O casal Valdemir e Lindalva tinha uma vida difícil. Os dois moravam em uma pequena casa de madeira na favela Parque Seleta, em São Bernardo do Campo. Ele saía de casa todo dia às 4h30 para trabalhar como metalúrgico e ela contava as míseras moedas do orçamento para pegar três ônibus e levar o filho para treinar futebol em São Paulo. A filha mais nova, mesmo bebê, também ia junto porque não tinha com quem ser deixada. Menos de dez anos se passaram e hoje a família leva uma vida de sonho. Mora no litoral, tem carro e casa, não precisa mais trabalhar e se dedica exclusivamente ao agora atacante Gabriel, de 16 anos, a maior promessa das categorias de base do Santos.
O menino pobre foi garimpado pelo clube e agora é uma joia com multa rescisória de R$ 131 milhões – a de Neymar, por exemplo, é de R$ 183 milhões. Desde os 13 anos, Gabigol é acompanhado de perto pelo empresário Wagner Ribeiro, o mesmo de Neymar e Lucas. “Esse menino me lembra muito o Adriano quando começou. É forte fisicamente, canhoto e chuta bem a gol. Quando derem chance, ele vai estourar”, opinou Ribeiro, conhecido por exagerar nos elogios a seus clientes.
O apelido ele ganhou quando chegou ao Santos, aos oito anos, e foi uma forma de usar o faro de artilheiro para se diferenciar da legião de Gabrieis da base santista. E foi esse faro que o fez receber atenção especial do estafe do clube, que cuidou de fazer a mudança de cidade da família e agora o prepara o corpo e a cabeça do menino para transformá-lo em um novo Neymar.
“A gente morava em uma favela e agora a vida está totalmente diferente”, disse o menino. “Ainda estou vivendo um sonho e minha ficha não caiu.”