Câmera corporal registra fala de PM antes da morte de eletricista: "Eu vou matar ele"
Imagens mostram policial fazendo a declaração segundos antes da abordagem que terminou com a morte de Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues; vídeos contradizem versão inicial dos agentes
Novas imagens registradas por câmeras corporais revelaram detalhes da abordagem policial que terminou com a morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 46 anos, na Zona Norte de São Paulo. As gravações mostram que um dos policiais afirmou que iria matar o motorista poucos segundos antes de deixar a viatura.
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O caso ocorreu no dia 29 de abril, após uma discussão de trânsito envolvendo um motoboy. Nas imagens, os policiais militares aparecem em um posto de combustíveis quando o entregador chega pedindo ajuda e relata a ocorrência.
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Após o pedido, os agentes deixam o local em alta velocidade, acompanhados pelo motoboy, e seguem até onde estava o eletricista. Antes mesmo de desembarcar da viatura, o cabo Cauã Alencar Bastos é ouvido dizendo: "Espera aí que eu vou matar ele".
Na sequência, ainda dentro do veículo policial, o cabo efetua três disparos. Depois de sair da viatura, ele atira outras três vezes. O soldado José Otávio Ribeiro também realiza um disparo durante a ação.


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Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues foi atingido por dois tiros. Segundo as investigações, ele sofria de esquizofrenia.
Imagens de uma câmera de segurança instalada na rua também registraram a ocorrência. O vídeo mostra que o eletricista desceu do carro com uma faca e correu em direção ao motoboy. No entanto, ao perceber a chegada dos policiais, ele se abaixa para colocar a arma no chão.
De acordo com a apuração do caso, os disparos ocorreram mesmo após Igor demonstrar intenção de largar a faca. As imagens passaram a ser consideradas peças centrais da investigação porque contradizem a versão apresentada inicialmente pelos policiais.
Logo após os tiros, o eletricista ainda aparece pedindo socorro enquanto aguarda a chegada do resgate. Em outro trecho das gravações, o cabo Cauã chega a rezar ao lado da vítima ferida.
Inicialmente, os agentes alegaram que os disparos foram necessários para impedir um ataque contra o motoboy. Entretanto, os registros divulgados agora levantam questionamentos sobre a dinâmica da abordagem e o momento em que a força letal foi empregada.
Os dois policiais seguem afastados das funções. Além da suspensão das atividades operacionais, eles também tiveram os salários interrompidos enquanto o caso é investigado.
As imagens fazem parte do inquérito que apura as circunstâncias da morte do eletricista e podem influenciar os próximos desdobramentos da investigação.

