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BEIRUTE: 'Pensei que estávamos sendo atacados', diz alagoana que mora na região

Letícia Vasconcelos, professora do Centro Cultural Brasil-Líbano, reside a 10 km da região portuária devastada

Uma dia após a explosão que matou mais de 100 pessoas e feriu outras 4 mil em Beirute, capital do Líbano, os moradores tentam reconstruir a vida. A alagoana Letícia Vasconcelos trabalha como professora no Centro Cultural Brasil-Líbano e mora a 10 km da região portuária que foi devastada.

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Ela contou àGazetawebque passou por momentos de pânico e que chegou a achar que a cidade estava sofrendo um ataque terrorista. "Foi uma sensação de impotência, você não sabe o que está acontecendo, não sabe o que pensar ou fazer", disse.

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"Eu estava no computador às 5h da tarde. Eu trabalho como professora no Centro Cultural Brasil/Líbano, pela Embaixada do Brasil aqui em Beirute. Ontem estava corrigindo as provas dos alunos, porque, mesmo na pandemia, nós continuamos o ensino on-line.E, enquanto eu estava corrigindo as provas, eu senti o tremor. Começou como um tremor leve e, depois, foi aumentando. Só para deixar claro que é comum termos tremores de terra no Líbano por conta da região, mas o de ontem foi muito forte e eu vi as coisas começarem a chacoalhar, caírem no chão e eu pensei que fosse um terremoto. Eu moro no primeiro andar, então eu corri para o térreo, todos os vizinhos saíram, foi tudo muito rápido. Quando a gente saiu, veio a explosão e, depois, uma pressão muito forte e nos atingiu, foi quando as janelas dos andares de cima se partiram e vidros caíram em cima da gente. Então voltamos para dentro de casa. Na hora, o pensamento que tive foi de que estávamos sendo atacados, porque, até então, a gente não entendia o que estava acontecendo", conta.

O impacto da explosão foi comparado ao de uma bomba nuclear. O presidente do Líbano, Michel Aoun, afirmou que 2.750 toneladas de uma substância chamada nitrato de amônio, usada como fertilizante e na produção de materiais explosivos e bombas, podem ter causado a mega explosão.

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A professora Letícia disse que o Governo libanês pediu para que toda a população ficasse em casa por causa do risco causado pela substância química que circulava no ar.

"O Governo libanês pediu para que todo mundo ficasse em casa, porque o material químico que estava estocado no porto era nitrato de amônia, por isso que a cor do cogumelo produzida foi vermelha. Desde ontem, nós temos uma série de coisas no ar. Eu fiquei à noite toda tossindo. Muita gente foi para o hospital, não só porque estava machucada, mas porque não conseguia respirar", relatou a alagoana.

A professora conta que, depois da explosão, muitos amigos tiveram as casas atingidas. "Depois de um tempo, eu comecei a ligar para meus amigos, os colegas de trabalho na embaixada, para saber se estavam todos bem. Meu chefe mandou uma mensagem dizendo que estava bem, mas que a casa dele estava em pedaços. É como se um terremoto tivesse varrido a cidade. Muita gente se machucou, e a gente passou a noite toda tentando encontrar as pessoas e acompanhando as notícias para entender o que aconteceu. Tem muita gente sem teto, sem luz, sem água, fora os que estão desaparecidos e os que morreram. Eu nunca vi uma coisa dessas na minha vida", relatou.

O Centro Cultural em que ela trabalha também foi atingido, e uma professora de dança, que estava no local no momento da explosão, ficou ferida.

"A explosão teve característica de um impacto de destruição de uma pequena bomba nuclear. As janelas de madeira do centro cultural caíram, os lustres, todas as estantes de livros caíram. Os prédios estão no lugar, mas o que tinha dentro deles foi destruído. O centro cultural estava fechado para reformas, mas um dos andares estava sendo usado para aula de dança, e ela se machucou", completou a professora.

A tragédia

De acordo com o portal de notícias G1, ainda nesta quarta-feira (5), equipes de resgate buscam por desaparecidos. Ainda há fumaça saindo do local da explosão, segundo a Associated Press. As principais ruas do centro da cidade amanheceram cheias de escombros, com as fachadas dos edifícios destruídas e veículos danificados.

Apesar de o país já ter sido alvo de terroristas e viver período de instabilidade política, não há evidência de que se trate de um atentado terrorista.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, declarou que o país enfrenta uma catástrofe e declarou luto oficial de três dias. Ele disse, também, que o Governo irá investigar os responsáveis pelo armazém que funcionava no porto da capital desde 2014.

"Eu prometo que esta catástrofe não passará sem que os culpados sejam responsabilizados. Os responsáveis pagarão o preço", garantiu Hassan Diab, primeiro-ministro.

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