
O placar do Rei Pelé entregou uma lição importante para o CRB no seu primeiro grande teste da temporada. Depois de nove jogos de invencibilidade, o time de Eduardo Barroca encarou um adversário de Série A, em força máxima, ferido pela derrota na estreia e pronto para responder. Respondeu.
Os minutos iniciais mostraram um CRB surpreendendo negativamente. O time entrou disperso, errando mais do que o normal e oferecendo ao Vitória exatamente o que um adversário desse nível procura, defesa vacilante, campo e oportunidade para machucar.

O primeiro gol não nasce da pressão alta, mas de uma bola parada mal defendida.
O CRB permitiu o cabeceio, a jogada voltou para a área e ninguém cortou. Até que Cacá ajeitou para uma das características mais determinantes do time de Jair Ventura, a agressividade para atacar rebote na entrada da área. Baralhas apareceu livre, soltou a perna, e Matheus Albino tomou a decisão errada ao tentar encaixar uma bola de muita força. O Vitória abriu o placar.
No segundo, aí sim, apareceu de forma cristalina o plano do Leão. Sabendo que o CRB gosta de construir com a bola, o Vitória retirou o conforto da saída, pressionou alto, encurtou espaços e forçou o erro. Henry falhou na entrada da área, a jogada foi acelerada com precisão e Erick ampliou. Foi o gol que melhor traduziu a execução perfeita de uma estratégia pensada para sufocar a construção regatiana.

Só que o CRB não se escondeu. Baggio achou Crystopher entre linhas, o time descontou e, dali em diante, cresceu com personalidade, ocupando o campo ofensivo, empurrando o Vitória para trás e transformando o goleiro Lucas Arcanjo no grande destaque da partida. A sensação era clara, o empate amadurecia. Mas futebol não premia sensação, premia execução.
E aí apareceu outra marca forte dos times de Jair Ventura, a letalidade nas transições. Erick acelerou, Renato Kayzer concluiu, 3 a 1. Um balde de gelo em quem produzia mais, mas concluía menos.
No segundo tempo, Barroca mexeu bem. Kevin entrou ainda na etapa inicial e respondeu com personalidade. Depois, com Estrella, buscou mais dinâmica no meio. O CRB voltou vivo, Baggio fez o segundo, incendiou o jogo e deixou o empate ao alcance. Só que quando Mikael teve a chance clara, Lucas Arcanjo salvou de novo. Do outro lado, Tarzia recebeu a oportunidade e fez o que o CRB não conseguiu fazer, decidiu.

A estatística resume sem maquiagem. O CRB finalizou 19 vezes, acertou 6 no alvo e fez 2 gols. O Vitória finalizou 9, acertou as mesmas 6 no alvo e marcou 4. Está aí a diferença entre produzir e resolver.
O jogo deixa recados importantes. O CRB mostrou reação, personalidade e capacidade de competir contra um time de Série A. Mas também escancarou oscilações defensivas e um problema que segue cobrando a conta, a baixa efetividade para transformar volume em gol.