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Dilma diz que não pode ser a única culpada pela crise econômica do país

Presidente concedeu entrevista nesta terça (19) a jornalistas estrangeiros. Ela afirmou aos correspondentes que Brasil tem 'veio golpista adormecido'


				Dilma diz que não pode ser a única culpada pela crise econômica do país
FOTO: NBR/Reprodução

Dilma aproveitou a entrevista aos veículos de imprensa estrangeiros para responsabilizar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pela instabilidade política de seu governo. De acordo com a presidente, "práticas absolutamente condenáveis" ganharam "força razoável" na Câmara assim que o peemedebista assumiu o comando da casa legislativa em fevereiro de 2015.

A petista destacou a aprovação, ao longo de 2015, de projetos que elevavam as despesas do governo federal, as chamadas "pautas-bomba". Para ela, a aprovação de propostas que ela classificou de "populistas" inviabilizavam, na prática, a rigidez fiscal do Executivo.

Dilma destacou ainda aos jornalistas estrangeiros que Cunha acolheu o pedido de impeachment, em dezembro do ano passado, por "explícita vingança". Na avaliação dela, essa iniciativa pode ser classificada como "desvio de poder".

Ela ressaltou na entrevista que o peemedebista só deu início ao processo de afastamento após o PT decidir votar a favor do andamento do processo no qual o presidente da Câmara responde no Conselho de Ética da Casa pela acusação de ter mentido à CPI da Petrobras que não tinha contas bancárias no exterior.

"Esquecer esse fato [suposta vingança de Eduardo Cunha] não só mostra uma perda grande de memória da nossa parte, porque aconteceu recentemente, mas também não deixa claro o caráter, o pecado original que tem neste processo. O presidente da Câmara só aceitou o pedido dentro da teoria que eles gostam, do 'quanto pior, melhor'. Ou seja, quanto pior, melhor para eles", ponderou a presidente.

Ela acrescentou que os seus julgadores no processo de impeachment têm um retrospecto que não permite que eles sejam juízes "de nada". "[O retrospecto deles] os abona para ser réus", ironizou Dilma, referindo-se ao fato que Eduardo Cunha é réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de ter recebido US$ 5 milhões em propinas no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Voto de Bolsonaro

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Em meio à entrevista, Dilma foi indagada por um jornalista sobre o voto do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na sessão da Câmara, no último domingo, que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment para o Senado.

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Ao votar favoravelmente pelo impeachment, o deputado do PP disse que votava pelo afastamento da presidente "em memória" ao ex-comandante do DOI-Codi em São Paulo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O órgão de Estado chefiado pelo militar que morreu em outubro do ano passado era responsável pela repressão política durante o perído da ditadura (1964-1985).

Dilma, que foi presa e torturada pelo regime militar, respondeu que considerou "lamentável" a fala de Bolsonaro. Ela afirmou que conheceu "bem" o coronel Brilhante Ustra, que, segundo ela, foi um dos "maiores torturadores do Brasil". A presidente destacou que o ex-chefe do DOI-Codi, além de ser acusado de ter torturado militantes de esquerda, também era acusado de ter cometido assassinatos.

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"Lastimo que este momento no Brasil tenha dado abertura para a intolerância, o ódio e para esse tipo de fala [de Bolsonaro]. Acho gravíssima a aventura golpista, porque levou a uma situação que não vivíamos no Brasil, que é a stiuação de raiva, do ódio e da perseguição", observou Dilma.

"É terrivel você ver no julgamento alguém votando em homenagem ao maior torturador que este país conheceu. É lamentável", concluiu a presidente.

Veja outros assuntos abordados por Dilma Rousseff durante a entrevista:

Corrupção na Petrobras

"Eu acho que tem algumas lendas divulgadas por aí. Ninguém aqui é ingênuo e acredita que a corrupção surgiu agora. Ela foi descoberta, revelada e lançada à luz agora, pelo meu governo e pelo governo do presidente Lula. Porque toda a legislação que permite essas investigações foi feita ou no meu ou no governo dele. [...] Digo isso porque foi preciso um conjunto de leis para que tudo isso fosse descoberto. Agora, você me pergunta 'por que você não sabe?'. Porque é próprio da corrupção ser feito às escuras."

Olimpíada do Rio

"Nós tivemos todo um cuidado junto com o governo do Rio de Janeiro para garantir que houvesse um legado. Um legado sob forma de escolas, sob forma de estruturas esportivas e de uma política de esportes que proporcionou aos nossos atletas, eu acredito, um suporte que eles nunca tiveram antes. Espero não só ganhar nas quadras, nos estádios e em todas as estruturas esportivas, mas ganhar porque fizemos uma série de obras que transformaram o Rio de Janeiro e, tenho certeza, serão os melhores Jogos Olímpicos deste país, aliás, do mundo."

'Mea culpa'

"Eu acho que todas as pessoas têm o direito de propor várias autocríticas ao governo. Agora, não acho que seja uma questão de mea culpa. Nem de que é tarde demais. Nunca é tarde demais para o Brasil. Acho que esse tipo de avaliação seja uma autojustificativa."

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