O francês Arsene Wenger, atualmente à frente do Arsenal, é daqueles com status de intelectuais da bola no futebol europeu. Comanda o time inglês desde 1996 e já conquistou 11 títulos.
Foi eleito o melhor treinador do mundo na primeira década do século 21, segundo a IFFHS, a Federação Internacional de História e Estatística de Futebol. Wenger palpitou sobre o futebol brasileiro e disse que este vem perdendo sua identidade de futebol arte e sendo destruído pela saída de jovens jogadores.
“Talento não falta no Brasil e eu sempre tive muita sorte sempre que trouxemos um jogador brasileiro para atuar no Arsenal. Sou um grande admirador do futebol brasileiro. O futebol brasileiro parece ter perdido um pouco suas características de futebol arte e, ao mesmo tempo, não encontrou uma nova identidade”, disse Wenger, em entrevista ao jornal OEstado de São Paulo.
“A transferência de jogadores cada vez mais jovens para a Europa é o que está destruindo o futebol brasileiro. Tudo indica que a parte comercial do futebol ganhou uma força sem precedentes e que acabou destruindo a educação de jovens jogadores. O que vemos é a transferência de jogadores nacionais cada vez mais jovens para a Europa. Eu conversava com Carlos Alberto Parreira há pouco tempo e ele me confessava que sequer conhecia alguns dos brasileiros que estavam despontando nas equipes na Europa. Ficou claro que não há controle”, continuou.
O treinador francês ainda defendeu o trabalho de Mano Menezes à frente da seleção brasileira. "Ele pelo menos tem um projeto, o que já é grande coisa. Ele parece saber o que está fazendo e acredito que o Brasil deveria mantê-lo cargo até 2014.”
Wenger, ex-jogador, iniciou sua carreira como técnico em 1984, ao treinar por três anos o Nancy-Lorraine. Em seguida, teve passagem de 1987 a 1994 pelo Monaco. Após ser treinador no Japão, chegou ao Arsenal em 1996