Arrependimento, frustação e dívida: motorista que forjou o próprio sequestro desabafa: "Não raciocinei bem"
Ele afirma que simulou a situação por causa de dívidas que se acumularam, especialmente advindas da compra do veículo

MARIANE RODRIGUES*
18/07/2025 às 20:00 • Atualizada em 18/07/2025 às 20:16 - há XX semanas
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“Não raciocinei muito bem. Foi pressão psicológica”. A afirmação é do motorista por aplicativo Josivaldo dos Santos da Silva, que forjou o próprio sequestro e queimou o próprio carro para obter indenização da seguradora. Ele afirma que simulou toda a situação por causa de dívidas que se acumularam, especialmente aquelas advindas da compra do automóvel que foi incendiado.
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Tudo começou quando, no último sábado (12), o motorista por aplicativo procurou a polícia para denunciar que foi sequestrado por criminosos no Benedito Bentes, levado para um local ermo e depois foi queimado vivo, mas teria conseguido escapar.
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No dia seguinte, no domingo (13), ele apareceu em vídeo nas redes sociais, expondo queimaduras na perna e nos braços e pedindo ajuda financeira, pois não tinha como voltar a trabalhar nos próximos dias em decorrência dos ferimentos e porque tinha perdido o veículo. No vídeo, ele relatou ainda que conseguiu escapar “por um milagre”.
Mas durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que tudo não passou de uma farsa. Ao ser confrontado pela polícia diante de contradições nos depoimentos, ele confessou o crime.


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Afirmou ter forjado o próprio sequestro e queimado o próprio veículo para obter indenização de R$ 50 mil da seguradora. No momento em que incendiava o automóvel, as chamas atingiram parte do corpo dele por acidente.

Em entrevista à TV Gazeta, o motorista afirmou que acumulou dívidas por causa da compra do carro. Segundo ele, o automóvel foi adquirido por ele, mas em nome de outra pessoa. “Daí que começou o problema todo”, conta ele.
O motorista afirma que adquiriu o veículo por meio da indicação de um funcionário de uma loja. No entanto, o carro foi financiado em nome de uma terceira pessoa, sem o seu conhecimento. Ele relata que entregava regularmente os pagamentos das parcelas ao homem que intermediou a compra, acreditando que o valor seria repassado ao banco. Porém, descobriu que as parcelas não estavam sendo quitadas e que o veículo acumulava meses de atraso, apesar de ele ter feito todos os pagamentos.
“Já estava com seis meses de parcela atrasada, mas eu tinha pago. Tenho todos os comprovantes no celular que está com a polícia”, afirmou ele.
Segundo a esposa de Josivaldo, Maria Dayse da Conceição, o motorista passa por momento difícil e problemas psicológicos. “Ele não está bem da mente, não está dormindo, não está comendo”, afirmou ela.
A Polícia Civil verificou que o homem tem muitas dívidas com bancos e colegas de trabalho e que não conseguiu pagar parcelas do carro financiado, o que provocou a busca e apreensão por parte do banco.
“Ele falou que devia valores a algumas pessoas, colegas de trabalho. Ouvimos essas pessoas que realmente confirmaram que estava passando por dificuldades financeiras. Pesquisamos processos judiciais e encontramos vários processos de bancos cobrando valores contra ele. Este veículo estava com busca e apreensão pelo banco, porque ele não estava conseguindo pagar as prestações e o nome estava negativado. Verificamos que ele agiu sozinho”, relatou João Marcello, um dos delegados que investigou o caso.
De acordo com a Polícia Civil, o motorista vai ser indiciado pelos crimes de estelionato, comunicação falsa e falsidade ideológica por tentar aplicar golpe na seguradora.
*Com TV Gazeta