
O planeta está reagindo as agressões da ação humana, com altas temperaturas, inundação e subida do nível do mar. Além disso a produção de alimentos também está ameaçada pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e mudanças genéticas. Contudo a maior ameaça são as emissões de gases com efeito de estufa têm várias origens, sendo a produção de combustíveis fósseis a maior responsável. Mas há mais culpados, quase todos da responsabilidade do ser humano.
A ciência é clara: para limitar o aquecimento global a +1,5°C devemos primeiro reduzir as emissões de gases poluentes para metade até 2030. Mas o caminho para alcançar este objetivo tem demasiadas pedras e envolve uma miríade de escolhas radicais para transformar todos os setores da economia.
Um dos planos de ação para se reduzir as emissões de gases poluentes é o abandono gradual dos combustíveis fósseis, que são particularmente poluentes. Numestudodivulgado a duas semanas da conferência do clima COP26,a ONU alerta que as metas do acordo de Paris estão em risco porque, apesar das declarações de intenção para reduzir a emissão de gases poluentes e controlar as alterações climáticas, vários governos têm planos para duplicar a extração de combustíveis fósseis - carvão, petróleo e gás - nos próximos anos.
Os planos de produção de combustíveis fósseis - carvão, petróleo e gás - a nível mundial, continuam a ser "um perigo" à luz dos objetivos de Paris, segundo oPrograma das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE/UNEP).
CONCENTRAÇÃO DE GASES POLUENTES BATEU NOVO RECORDE EM 2020
No seu último relatório, publicado a uma semana da COP26, aOrganização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas, mostra que, mais uma vez, as concentrações dos três principais gases com efeito de estufa, que retêm o calor da atmosfera, atingiram o pico em 2020.
A desaceleração económica imposta pela pandemia de covid-19 "não teve um impacto percetível" sobre o nível e a progressão dos gases com efeito de estufa na atmosfera, apesar de um declínio temporário nas novas emissões, observa a OMM.
A taxa anual de 2020 de aumento nas concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) até superou a média do período 2011-2020, assinala a agência.
OS GRANDES EMISSORES DE GASES POLUENTES
Energia, agricultura, construção, transportes, indústria e florestas: segundo a ONU estes são os setores que têm de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa - dióxido de carbono (CO2), metano, óxido nitroso (NO2)...).
Energia
A produção de energia é dos maiores responsáveis pelas emissões poluentes, sobretudo a produção de eletricidade.
Carvão
As centrais a carvão são responsáveis por 40% das emissões poluentes para produção de energia e devem ser abandonadas.
O plano da Agência Internacional de Energia (AIE) prevê a neutralidade carbónica no setor elétrico em 2040, o que significa instalar quatro vezes mais capacidade solar e eólica até 2030 do que em 2020.
Transportes, agricultura e indústria
O problema é que a eletricidade verde não é suficiente para a procura de energia.
Para os transportes a AIE apela ao fim da venda de novos veículos de combustão em 2035.
Na agricultura, é preciso atacar os pesticidas responsáveis pelas emissões de óxido nitroso (N20); é preciso modificar as dietas, comer menos carne, sobretudo carne bovina, uma vez que as vacas geram emissões significativas de metano.
É preciso fazer a renovação energética das habitações, desenvolver novos processos produtivos em diversos setores industriais como o aço e o betão. E parar a desflorestação e restaurar solos e florestas, sumidouros naturais de carbono.
POR ONDE COMEÇAMOS? O QUE TEM DE SER FEITO A NÍVEL MUNDIAL E LOCAL?
O acordo sobre o clima alcançado em 2015 em Paris, e assinado pela quase totalidade dos países do mundo, visa limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C e se possível abaixo dos 1,5°C em relação à era pré-industrial.
As medidas mais importantes que cada país tem de implementar, segundo osobjetivos da COP26:fazer uma transição mais rápida para carros elétricos
acelerar o fim da utilização da energia a carvão
garantir maior proteção das pessoas mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, como o financiamento de sistemas de defesa costeira.
- Fazer uma transição mais rápida para carros elétricos
O transporte rodoviário é responsável por 10% das emissões globais e as suas emissões estão a aumentar mais rapidamente do que as de qualquer outro setor.
Já está a acontecer uma mudança a nível mundial para veículos com emissão zero, mas está a ser lenta. Para cumprir as metas do Acordo de Paris, essa transição tem de ser mais rápida e deve incluir não apenas carros, mas carrinhas, autocarros e camiões.
- Acelerar a transição do carvão para energia limpa
O setor de energia é responsável por um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa.
Para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, é preciso acabar com o carvão e utilizar energias limpas cinco vezes mais rapidamente do que o ritmo atual.
- Proteger a natureza e as pessoas mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas
Por todo o mundo, milhões de pessoas já vivem em condições climáticas extremas e devastadoras, cada vez mais agravadas pelas alterações climáticas. Mesmo trabalhando incansavelmente para reduzir as emissões, são inevitáveis mais mudanças.
Precisamos de mais ações para prevenir e minimizar as perdas e danos que já estão a acontecer.
Planos e mais financiamento para melhorar os sistemas de alerta precoce, as defesas contra inundações e construir uma infraestrutura e agricultura resilientes para evitar mais perdas de vidas, meios de subsistência e habitats naturais.
Proteger e restaurar habitats para aumentar a resiliência aos impactos das alterações climáticas. Além de constituírem defesas naturais contra tempestades e inundações, se forem ecossistemas prósperos contribuem para a agricultura sustentável e a alimentação de milhões de pessoas.
Todos os países devem ter um Plano de Adaptação, que é um resumo do que estão a fazer e a planear na adaptação aos impactos das alterações climáticas, aos desafios que enfrentam e onde precisam de ajuda.
O QUE ISTO TUDO SIGNIFICA PARA O NOSSO MODO DE VIDA?
Uma mudança radical. Precisamos todos, governos, empresas, indivíduos, de transformar tudo e de uma forma radical.
"Mudar a forma como produzimos e consumimos energia, a forma como produzimos os bens industriais, a forma como nos movemos, a forma como nos aquecemos, a forma como comemos", revela o relatório do IPCC.
É uma questão de escolhas. Não apenas a nível governamental, são escolhas a também a nível individual
Pequenos gestos para limitar o nosso impacto sobre o clima:
Viajar menos de avião
Usar menos o carro ou usar um carro elétrico
Comprar eletrodomésticos eficientes
Trocar o aquecimento a gás por bomba de calor a eletricidade
Isolar a casa
O QUE ACONTECE NUM MUNDO COM +1,5ºC
A verdade é que se os objetivos da cimeira não forem atingidos,as consequências do aumento da temperatura serão catastróficas.