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Trabalhadores alagoanos iniciam ano de 2021 pagando contas

Crise sanitária afetou também a saúde financeira dos cidadãos, que viram a renda acabar

Após um ano marcado pela pandemia da Covid-19 e suas consequências, os alagoanos iniciam 2020 nesta sexta-feira (1) com dívidas e contas a pagar. A crise sanitária afetou também a saúde financeira dos cidadãos, que viram a renda acabar ou diminuir e as despesas aumentarem.

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A trabalhadora autônoma Lenice Ferreira, de 57 anos, conta que encerrou 2020 no vermelho. "Foi uma temporada de muitas dificuldades. Sou autônoma do ramo de alimentos e toda minha renda era proveniente das vendas de salgados e doces que fazia em casa para festas, lanchonetes pequenas. Mas com a pandemia, tudo fechou e fiquei sem nada", conta.

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Lenice diz que tinha alugado um bar no estádio Rei Pelé e, segundo ela, quando estava em uma fase de crescimento, o coronavírus fez com que as partidas de futebol fossem paralisadas, fazendo com que ela tivesse que entregar o ponto. "Diante disso, o pouco que poupamos tivemos que gastar e, no fim, chegamos endividados com contas de luz e aluguel para honrar em 2021", revela.

Segundo a trabalhadora, o aluguel é o que mais tem pesado no bolso nos últimos meses. "São 600 reais, mais luz que chega em média na faixa dos 150 reais. No aluguel, a gente conversa com a dona da casa e consegue prolongar o pagamento, mas com a Equatorial não tem jeito. Quando se passam 10 dias do vencimento já chega uma notificação para pagamento imediato. Caso contrário, eles cortam o fornecimento", explica.

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Lenice Ferreira diz que algumas vezes recorre a empréstimos com amigos, para evitar as cobranças. "Um dos meus filhos estava trabalhando, o que poderia desafogar nas contas, mas como tenho algumas doenças que precisam de acompanhamento médico e medicamentos diários, acabava sendo nossa prioridade com o dinheiro que ele recebia. Ninguém quer ficar doente, né?", questiona.

A trabalhadora diz que a não é "estragada"-como é chamado popularmente quem gasta dinheiro com futilidade- e diz que a situação em que está é fruto de falta de oportunidades.

"Precisamos que as oportunidades voltem a aparecer. Que meus filhos arranjem um emprego, que eu consiga minha aposentadoria no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. Espero que 2021 nos traga oportunidades e saúde, que o resto a gente corre atrás", deseja.

O também autônomo Lair Viana dos Santos Filho, de 28 anos, que atua na área de tecnologia, comemora que não está endividado, mas conta que não conseguiu poupar. Ele diz que o principal vilão para a sua saúde financeira foi a mudança na dinâmica das contas.

"Surgiram muitas demandas imprevistas com exames, planos de saúde, aumentos imprevistos nas contas de luz, água, internet e uma subida absurda no preço dos alimentos que foi sentida por todos. É difícil investir em um cenário nunca visto como esse", pondera. Ele conta que está se preparando para os próximos meses, que ele diz acreditar que vão exigir muito controle financeiro até o fim do primeiro semestre.

"Acredito que a melhor forma é não dividir as contas, acumula, outras necessidades surgem. Se as contas baterem, o ideal é aproveitar os pequenos descontos de pagamento integral de anuidades e impostos. Estou me programando para pagar integralmente o máximo que puder. Não estou otimista com o governo", revela.

Filho diz que em 2021 pretende poupar o máximo possível e evitar endividamentos que comprometam a margem de crédito reservada para situações de urgência. "O cenário não parece animador para compras grandes, empréstimos e coisas desse tipo nessa situação de insegurança. Acredito que quem está na mesma situação deva pesar cada centavo", aconselha.

Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio-AL) mostra que, até o mês de novembro passado, 194 mil maceioenses estavam endividados. O total de endividados com contas em atraso é de 62 mil cidadãos da capital.

Outro dado da pesquisa mostra que 20,7% dos maceioenses estão com contas atrasadas. Maceioenses que têm uma renda de até 10 salários mínimos atrasam, em média, 74 dias para poderem efetuar o pagamento de suas dívidas. Já quem tem nível superior de renda atrasa, em média, 63 dias para pagar as contas.

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