmio de Melhor Jogador da Partida aos atletas muçulmanos. O prêmio, entregue no fim dos jogos aos jogadores mais votados pela audiência, recebeu uma versão sem o patrocínio da Michelob ULTRA, marca de cerveja.
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Respeito à religião
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A mudança foi implementada pela Fifa em respeito aos jogadores que originam de países com populações predominantemente muçulmanas ou que simplesmente são seguidores da religião islâmica. No islamismo, o consumo de qualquer bebida alcoólica é considerado haram (proibido) e classificado como um pecado grave. A proibição baseia-se diretamente no Alcorão.
A medida chamou atenção após jogadores como Ismael Saibari, do Marrocos, receberem a versão sem marca do prêmio. Além dele, alguns exemplos foram Mohamed Salah e Emam Ashour, do Egito; Ismaël Koné, do Canadá; Ramin Rezaeian, do Irã, e Johan Manzambi, da Suíça, entre outros.


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Inclusive, o cuidado com a fé islâmica não foi isolado: as bandeiras da Arábia Saudita e do Iraque receberam um protocolo especial da Fifa e, ao contrário das demais equipes, não foram colocadas diretamente no chão. Para manter o padrão, as bandeiras dos adversários das duas equipes nas partidas da Copa também foram estendidas da mesma forma.
No caso do Iraque, a medida foi motivada pela inscrição presente no centro do símbolo nacional: a frase "Allahu Akbar" ("Deus é o Maior", em português), uma das expressões mais conhecidas e sagradas do Islã. Já na bandeira saudita, além da profissão de fé islâmica (a Shahada), existe uma interpretação religiosa mais rígida em relação ao uso do símbolo nacional. Por isso, a bandeira do país não pode ser colocada no solo nem em superfícies consideradas inadequadas, como a água.
Mudança no prêmio implementada antes da Copa
A regra também vale para jogadores menores de idade ou que, por qualquer motivo, não queiram ter sua imagem vinculada a marcas de bebidas alcoólicas. Um porta-voz da Fifa disse ao SPORTbible que "um prêmio e um backdrop sem marca estão disponíveis mediante solicitação do jogador escolhido".
A remoção do patrocinador de cervejas no troféu de melhor da partida já havia acontecido no ano passado, na Copa do Mundo de Clubes de 2025. Na ocasião, atletas como Achraf Hakimi e Estêvão receberam o prêmio sem a marca exposta. O marroquino, atleta do Paris Saint-Germain, por ser muçulmano, e o brasileiro, à época no Palmeiras, por ser menor de idade.
Além disso, o vínculo a uma marca de bebidas no troféu de melhor da partida vem sendo questionado desde a Copa do Mundo de 2018. No torneio, o goleiro egípcio Mohamed El-Shenawy teria recusado o prêmio por causa do patrocínio ligado a bebidas alcoólicas, o que gerou ampla repercussão nas redes sociais.
Nos últimos anos, algumas ligas passaram a adaptar celebrações e cerimônias de premiação envolvendo atletas muçulmanos, com a substituição de bebidas alcoólicas por alternativas neutras ou sem álcool. Para votar no melhor em campo em cada jogo da Copa do Mundo de 2026, basta entrar no site oficial da Fifa.
