Alcione fala dos 50 anos de carreira e do show especial que apresenta hoje em Maceió
Em entrevista, a Marrom revela inspirações e cita Iza e Glória Groove ao falar da nova geração da música brasileira

Maylson Honorato
04/11/2022 às 2:24 • Atualizada em 04/11/2022 às 2:52 - há XX semanas
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Ela é uma das vozes mais marcantes da música brasileira de todos os tempos. Alcione, a Marrom, reescreve canções quando as canta — um feito que só os grandes intérpretes podem celebrar.
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E por falar em celebração, a diva do samba desembarca em Maceió, nesta sexta-feira (4), comemorando 50 anos de carreira. O show especial será na Fábrica de Eventos, no bairro Jaraguá, a partir das 21h.
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No palco, o público poderá ver e ouvir o suprassumo dos 42 discos gravados pela Marrom. São sucessos do naipe de “Meu ébano”, “Estranha loucura”, “Entidade”, “Você me vira a cabeça (me tira do sério)” e “Não deixe o samba morrer”.

Natural de São Luís do Maranhão, a cantora integrou o emblemático Clube do Samba, ao lado de nomes como Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e Clara Nunes.


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A nordestina foi criada ouvindo os grandes cantores da época, nacionais e internacionais, e sempre transitou entre os gêneros e estilos musicais: samba, jazz, bolero, reggae e canções românticas. Apesar de ser tratada como sambista, diz que adora gravar e interpretar o que lhe convém e emociona.
Durante a pequena turnê, está sendo gravado um documentário com parte da história da cantora, cujo conteúdo será disponibilizado no YouTube. O show em Maceió tem ingressos, a partir de R$ 99, disponíveis na Loja de Ingressos ou nas lojas Club Lyon (Vendas de mesas) e Kiosk Sport. Para mais informações: (82) 98221-3724.
Alcione conversou com a Gazeta de Alagoas e evidenciou o reencontro com o público alagoano nesta sexta-feira. Ela também falou sobre a trajetória e o que espera do Brasil.
É um prazer conversar com um dos maiores ícones da música brasileira. Você se vê assim hoje, ao completar 50 anos de carreira?
Me vejo como alguém feliz por ter conseguido sobreviver do meu ofício, da minha arte. São 50 anos de muito trabalho, muita ralação mas, também, de
alegrias e momentos marcantes. É uma vida inteira no palco, praticamente... O que falta fazer? Certamente poder alcançar nossos sonhos é uma grande vitória! Desde jovem, quando ainda vivia em São Luís, e isso parecia ser uma realidade tão distante, sonhava em profissionalizar-me, em ser uma cantora profissional. Quanto à realizações, claro que tenho metas, objetivos. E sempre os terei.
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O que você traz na bagagem nessa turnê tão especial e que vai encontrar um público sedento pela Marrom? Qual o convite?
Muita alegria em reencontrar os fãs alagoanos. Estivemos extremamente isolados durante a pandemia, e sentia uma tremenda saudade dos palcos e desse público, que sempre foi tão afetuoso. O convite é para comemorarmos juntos esses 50 anos de música. Será uma festa regada a hits, de músicas que o público conhece bem e adora cantar conosco.
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Em diversas canções, como "Loba", por exemplo, você é a voz das mulheres brasileiras. Isso foi um movimento consciente ao longo da sua carreira?
Muita gente diz que essa ou aquela canção do meu repertório serviu de trilha sonora para seus romances. Gosto de cantar que me emociona e se, por acaso, esses hits ainda funcionam como “recados” ou para alimentar casos de amor, é melhor ainda.
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Você emplacou diversas canções em novelas, inclusive temas românticos como na novela Da Cor do Pecado. Você é noveleira?
Sou fã das novelas, sou noveleira, sim! “Da cor do pecado” foi uma das minhas grandes emoções poque cantava o tema do primeiro casal negro protagonista de uma novela da Globo! Mas ter canções nessas trilhas, e graças a Deus estou novamente em algumas delas, é uma emoção renovada.
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E o que Alcione ouve? O que te inspira, do passado até os dias atuais?
Não tenho preconceito quanto a gêneros ou estilos musicais, eu ouço de tudo. Na adolescência, as rádios tocavam música brasileira, italiana, francesa. Tocavam samba, jazz, ritmos diversos, entre os nacionais e internacionais. Por isso, aprendi a gostar de Ângela Maria, Núbya Lafayette e, também, de Billie Holliday e Ella Fitzgerald; a gostar dos grandes bambas do samba e dos vozeirões do bolero, como o Nelson Gonçalves. Hoje, gosto muito da Iza, da Glória Groove, e de tanta gente nova atualmente, que seria uma fila interminável para enumerar.
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Você sempre fez questão de se posicionar, inclusive, politicamente. Por quê?
Porque eu nunca me omiti ou me escondi, em nenhuma circunstância. Faz parte da minha personalidade. Não seria desta vez que o faria.
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E para o Brasil, o que você espera depois desse vendaval que envolveu o período eleitoral, pandemia... tudo isso?
Espero que possamos ingressar em um período de paz, fraternidade, de reconciliação entre as famílias e os amigos. Chega dessa atmosfera de tanto ódio e desentendimentos. Só isso já será um bom recomeço.