Após 1 mês com restrições mais rígidas, DF segue com UTIs lotadas e baixa taxa de isolamento social
Em 28 de fevereiro, governo decretou fechamento de segmentos como comércio, bares e restaurantes. Apesar da medida, capital vive piores cenários desde o início da pandemia
O Distrito Federal completa, neste domingo (28), um mês com medidas mais restritivas para conter o avanço novo coronavírus. Apesar da suspensão de parte dos serviços não essenciais, a taxa de isolamento social, que estava em 37,9%, ficou em 36,5%, a rede hospitalar segue lotada – com cerca de 300 pessoas a espera de um leito de UTI–, e a quantidade de novos casos e mortes diárias continua em alta
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Em 28 de fevereiro, o comércio, bares e restaurantes da capital fecharam as portas. À época, a rede pública de Brasília tinha 206 vagas de unidade de terapia intensiva (UTI) para tratar pacientes com a Covid-19, sendo que mais de 97% estavam preenchidos. Após um mês, 224 leitos foram abertos, porém, a taxa de ocupação segue no mesmo patamar, em torno de 97%.
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No sábado (27), Brasília atingiu a marca de 5.717 mortes e 338.930 infectados pela Covid-19. Levando em conta os dados oficias, até o dia 25, março foi o terceiro pior mês da pandemia – 772 pessoas perderam a vida e 42.459 foram contaminadas.
Apenas julho e agosto do ano passado, com 31 dias, superaram esses índices. Em julho, houve 882 óbitos e 57.073 novos casos, e em agosto,1.031 mortes e 54.120 infectados.


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Índices de isolamento social no DF
Mesmo com as restrições, o isolamento social em Brasília continua baixo. Em 8 de março, quando o governo decretou toque de recolher na capital entre 22h e 5h, o índice estava em 37,9%.
Na segunda-feira (22), segundo levantamento mais recente da In Loco, empresa que mede o valor no Brasil, a taxa de isolamento social estava em 36,5%. O ideal para frear a disseminação da pandemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), deveria ser acima dos 70%, valor que o DF nunca atingiu.
"A maior porcentagem alcançada no DF foi de 65,6%, em 22 de março de 2020", diz a empresa que mede o índice.
'Saída seria lockdown', diz infectologista
Mesmo com o sistema de saúde lotado e com uma média diária de cerca de 300 pessoas na lista de espera por um leito de UTI, o governo do DF vai flexibilizar as medidas de restrição a partir desta segunda-feira (29). A medida é criticada por especialistas.
A infectologista Ana Helena Germoglio, que trabalha no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência no atendimento no DF, diz que as medidas impostas na capital não foram restritivas e que houve apenas o suspensão de alguns setores.
"Mesmo com o fechamento, vemos diariamente locais irregulares abertos e o transporte público lotado de pessoas que não tem outra alternativa", diz a médica.
De acordo com a especialista, "é impensável retomar algum serviço fechado com mais de 200 pessoas na fila de UTI por uma única doença". Ana Helena diz que o ideal neste momento seria um lockdown, com suspensão total das atividades.
"Há uma coisa que sempre falamos no âmbito da saúde: a economia se refaz, mas vidas perdidas não voltam", diz a infectologista.
Ana Helena Germoglio também critica as medidas de restrição na capital. Ela acha que são "muito flexíveis".
"Sabemos que medidas rígidas não são populistas, mas não é hora de pensar nisso", diz a médica.
Taxa de transmissão do vírus
No início de março, a taxa de transmissibilidade da Covid-19 estava em 1,38. Isso significa 100 pessoas infectadas passavam o vírus para outras 138, ou seja, a pandemia estava crescendo.
De acordo com a Secretaria de Saúde, até a última quinta-feira (25), o índice estava em 0,95, o que significa redução na proliferação do vírus. Com a taxa menor, a expectativa do GDF é de que ocorra redução nas internações hospitalares.
Outro plano do governo para o combate à pandemia, é a abertura de três hospitais de campanha com 300 leitos de UTI até a primeira quinzena de abril. Eles serão instalados em Ceilândia, no Gama e no Plano Piloto, e já estão com empresas contratadas para as obras.
