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'Hoje, Marielle não será interrompida', diz Mônica Benício após ser eleita

Viúva da parlamentar, assassinada em 2018, diz que prosseguirá na luta pela vida das mulheres e pelas pautas LGBT e antirracista.

Com a voz rouca e sem dormir, Mônica Benício ainda demonstrava euforia nesta segunda-feira (16): com 22 mil votos, ela foi eleita no último domingo para a Câmara de Vereadores do Rio. Companheira de Marielle Franco até seu assassinato, que segue sendo investigado, Mônica afirmou em entrevista ao G1 que defenderá em seu mandato os moradores de favelas, a luta LGBTQA+, a pauta antirracista e a vida das mulheres.

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A arquiteta de 34 anos sabe que seu mandato sempre terá a presença simbólica da ex-companheira. No entanto, pela afinidade política que tinha com Marielle, Mônica afirmou que não vê isso como um problema. Segundo ela, é importante centrar suas pautas no tripé gênero, raça e classe:

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"A minha história jamais poderá estar desentrelaçada da memória da Marielle. E não só pelo fazer político que a gente sempre fez, no qual eu sempre acreditei e construí com ela. O que eu tenho com a Marielle, além do amor, é a afinidade política. O meu compromisso é, além de representar todos os projetos que Marielle colocou, é ter uma cidade comprometida com a vida das mulheres, com a luta LGBT e com a pauta antirracista", disse.

A futura vereadora, que terá a companhia de outros seis parlamentares na bancada do PSOL, diz ainda que ela considera como seu principal compromisso como vereadora a luta de quem mora na favela pelo direito à cidade.

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"Essa é a minha principal causa. A minha pauta de vida, de trabalho, sempre foi o direito à cidade, na perspectiva do favelado/favelada. Colocar a favela e o favelado no centro do debate da política pública. É desse lugar que eu falo e desse lugar que eu tocarei o meu mandato. Favela é cidade", argumentou.

Lembrança de Marielle

Na véspera da eleição, no sábado (14), Mônica foi até o cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Norte do Rio, onde o corpo de Marielle está enterrado.

No domingo (15), conta que estava comemorando a votação do companheiro de partido Tarcísio Motta quando soube que também havia sido eleita, com 22,9 mil votos.

"Dormi nada, nem uma horinha", contou ela, rindo. Ao lembrar da visita ao cemitério, no entanto, o tom de voz muda. "Eu tento manter na minha rotina toda quarta-feira ir ao cemitério, mas porque isso é o meu ritual. Eu vou para ver se está tudo ok, e tudo bem. Não é uma grande questão na minha cabeça. Todos os dias, a primeira coisa que eu faço, e a última, é conversar com ela. Como sempre foi", relatou Mônica, por telefone.

Ao ser questionada se sua vitória na eleição poderia continuar o trabalho de Marielle, interrompido com o assassinato da vereadora e de seu motorista, ela lembrou de algumas das palavras do último discurso da parlamentar na Câmara do Rio antes de morrer:

"Após o meu resultado, a democracia venceu a barbárie. A democracia venceu a violência. Hoje, nós ganhamos. Hoje, Marielle não será interrompida."

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