Namorada é indiciada pela morte de motorista por app em incêndio em kitnet no Farol, em Maceió
Polícia Civil concluiu que fogo foi criminoso e aponta que Luís Gustavo Nascimento Lins foi atingido pelas chamas enquanto estava no quarto
A Polícia Civil de Alagoas indiciou Ana Beatriz Monteiro, de 28 anos, por homicídio qualificado pela morte do namorado, o entregador e motorista por aplicativo Luís Gustavo Nascimento Lins, de 29 anos. Ele morreu após ter mais de 90% do corpo queimado em um incêndio dentro de uma quitinete, no bairro do Farol, em Maceió, no dia 1º de abril deste ano.
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De acordo com as investigações, o incêndio não foi acidental e teria sido provocado pela própria namorada enquanto Luís Gustavo estava no quarto. A polícia aponta ainda que o crime pode ter sido motivado por ciúmes.
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Segundo o delegado Lucimério Campos, responsável pelo caso, a hipótese de acidente doméstico foi descartada após a análise das provas e dos laudos produzidos pela Polícia Científica.
Perícia descartou explosão de botijão


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A primeira versão apresentada por Ana Beatriz foi de que o incêndio teria começado após uma explosão de um botijão de gás. No entanto, durante a perícia realizada na quitinete, os investigadores constataram que o botijão havia sido retirado do local sem apresentar sinais de queima ou explosão.
Com isso, essa hipótese foi descartada. A investigação passou a considerar a possibilidade de o fogo ter sido provocado com combustível que era armazenado no imóvel. Luís Gustavo trabalhava como motorista por aplicativo e, conforme testemunhas ouvidas no inquérito, mantinha combustível para a motocicleta.
Os laudos da perícia também apontaram que o incêndio começou no quarto, contrariando a versão apresentada inicialmente pela investigada, segundo a qual o incidente teria ocorrido na cozinha.
Para a Polícia Civil, as circunstâncias encontradas no local indicam que Luís Gustavo teria sido atingido pelo combustível enquanto estava no quarto e, em seguida, as chamas teriam sido provocadas.
Casal havia discutido antes do incêndio
A investigação também reuniu relatos de testemunhas e vizinhos sobre brigas entre o casal. Conforme o delegado, pessoas ouvidas pela polícia relataram discussões frequentes e apresentaram registros e imagens relacionados aos conflitos.
Segundo a Polícia Civil, houve uma discussão entre Ana Beatriz e Luís Gustavo horas antes do incêndio. A investigação considera que os conflitos e os ciúmes podem estar relacionados à motivação do crime.
Ana Beatriz também sofreu queimaduras durante o incêndio. De acordo com o delegado, porém, os ferimentos foram menores e considerados compatíveis com alguém que não teria sido diretamente atingido pelas chamas, mas acabou se queimando de forma involuntária.
Investigada apresentou versões diferentes
Ana Beatriz foi ouvida pela Polícia Civil em duas ocasiões. A primeira ocorreu no dia do incêndio, quando ela estava no Hospital Geral do Estado (HGE). Na ocasião, relatou que o fogo teria começado após uma explosão do botijão de gás.
Posteriormente, ela gravou um vídeo e o forneceu à imprensa após afirmar que vinha sendo acusada nas redes sociais de ter matado o namorado. Nessa segunda versão, ela deixou de mencionar o botijão e passou a relatar um incidente envolvendo combustível.
Durante o inquérito, Ana Beatriz foi intimada e prestou novo depoimento na Delegacia de Homicídios. Segundo o delegado, ela manteve a segunda versão, mas apresentou detalhes que, de acordo com a investigação, não eram compatíveis com as provas reunidas.
Caso será analisado pela Justiça
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil formalizou o indiciamento por homicídio qualificado e encaminhou o procedimento ao Judiciário.
Como se trata de um crime contra a vida, o caso será analisado pela Vara do Tribunal do Júri. O Ministério Público deverá avaliar o relatório e as provas reunidas para decidir se apresenta denúncia contra Ana Beatriz.
Caso a denúncia seja recebida pela Justiça, ela se tornará ré. O Ministério Público também poderá solicitar novas diligências ou, eventualmente, o arquivamento do caso.
Luís Gustavo não resistiu aos ferimentos provocados pelo incêndio e morreu após ter mais de 90% do corpo queimado.

