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Manifestantes realizam marcha da maconha e pedem descriminalização da erva

Ato reúne centenas de pessoas que pedem liberação para uso medicinal e recreativo da erva

Após um hiato de três anos, Maceió voltou a ser palco para mais uma edição da Marcha da Maconha,  na parte deste sábado (11), na orla da cidade. O movimento, que reúne defensores do uso medicinal e recreativo da erva, iniciou a manifestação a às 16h20 da praia de Pajuçara em direção o antigo clube Alagoinhas, na Ponta Verde.

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"A gente teve um silêncio de três anos, pois na última edição sofremos uma repressão por parte polícia, fomos atingidos por bala de borracha. Então ficamos 2016, 2017 e 2018 silenciados. Agora retornamos esta discussão visando este momento crítico político/social, o qual a gente tem que se manifestar ainda mais", disse Daiane Rose Sousa de Oliveira, uma das organizadoras da marcha em Maceió. Ela disse que nos dias que antecederam esta ocasião realizaram atividades culturais para os ativistas.

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Entre os participantes, há quem estivesse na marcha para defender o direito à compra e uso da maconha medicinal, a exemplo da dona de Jane Marta Santos, que levou a neta para a mobilização. Ela contou que busca utilizar o medicamento à base de maconha, para tratar de problema de saúde.

"Eu sou a favor da legalização, tanto pelo fato de só matarem pretos e pobres, quanto pelo fato de eu ter problemas de saúde, que me fazem precisar dela como medicamento para eu melhorar. Mas ainda não uso porque para comprar é muito caro e eu não tenho condições, por isso estou aqui nesta luta", posicionou-se com um cartaz em mãos com os dizeres "É remédio! É comida! É planta!".

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Para o advogado Bruno Araújo, integrante da comissão organizadora da marcha, é preciso mudar a política que proíbe o uso da maconha no Brasil, que para ele está equivocada e prova que não deu certo.

"A marcha acontece mundialmente e Maceió não podia ficar fora desta.  Estamos na nossa 4ª edição. Infelizmente na última tivemos problemas com a polícia, mas nesta esperamos que ocorra tudo bem, pois estamos aqui pelo nosso direito de uso seja de forma medicinal ou recreativa. É uma planta que não faz mal a ninguém. Esta política proibicionista não dá certo no Brasil, ela encarcera e mata muita gente e as vítimas são sempre os pretos e pobres", declarou Bruno Araújo.

Equipes da SMTT e da Ronda no Bairro acompanhavam a manifestação, que ocupava uma das vias da orla da cidade. De acordo com os organizadores, mais de 300 pessoas se fizeram presentes no ato. Em alguns momentos, cantavam refrões que diziam "eu quero saber porque a maconha é ilegal, ela é uma planta é uma erva natural"; "maconha no quintal é remédio natural"  ; "a erva é natural, uma planta não pode fazer mal".

Os organizadores também distribuíram panfletos com orientações, que incluíam "não utilizar ou vender qualquer tipo de droga ilícita; não reagir com violência e/ou agredir pessoas com opiniões contrárias à marcha; filmar os possíveis casos de abusos".

"É uma luta diária que a gente enfrenta. Como eu moro em periferia sei que esta proibição afeta muito mais os pretos e pobres. A maconha já é legalizada para os ricos. Os ricos ficam com as drogas e a periferia com a guerra, isso é uma situação muito triste", enfatizou a estudante Ana Karolina Justino, mais conhecida como Mamiwata

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