Alagoas desponta como polo criativo no Nordeste
O setor audiovisual liderou o crescimento

Igor Lima
04/07/2024 às 15:40 • Atualizada em 04/07/2024 às 16:43 - há XX semanas
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Um turbilhão de novas habilidades e ideias: pesquisa do Itaú Cultural revela o vigoroso crescimento da economia criativa e cultural de Alagoas. O número de profissionais neste setor no estado disparou, saltando de 43.639 para 54.470, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do IBGE. Esse crescimento meteórico coloca Alagoas no pódio do Nordeste, atrás apenas de Roraima e do vizinho Sergipe.
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A pesquisa é uma realização da Fundação Itaú e envolve segmentos como cinema, design, publicidade, moda, música, jogos digitais etc. No geral, o setor que mais cresceu foi o do audiovisual como Cinema, Rádio e TV, com um aumento de 111% de postos de trabalho na área - 2.444 no total.
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Para Maysa Reis, que trabalha com audiovisual e faz parte do FSAL (Fórum Audiovisual de Alagoas), essa área voltou a crescer há 15 anos e hoje apresenta o resultado merecido.
“O audiovisual em Alagoas segue em crescimento. Desde sua retomada, há mais de 15 anos, o setor só cresce e se desenvolve. Com certeza temos espaço e muito pra crescer ainda. Temos alagoanos que são muito bons no que se propõem a fazer e por isso nosso setor já demonstra sua grande potência criativa e econômica”, afirma.


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Embora tenha tido um resultado positivo, Maysa salienta que ainda faltam investimento, incentivo e mais visibilidade no mercado. “Porém, é difícil para o nosso contexto que sejamos vistos como grandes catalisadores de emprego e de renda. Que é o que somos e o que podemos ser. Mesmo sem esse reconhecimento local, acredito que dados e pesquisas como essas podem contribuir para que os investimentos e o desenvolvimento do nosso cinema. Acho que a indústria pode crescer ainda mais, o que precisamos é de investimento público e privado em infraestrutura, ter uma política pública constante e continuada com investimentos locais e federais”, finalizou.

Outros segmentos também se destacaram e tiveram sua parcela de responsabilidade pelo crescimento dessa economia no estado, como a moda e a publicidade, que registraram um aumento de 26% e 20%, respectivamente.
No setor de moda, Alina Amaral, produtora executiva do projeto de moda Renda-se, uma iniciativa criada para divulgar e valorizar a moda alagoana, com foco em novos talentos e marcas locais, promove desfiles, workshops, palestras e mentorias, e oferece uma plataforma para que os estilistas alagoanos possam mostrar seu trabalho para um público amplo e se conectar com oportunidades de mercado.
“Alagoas está na moda porque o artesanal está na moda em todo o mundo. Existe uma busca por uma identidade de uma moda predominantemente brasileira, e ela diz respeito às artesanias. E o Renda-se é o primeiro evento de moda em Alagoas que, de fato, joga luz nessas artesanias, nessa profundidade criativa que temos, nesses saberes. Então, exaltando e fortalecendo esses saberes, a gente realmente se fortalece enquanto estética criativa e nos fortalecemos enquanto negócio também”, afirmou Alina.

Ainda segundo os dados, o número de trabalhadores que ingressaram nessa indústria da criatividade foi de quase onze mil, mais precisamente 10.831, no período de um ano. Desses dez mil, 1.638 postos de trabalho foram no setor de artesanato, que cresceu 38% nesse período de 12 meses.

No artesanato, Kátia Almeida, que vende peças de crochê, diz que a demanda vem crescendo desde a pandemia. Ela utiliza as redes sociais, como o instagram @crocheoncinhamania, para divulgar seu trabalho e receber encomendas. Vendo a alta demanda, também incentiva a filha, que no período de férias produziu chaveiros com temática de anime para vender.
“Eu tenho observado que a demanda pelo crochê vem crescendo desde o tempo da pandemia, o crochê está ganhando visibilidade a cada ano que passa. Na pandemia, por exemplo, muitas pessoas estavam tentando adquirir novos hobbies e também tentando fazer uma renda extra, já que muitas perderam os empregos e também não podiam sair de casa. Eu vejo que o artesanato vem crescendo muito, nesses últimos anos, por exemplo, tem aumentado o número de encomendas, principalmente para trilhos de mesa e também para jogos de banheiro e jogos de cozinha”, contou Kátia.
No país, o índice de crescimento do mercado criativo é de 4%, o que torna o crescimento do estado de Alagoas pelo menos cinco vezes maior que o nacional. Acima de Alagoas, que ocupa o terceiro lugar, com 24,8% de crescimento na economia criativa, apenas dois estados apresentaram um maior desenvolvimento neste mercado, Roraima, com 27% de aumento, e Sergipe, com 28%.