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Saúde ou interesse: pausa para hidratação na Copa do Mundo divide opiniões

Medida é essencial diante de calor extremo, mas obrigatoriedade recebe críticas


				Saúde ou interesse: pausa para hidratação na Copa do Mundo divide opiniões
Jogadores do Brasil conversam durante pausa para hidratação do jogo contra Marrocos. (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

A pausa de três minutos para hidratação na metade de cada tempo de jogo, adotada na Copa do Mundo de 2026, divide opiniões. A medida proposta pela Fifa tem como objetivo preservar a saúde dos atletas diante do calor extremo e alta umidade em diferentes cidades que sediam o torneio, mas também gerou interesse comercial e provocou mudanças na dinâmica das partidas.

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Pausas são essenciais em condições extremas

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Em contato com o Lance!, fisiologistas explicaram que a pausa para reidratação é fundamental nos jogos realizados em altas temperaturas, situação prevista para 1/4 das partidas do torneio. Além de preservar a saúde dos jogadores, as interrupções ajudam a prevenir lesões e garantem que os atletas consigam manter a intensidade por 90 minutos e acréscimos.

— Durante os jogos, nas pausas técnicas, as comissões podem intervir por meio de recursos como bebidas geladas ou com gelo triturado, coletes refrigerados, toalhas frias e bolsas de gelo utilizadas para reduzir a temperatura corporal dos jogadores — disse Diêgo Augusto, coordenador científico da base do Vasco da Gama.

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Pouco acostumada com o calor intenso, a Noruega montou estratégias minuciosas para reduzir o impacto das altas temperaturas e trata as interrupções como parte essencial do plano. O cuidado é tanto que a comissão técnica dos "Leões" está treinada para dividir responsabilidades durante as pausas de três minutos: cada funcionário será encarregado de cuidar de um atleta específico.

O técnico da Espanha, Luis de La Fuente, também é defensor do protocolo. Em entrevista coletiva antes do jogo contra Cabo Verde, realizado no estádio climatizado de Atlanta (EUA), o Mercedes-Benz Stadium, o treinador garantiu que não sobrecarregaria o seu time com instruções durante as pausas, priorizando a hidratação e descanso.

— Estou sempre preocupado com a saúde dos meus jogadores. Acho que é a decisão correta: fazer uma pausa, recuperar o fôlego e continuar. Ao longo da semana, enfrentamos temperaturas muito altas. É muito difícil ficar exposto a esse calor por tanto tempo quando se está trabalhando. Na minha opinião, o melhor a fazer é beber bastante água, fazer uma pausa e permitir que os jogadores recuperem o fôlego por alguns segundos — afirmou antes do empate por 0 a 0.


				Saúde ou interesse: pausa para hidratação na Copa do Mundo divide opiniões
Luis de La Fuente conversa com Lamine Yamal antes de jovem espanhol entrar na partida contra Cabo Verde. (Foto: Mattia Ozbot / AFP)

O outro lado: pausa tem interesse comercial?

Emissoras ao redor do mundo utilizam as pausas de três minutos para inserções comerciais extremamente lucrativas: na maior competição de futebol do planeta, cada segundo de exposição midiática é valioso. Para os críticos, as paradas para hidratação foram aproveitadas para replicar o modelo de transmissões esportivas nos Estados Unidos, principal sede desta Copa do Mundo. Na liga de basquete americana (NBA), por exemplo, a exibição do jogo é pausada nos tempos técnicos e ao fim de cada um dos quatro quartos para veiculação de propagandas.

— Acho que isso é apenas mais uma forma de inserir publicidade na transmissão, do ponto de vista americano. Eles usam o argumento de que é para beneficiar os jogadores, mas, para mim, não é — opinou o ex-jogador inglês Ian Wright, hoje comentarista na "BBC".

O jogo entre Holanda e Japão também foi realizado em estádio climatizado: o AT&T Stadium, em Dallas. Apesar do clima ameno no interior da arena, a partida foi paralisada nos dois tempos, levantando questionamentos de Virgil van Dijk, capitão holandês.

— Sempre interromper o jogo para fazer publicidade é algo que não gosto. Para quem está assistindo pela TV, também não é muito agradável. Portanto, se estiver realmente muito calor, faz sentido haver essas pausas, mas penso que é preciso analisar cada jogo individualmente — afirmou após o empate por 2 a 2.

Outro crítico é o técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino.

— Eu não gosto disso, só quando as condições são extremas. Se as condições são boas, as pausas são desnecessárias — disparou.


				Saúde ou interesse: pausa para hidratação na Copa do Mundo divide opiniões
Virgil van Dijk, capitão da Holanda, comemora gol contra o Japão. (Foto: Michael Steele / AFP)

Pausa para hidratação impacta jogos da Copa do Mundo?

As paradas para hidratação têm motivação física, completamente diferente dos tempos técnicos adotados em outros esportes. Contudo, especialmente em duelos realizados em condições climáticas agradáveis, as pausas têm sido utilizadas pelos técnicos para reorganização das equipes. Assim, os gráficos de "volume de jogo" exibidos pela Fifa durante as partidas indicam mudanças no panorama dos confrontos logo após as interrupções frequentemente.

Alemanha e Curaçao, por exemplo, empatavam por 1 a 1 até os 21 minutos do primeiro tempo. Após o retorno da partida, a equipe alemã fez mais dois gols até o intervalo. Depois, ampliou o placar para 7 a 1 no segundo tempo. Apesar da evidente diferença técnica entre as seleções, o técnico vencedor, Julian Nagelsmann, admitiu a importância da pausa para evolução do seu time.

— Curaçao jogou em uma formação de diamante hoje, então ajustamos nosso ataque durante a pausa para hidratação. Mesmo assim, ainda houve dois ou três momentos em que demorou um pouco, porque, no fim das contas, é muito raro jogar contra um time em diamante hoje em dia. É praticamente inédito. Pouquíssimos times fazem isso hoje em dia, e precisávamos de um tempinho. A pausa para água foi boa para simplesmente reiterar o que já tínhamos ajustado no quadro — falou após a goleada.

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