Desembargador abre sigilos à comissão que investiga denúncia
Acusado por advogada de vender sentença, Tutmés Airan defende que Justiça se reinvente para se aproximar da sociedade
O desembargador Tutmés Airan declarou, em entrevista à
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Rádio Gazeta AM
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, na tarde desta terça-feira (12), que colocou à disposição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) seus dados bancários, telefônicos e fiscais na investigação que apura suposta venda de sentença. O desembargador destacou que ele é o maior interessado "na busca pela verdade", reforçando que não cometeu nenhuma irregularidade. Na mesma entrevista, ele defendeu também que o Poder Judiciário se reinvente, "tornando-se mais célere e próximo da sociedade".
À Rádio Gazeta, o desembargador falou sobre seus 31 anos de vida pública, revelando ter iniciado a carreira ainda em 1986, como defensor público. Ele ressaltou que a comissão criada para investigá-lo - formada por desembargadores do TJ/AL - já recebera sua manifestação acerca da quebra dos sigilos, a fim de comprovar que não recebeu nenhuma vantagem indevida. Sobre a acusação de que teria recebido advogados em seu gabinete, numa insinuação de que estaria a negociar sentenças, Tutmés assegurou a normalidade do procedimento.


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"As denúncias feitas por esta advogada são graves e merecem uma investigação. Eu sou o maior interessado em esclarecer isso de uma vez por todas", reforçou o desembargador, acrescentando que receber advogados nos gabinetes "é algo comum nos tribunais brasileiros". "Eles procuram os desembargadores para entregar um histórico do processo, algo comum nos tribunais. Neste caso em que estou sendo acusado, minha decisão foi acompanhada pelos demais desembargadores que compõem o colegiado", frisou Airan.
O caso
O CNJ solicitou ao Tribunal de Justiça de Alagoas que apure uma denúncia dando conta de que o desembargador Tutmés Airan teria cobrado um valor para julgar favorável recurso impetrado no TJ. o desembargador explicou que a acusação originou-se de ação de cobrança que pedia a condenação da Braskem ao pagamento de honorários advocatícios da advogada Adriana Mangabeira Wanderley.

"Reinvenção do judiciário"
O desembargador defendeu também que o Poder Judiciário brasileiro se reinvente, tornando-se mais ágil e eficaz nas demandas apresentadas pela sociedade. Tutmés Airan destacou que, atualmente, há mais 110 milhões de processos nos tribunais de todo o país, o que mostra, segundo ele, que algo está errado. "É necessário empoderar as pessoas, conferindo às diversas relações os resultados esperados", expressou Tutmés, pontuando também que os cidadãos "são mais do que os papéis dos processos".
O integrante do Tribunal de Justiça lembrou, ainda, a necessidade de se enxugar as demandas judiciais por meio da ampliação das audiências de conciliação, por meio das quais, segundo ele, as partes podem buscar uma saída para problemas que se arrastam há anos.
Nesse sentido, ainda conforme o desembargador, a fim de diminuir o número de processos em tramitação, o Tribunal de Justiça realizará, até dezembro, uma série de audiências para a análise de 3.000 processos, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais e Solução de Conflitos (NJUS) e da Escola Superior da Magistratura.
