Grupo de trabalho em AL inicia pesquisa visando ao uso sustentável da caatinga
Pesquisadores se unem a outros cientistas do NE com o mesmo propósito: preservação do bioma
Um grupo de trabalho formado por pesquisadores de todo o Nordeste iniciou um mapeamento da caatinga com o propósito de contribuir com a instituição de um ato normativo para uso sustentável deste bioma. Em Alagoas, o levantamento vai começar na cidade de Delmiro Gouveia, mas deve se concentrar nos 26 municípios que formam a região do semiárido.
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Nesta quinta-feira (30), os integrantes vão se reunir para elaborar o cronograma de atividades e estabelecer a metodologia a ser aplicada ao longo da pesquisa, a ser guiada por professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação conta em Brasília com o apoio do senador Fernando Collor.
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O objetivo é descobrir como está a situação da caatinga na região, quais as áreas onde a deterioração é notabilizada e, a partir destes dados compilados, direcionar ações específicas para aplicar os instrumentos da pesquisa.
O superintendente do Ibama em Alagoas, Mário Daniel Sarmento de Moraes, que integra o GT na condição de suplente, explica que o bioma vem sendo degradado bastante ao longo dos anos, sem que uma política de Estado intervenha de maneira mais contundente no sentido de amenizar os danos.


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"De antemão, já adiantamos que não vamos mais permitir as atividades de carvoarias na caatinga. Por outro lado, não podemos deixar que o homem do campo, que sobrevive deste ofício, perca o seu sustento", comentou.
A ideia do projeto surgiu em Pernambuco, onde pesquisadores decidiram estudar o uso contínuo da caatinga e os seus impactos no meio ambiente. Foi feito um levantamento inicial e, a partir dele, sentiu-se a necessidade de, junto ao Ministério do Meio Ambiente, estender o trabalho a toda a região Nordeste.
No ano passado, segundo Mário Daniel, a iniciativa se transformou em um processo, no órgão ministerial, e, em seguida, uma política de execução. O Ibama foi designado para acompanhar as ações e contribuir com a pesquisa já iniciada por pesquisadores de universidades nordestinas, instituto de pesquisa e conservação, além da Embrapa.
Uma das metas, no momento, é arregimentar mais cientistas interessados em contribuir com o levantamento. Em Alagoas, foi necessário buscar uma informação mais recente para saber como está o bioma e quem são os seus usuários, para que sejam discutidas formas e alternativas para o uso sustentável.
"Ao final, queremos contribuir para uma normatização do uso sustentável da caatinga. Hoje, o umbuzeiro tem propriedades farmacológicas mais ativas do que o omeprazol. O coquinho ouricuri serve como loção hidratante e protetiva contra os raios ultravioletas. Isso só foi possível descobrir através da validação do saber dos antigos, que precisa ser estudado e conhecido. É a ciência transformando este saber em produtos farmacológicos", destaca o superintendente do Ibama.
Apesar de o estudo ainda estar na fase embrionária, o grupo é visionário e aproveitou o período da quarentena para estruturar a ideia. Um dos passos dados foi estabelecer uma articulação, em Brasília, para garantir as condições e o apoio mais do que necessário. Um dos que demonstraram simpatia ao projeto foi o senador Collor. O parlamentar foi procurado pelo grupo para que fizesse uma interlocução, junto aos ministérios, em Brasília, visando ao apoio à causa.
"Collor, por meio da assessoria, já sinalizou o apoio de que precisamos, e estamos esperando o momento certo, diante desta pandemia, para uma conversa mais próxima para expor melhor nossas ideias e estabelecer este valioso apoio", ressalta Mário Daniel.
AÇÃO POLÍTICA
Defensor do uso sustentável e responsável por pautar pela primeira vez o tema meio ambiente no mundo ao realizar o ECO 92, no Brasil, Collor avalia a iniciativa como positiva, destacando que a caatinga é um bioma imprescindível para o desenvolvimento de Alagoas e de todo o Nordeste.
"Normatizar a conservação e o uso sustentável do bioma caatinga é imprescindível para o desenvolvimento em nosso estado e em todo o Nordeste. É fundamental unir a ciência ao conhecimento tradicional, de modo a preservar a cultura sertaneja e criar as condições para que as gerações futuras possam manter e aprimorar os modos de viver e produzir na região", avalia o senador.
O prefeito de Delmiro, Padre Eraldo, destaca que a iniciativa vai ser positiva para toda a região, mobilizando toda a estrutura do setor produtivo local. "Esse projeto será um marco para o nosso Sertão. Vai mexer com toda a estrutura do setor produtivo, envolvendo ONGs, sindicatos, associações e federações. Será, também, um divisor de águas na cultura e turismo sertanejos e, também, gerando oportunidades para os pequenos produtores rurais. Esse Grupo de Trabalho da Nova Caatinga, com o envolvimento direto do Ibama e a Universidade Federal de Alagoas, é a melhor notícia para a nossa gente, por anos tão esquecida. Estou muito feliz de poder dar minha contribuição enquanto agente público", expôs Padre Eraldo.
