Ações da Embraer despencam após acordo com Boeing ser cancelado
Compra da área de aviação civil da fabricante brasileira pela companhia americana era negociada desde 2017
As ações da fabricante brasileira de aviões Embraer caíram 14%, a R$ 7,12, na abertura da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (27), após o acordo de compra da área de aviação civil pela Boeing ser cancelado no sábado (25).
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A forte queda em poucos minutos de pregão levou a negociação do papel a ser paralisada, no chamado leilão de ações, quando as ordens de compra e venda são suspensas por cinco minutos. O leilão pode ser acionado em diversos momentos do pregão, a depender da volatilidade do papel.
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Por volta das 13h, as ações da companhia caem 11,7%, a R$ 7,31. Já o Ibovespa sobe 3,6%, a 78 mil pontos. O dólar sobe 0,2%, a R$ 5,67, novo recorde nominal (sem contar a inflação).
Neste ano, com a pandemia do coronavírus e o impcto da crise do 737 MAX da Boeing, a Embraer se desvaloriza 63,4% até o momento, passando de um valor de mercado de R$ 15 bilhões para R$ 5,3 bilhões.


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"Para a companhia brasileira, a situação reforça nossa visão negativa, visto que os pedidos de aeronaves continuam aquém do esperado e a joint venture com a Boeing poderia trazer certo alívio financeiro para a companhia. Com isso, não descartamos uma possível necessidade de capitalização da companhia para suportar o período adverso", diz relatório da Guide Investimentos.
O anúncio de cancelamento foi feito pela Boeing, que afirmou ter rescindido o contrato porque a fabricante brasileira não teria cumprido todas as suas obrigações para executar a separação da sua linha de aviões regionais.
Logo depois, a Embraer divulgou nota acusando a Boeing. "A Embraer acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente o MTA (Acordo Global da Operação) e fabricou falsas alegações", diz o texto, que cita dificuldades financeiras da Boeing, embora a empresa negue que sejam o motivo da rescisão.
A Embraer anunciou nesta segunda, via fato relevante, que abriu um procedimento de arbitragem acerca da rescisão do acordo com a Boeing. O documento não informa, contudo, se haverá também uma ação judicial em corte brasileira ou americana.
O acordo entre as empresas era costurado desde 2017 e elas tinham até a meia-noite da última sexta (24) para fechá-lo acordo em termos técnicos, o que não ocorreu.
"A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas", disse Marc Allen, presidente da Boeing para a parceria com a Embraer e operações.
Após o fracasso da operação, membros da área econômica do governo de Jair Bolsonaro consideram que a busca de negociações com a China pode ser a saída para a companhia brasileira.
A disponibilidade de recursos e o potencial de crescimento do mercado asiático são vistos como facilitadores desse processo.
