Com temática religiosa e crítica ao preconceito, Amanhecer no Sertão disputa título do Forró & Folia
Quadrilha apostou em narrativa de forte apelo emocional para conquistar jurados e público na grande final

O pecado, o julgamento humano e a hipocrisia estiveram no centro da narrativa da quadrilha do Benedito Bentes, Amanhecer no Sertão, uma das cinco finalistas do Forró & Folia que se apresentam nesta sexta-feira (26), no Parque da Pecuária, em Maceió. “O confessionário: entre o pecado e o perdão” foi o tema levantado durante um espetáculo de 30 minutos, que misturou a tradição junina com ritmos diferentes incorporados à dança, como o jazz.
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A coreografia, como explicou o coreógrafo Davi Perdigão, teve como base a religiosidade, principalmente a católica, trazida para dentro do arraial. Não faltaram os tradicionais passos juninos, como a grande roda, o túnel e o serrote, que são itens obrigatórios para a avaliação dos jurados. “No entanto, a gente usa muito a questão de elementos de jazz e do contemporâneo dentro das coreografias”, afirmou.
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Durante o espetáculo, 20 casais entraram com o xaxado raiz, que vem sendo trabalhado desde outubro do ano passado, em um esquema de ensaios que se intensificou a partir de janeiro deste ano. Ao todo, 64 casais compuseram a equipe que animou o tablado do Forró & Folia.
A apresentação contou ainda com 12 músicas, em um total de 22 minutos de dança ininterrupta e mais sete minutos de teatro. Algumas das músicas que compuseram a animação foram “Cavalo do Cão”, de Zé Ramalho; “Andar com Fé”, de Gilberto Gil; “Caldeirão de Mitos”, de Elba Ramalho; e outras nem tão conhecidas, como “No Confessionário” e “O Confessionário”, que não são juninas, mas foram integradas à dança.


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“São duas músicas que não são conhecidas, mas que já estão na boca do público, porque contagiaram e viralizaram. Quando a gente divulgou lá em maio, caiu no gosto do público e todo mundo já sabe cantar hoje. A gente tem elementos que o público delira na hora”, comentou o coreógrafo.
Dentro das coreografias, o ápice da apresentação foi a entrada do cangaço ao ritmo de xaxado, embalada pela música “Caldeirão de Mitos”, em uma dobradinha com a música “Cavalo do Cão”.
O cenário misturou religiosidade popular, o cangaço carregado de simbolismo e tradição junina.
O enredo da Amanhecer no Sertão se concentrou em um casamento marcado por imposições e personagens que carregam dores e verdades ocultas: de um lado, uma noiva dividida entre desejo e culpa; do outro, um noivo homossexual, aprisionado pelas expectativas da sociedade.
Dentre os personagens, uma falsa freira, que depois se revelou uma cangaceira para proteger o noivo. Esse foi um dos ápices teatrais da Amanhecer no Sertão.
Outro momento revelador que chamou a atenção do público foi durante o casamento, quando o padre tira a batina para dar a bênção ao casal homoafetivo. “Como a Igreja Católica não permite o casamento homoafetivo, ao dar a bênção, ele tira a batina para abençoar o casal não como padre, mas como ser humano”, explicou Davi Perdigão sobre o enredo.
A quadrilha Amanhecer no Sertão foi criada em 2002, no Benedito Bentes. Neste ano, foi reconhecida pelo Governo de Alagoas como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado.
Atualmente, a Amanhecer no Sertão reúne 188 integrantes entre dançarinos, atores, diretores, produtores e equipes técnicas. O grupo é formado por pessoas de diferentes gerações, reforçando o caráter comunitário que ajudou a construir sua trajetória.
Em 2025, a equipe do Benedito Bentes foi a vencedora do Forró & Folia ao abordar a violência doméstica. O tema “Até que a morte nos separe” emocionou o público e repercutiu em todo o estado ao apresentar um enredo sobre tensão familiar, relações abusivas e superação feminina.
Forró & Folia
A 26ª edição do Forró & Folia começou na segunda-feira (22), em Maceió, no Parque da Pecuária, localizado no bairro do Trapiche. O evento é uma iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM).
A novidade deste ano foi a ampliação do festival para o interior de Alagoas, que aconteceu em Girau do Ponciano. A campeã do interior foi a Sanfona do Rei, que fez uma homenagem a seu Edmilson, conhecido como “Ceguinho do Centro”.
A grande final em Maceió acontece nesta sexta-feira (26), composta pelas cinco quadrilhas com melhores classificações. São elas: Santa Fé, Dona Dadá, Amanhecer do Sertão, A Fazendinha e Luar do Sertão.
Nesta edição, 26 quadrilhas apresentaram seus talentos, misturando cultura, alegria e muita tradição.
O Forró & Folia conta com a parceria da Liqal e da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), apoio da Origem Energia, Braskem, Rommanel, MRV e Equatorial, além do apoio cultural do Governo de Alagoas e da Assembleia Legislativa.




