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HOME > blogs > LETRAS DE ALAGOAS
Imagem ilustrativa da imagem Ó QUE CAMINHO TÃO LONGO CHEIO DE PEDRA E AREIA, VALEI-ME MEU PADRINHO CIÇO E A MÃE DE DEUS DAS CANDEIAS | Benedito Ramos

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Letras de Alagoas

Ó QUE CAMINHO TÃO LONGO CHEIO DE PEDRA E AREIA, VALEI-ME MEU PADRINHO CIÇO E A MÃE DE DEUS DAS CANDEIAS | Benedito Ramos

Não Imagine, leitor, ao ler um texto meu, que o mesmo ímpeto de antes ainda acende minha alma e me encoraja o espírito, embora à vontade não me falte o moinho das letras já não se move como antes.

A ingratidão do Parkinson tolhe-me a coragem quixotesca de lutar contra os ventos já sem as armas, elmo e escudo com a mesma destreza. E embora não faltem sonhos as letras que os tornam reais me vêm bem mais de lampejos.

O que me resta enfim é obsessão, igual a um louco, por escrever, criar e sonhar. Pelo caminho vou deixando os arrependimentos, tudo o que fere a razão enquanto recolho uma a uma as últimas pétalas do mal-me-quer que despedacei.

O caminho ficou mais estreito, pedregoso, íngreme e mais deserto. Como alento, no entanto, já contemplo a aurora que me espera, numa derradeira chama solitária, tal qual a minha própria jornada, no silêncio e na quietude que procuro.

Restam-me as melhores lembranças que se aninham entre as aningas e baronesas do oparah e dos angicos espinhosos onde as zabelês se escondem.

É quando reencontro vidas que criei no papel: Chiquinha - a rezadeira, Enedina com sua Comadre Maria Querência abraçada com seu eterno amor Jesuíno Pereira, ladeado por Dona da Luz que espreita de soslaio Zé Argemiro e Argemiro José ladeando Doralice.

Até Zé Marreca se achega com sua mãe Rosa Peitão, sob o terno olhar de Maria Burrega. Estão todos ali me esperando num momento sagrado em que o criador também se tornará criatura.


				Ó QUE CAMINHO TÃO LONGO CHEIO DE PEDRA E AREIA, VALEI-ME MEU PADRINHO CIÇO E A MÃE DE DEUS DAS CANDEIAS | Benedito Ramos
Letras de Alagoas

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Benedito Ramos Amorim

Pesquisador, Crítico de Arte e Coordenador de Ação Cultural e Social da Associação Comercial de Maceió, tem livros publicados a partir de 1974: Mona Lisa Um Autorretrato de Leonardo da Vinci - Pesquisa, em 1979 Lamento Derradeiro que recebeu o Prêmio Moinho Nordeste da Academia Alagoana de Letras – Contos, 2003 A Construção do Palácio do Comercio – Pesquisa, Edufal, 2005, Um Amor Além do Tempo – Romance, HD Livros, 2006, Doce de Mamão Macho – Novela, Editora Catavento. Articulista em diversos jornais da capital alagoana desde 1976, no extinto Jornal de Alagoas desde 1976, a partir de 2002 no O Jornal e Jornal Gazeta de Alagoas. Prêmio Graciliano Ramos da Academia Alagoana de Letras com o romance inédito Pensamentos Mágicos em 2006, ano em que assumiu a cadeira número 9 da Academia Alagoana de Letras. Editor por 5 anos do jornal O Palácio publicado pela Coordenadoria de Ação Cultural e Social da Associação Comercial de Maceió. 2019 Prêmio Editora Gracialiano Ramos com edição dos livros, Nadi e 2ª Edição do livro Doce de Mamão Macho.