De 2014 a 2016, OAB registrou 80 casos de justiçamento com 12 óbitos em Alagoas
Somente nos primeiros três meses deste ano, seis casos foram registrados; um suspeito morreu após as agressões
O sentimento fazer justiça com as próprias mãos é uma realidade persistente no Brasil e não é diferente em Alagoas. Mesmo com as campanhas contra essa postura, os casos de agressões contra suspeitos de crimes continuam a ocorrer com frequência. Um levantamento da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB) aponta que, entre 2014 e março de 2016, 80 suspeitos de algum tipo de crime foram espancados pela população alagoana. Deste total, 12 não resistiram aos ferimentos provocados pelas agressões e foram a óbito.
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De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Daniel Nunes, a entidade de classe começou a contabilizar os dados diante do crescimento de ocorrência. Os casos são acompanhado pela seccional. Em 2014, foram 38 agressões que resultaram em oito óbitos. Do total, 27 foram em Maceió, dois em Rio Largo e os demais em Coruripe, Teotônio Vilela e Delmiro Gouveia.
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O levantamento da OAB aponta que, em 2015, houve uma pequena redução em comparação com o ano anterior. No período de um ano, foram registrados 36 casos, sendo que, desse total, três suspeitos morreram em decorrência das agressões. os dados mostram que Maceió é a cidade que apresenta o maior número de registros, com 28 agressões. Também ocorreram dois casos em Girau do Ponciano, dois em Arapiraca e os demais em Palmeira dos Índios, Penedo, Rio Largo e Piaçabuçu.
Os números mostram que, nos três primeiros meses de 2016, foram registradas seis lesões corporais a suspeitos, sendo que um deles foi a óbito. O presidente da Comissão da OAB teme que o número de casos deste ano superem o de anos anteriores. Os registros em 2016 ocorreram em Maceió (4 casos), Coité do Noia (1) e em Palmeira dos Índios (1).


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Segundo a socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo, Ariadne Natal, o conceito de justiça dos linchadores é diferente do concebido nas sociedades democráticas. De acordo com ela, os justiceiros não querem recuperar o "criminoso" e reinseri-lo na sociedade, mas exterminá-lo.
"O pressuposto é o da vingança. Quer se resolver o problema em pouco tempo, eliminando o outro. O objetivo não é simplesmente executar. É humilhar, expor, por meio da violência extrema. A barbárie que fazem com o cadáver tem toda uma simbologia", observou ela em recente entrevista.
