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Bares e restaurantes do Rio não têm caixa para atravessar crise

Sindicato diz que crise causada pelo coronavírus gera demissões

O Sindicato de Bares e Restaurantes do Município do Rio de Janeiro (Sindrio) avalia que a crise causada pelo coronavírus já está gerando demissões e pode trazer consequências permanentes para empresas do setor, que não possuem caixa para honrar seus compromissos em um cenário de receitas reduzidas ou zeradas. Com as orientações de distanciamento social e restrições ao funcionamento dos estabelecimentos, fundamentais para a prevenção da doença, restaurantes e bares podem ir à falência e fechar mais postos de trabalho se não houver socorro governamental.

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O alerta é do presidente do sindicato, Fernando Blower, que defende crédito emergencial para dar capital de giro aos estabelecimentos e auxílio social para compensar a queda na remuneração de garçons e outros profissionais do setor, que recebem de acordo com o movimento de clientes.

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"O impacto vai ser imediato. As empresas operam com margens muito estreitas e não têm caixa, porque estamos vindo de três anos de crise. No momento em que essa empresa encerra atividades, ela não tem caixa para mais nada, e se ela não paga nada, não vai pagar aluguéis, impostos, banco, funcionários e fornecedores, que também têm funcionários e compram da indústria", disse ele, que afirmou que demissões já estão acontecendo. "Dia 5 tem folha de pagamento e vamos perceber claramente qual vai ser a situação".

O governo do estado do Rio de Janeiro determinou na noite de ontem que bares, restaurantes e lanchonetes só poderão funcionar com 30% de sua capacidade de público, o que não inclui entregas e pedidos para viagem. A decisão faz parte dos esforços para manter as pessoas em casa e impedir a circulação do coronavírus, que é altamente contagioso.

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Blower explica que já neste fim de semana dezenas e talvez centenas de restaurantes vão preferir fechar as portas, porque entregas não dão conta de custear seu funcionamento.

"Acredito que a maioria dos restaurantes vai encerrar as atividades. É o que a gente já está levantando. O delivery [serviço de entrega] não é a solução do problema, é um paliativo. As únicas empresas que conseguem se manter são aquelas que já nasceram exclusivamente para delivery, porque são formatadas para isso. Não têm um salão, não têm um bar e não têm toda uma estrutura. Restaurantes padrão têm no delivery um complemento. Nunca foi a sua principal fonte de receita".

O presidente do sindicato conta que o problema se agrava porque muitos fornecedores de insumos passaram a cobrar pagamento à vista, diante das perspectivas ruins do mercado. "Estão com medo de tomar um calote. Mas quem está com dinheiro para comprar à vista?" questiona ele, que faz questão de pontuar que é favor das medidas de prevenção e do funcionamento dos serviços de delivery.

Socorro econômico

Medidas de ajuda a empresários que terão seus negócios paralisados ou reduzidos pelas medidas de prevenção foram anunciadas recentemente pelo governo do estado do Rio de Janeiro e pelo governo federal.

O Palácio Guanabara divulgou que vai abrir uma linha de crédito de R$ 320 milhões para microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas terem capital de giro para atravessar a pandemia. A expectativa do governo é que seja possível evitar um aumento na taxa de desemprego, um maior prejuízo econômico e, em especial, a disseminação do vírus.

No âmbito federal, o Ministério da Economia anunciou que vai injetar R$ 147,3 bilhões na economia nos próximos três meses. Segundo o ministro Paulo Guedes, até R$ 83,4 bilhões serão aplicados em ações para a população mais vulnerável, até R$ 59,4 bilhões para a manutenção de empregos e pelo menos R$ 4,5 bilhões para o combate direto à pandemia.

Em relação à manuteção de empregos, o governo deve isentar os empresários do pagamento de FGTS por três meses e reduzir em 50% as contribuições para o Sistema S.

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