Partidos de esquerda e movimentos sociais fazem ato em repúdio ao golpe de 64
Manifestação no calçadão do Comércio de Maceió reuniu sindicalistas, jornalistas, lideranças políticas e artistas contra ditadura militar
Partidos de esquerda e movimentos sociais realizaram um ato na tarde desta segunda-feira (1º), no calçadão do Comércio de Maceió, para relembrar e repudiar a ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964. O golpe militar completou 55 anos no último domingo, 31 de março, e foi marcado por anos de repressão, casos de tortura, execuções, censura a veículos de comunicação e cassação de mandatos políticos, sob o pretexto de conter o avanço do comunismo em solo brasileiro.
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Um dos participantes do ato no Centro de Maceió, o pastor Wellington Santos alertou para a manipulação de informações que é feita por diversas frentes de apoio à ditadura militar - como a extrema-direita -, que recorrem a uma "narrativa mentirosa, de que só sofreu na ditadura quem era errado, vândalo ou vagabundo".
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"Denunciar os desmandos, denunciar o racismo, denunciar a invasão de corpos femininos é tido por uma burguesia como algo que tem que ser banido. Se Jesus estivesse em 1964, ele estaria nos porões do DOPS", desabafa o pastor.

O cantor Igbonam Rocha, também presente à manifestação no Centro, disse que a ignorância sobre a grande massa da população foi uma arma utilizada em favor da ditadura. Ele disse que só tomou conhecimento de boa parte das atrocidades dos militares ao chegar à faculdade - o cantor também revelou que teve o pai assassinado pela ditadura.


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"O intuito é esclarecer as pessoas. Foi um crime de estado", lembra a jornalista Lenilda Luna, da Unidade Popular (UP). "Lembro dos meus familiares cochichando sobre mortes, prisões. Também lembro que conheci de fato a ditadura quando ouvi a música Cálice [do cantor e compositor Chico Buarque]. Minha mãe disse que esta é uma música perigosa", completa.
Lenilda Luna destaca que, no atual momento político do Brasil, o caminho não é ter raiva da população que colocou Jair Bolsonaro na presidência da República, mas sim "fazer um trabalho de educação com alguém que tem a ignorância usada em favor desse discurso".

O ex-deputado federal e ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) também esteve presente ao ato. Ele se diz preocupado com a atual conjuntura política no País. "Eu estou aqui preocupado. E meu objetivo aqui é trazer memória, principalmente à juventude, que não entende os horrores da ditadura", disse ele.
Além de Maceió, diversas cidades Brasil afora também realizaram manifestações para relembrar o golpe de 1964, tanto para criticar como para celebrar a ditadura, como fizeram diversos grupos mais radicais e ligados à extrema-direita no Brasil.
