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No bicentenário de AL, Collor defende resgate da autoestima dos alagoanos

Senador destacou que formação do estado é resultado da mistura santa de negros, brancos e índios

No próximo sábado, o estado de Alagoas celebra seu bicentenário. E em discurso realizado na tarde desta quinta-feira (14) no Senado, o senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL) defendeu que, nesta data, os alagoanos tenham a oportunidade de resgatar a autoestima de viver em sua terra natal, projetando no futuro ações que possam solucionar problemas sociais que persistem há décadas. Collor destacou ainda que, na história do estado, o povo alagoano sempre se destacou pela luta, coragem e perseverança por dias melhores. O parlamentar fez um resgate histórico do surgimento e da formação do estado, ressaltando que o resultado da "mistura santa de negros, brancos e índios é que nasceu a autoconsciência de que Alagoas já não era Pernambuco, de que Alagoas não seria Bahia, de que Alagoas era Alagoas".

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Na tribuna do Senado Federal, Collor alertou que, ao completar 200 anos, o estado ainda se depara com o desafio de acelerar seu desenvolvimento. Por isso, reforçou o senador, Alagoas está, uma vez mais, diante do desafio histórico de reivindicar-se, de reafirmar-se, de voltar a ser a terra vitoriosa, gloriosa, grandiosa e futurosa de que fala seu hino. O parlamentar relembrou um discurso que fez no ano de 2014, defendendo, à época, e, agora, que é chegada a hora de mudar a estratégia, de redefinir as prioridades, de avançar em busca da eficiência e de soerguer a autoestima dos alagoanos e sua confiança em seu próprio destino.

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"Afinal, Alagoas vive, recorrentemente, uma crise particular, principalmente no campo social - com déficits históricos nos serviços públicos essenciais - e no plano econômico - com um déficit permanente no desenvolvimento de seus setores produtivos. E hoje, vive sua crise dentro de uma crise ainda maior: a crise do País. E essa transformação, esse soerguimento, esse reflorescimento não poderá vir senão do povo alagoano, que anda talvez desiludido de sua terra, desesperançado de suas alternativas, desenganado de seu futuro", destacou.

O ex-presidente destacou que a desilusão, a desesperança e o desengano do povo alagoano nada mais são do que produto do desconhecimento de sua própria história. "É essa história - de bravura, de luta, de autonomia - que a celebração da emancipação nos permite agora resgatar. Como sempre defendi, é a força do próprio organismo social o instrumento capaz de gerar os meios para superar as dificuldades. Daí a necessidade de valorizar os movimentos sociais e suas iniciativas, de reoxigenar a administração pública e seus servidores, de qualificar a representação política do Estado, em todos os seus níveis", frisou.

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Collor defendeu, ainda, que os alagoanos aproveitem a oportunidade do bicentenário para se debruçarem sobre o 16 de setembro de 1817, buscando, nos antepassados, o brilho e a força que eventualmente têm faltado. "Que reencontremos, no entusiasmo daquela capitania recém-emancipada, a magia e a coragem que extraímos de todos os inícios. E que aprendamos as lições que a história do nosso estado nos ensina: que o futuro está em aberto - somos nós, alagoanas e alagoanos, que o fazemos; que há somente um inimigo, um somente: a ignorância; e que aquele que abandona a luta jamais dorme em paz", expressou.


				No bicentenário de AL, Collor defende resgate da autoestima dos alagoanos
FOTO: Agência Senado

Surgimento

Ao fazer uma linha da história, Collor destacou também que a Capitania das Alagoas não surgiu do nada, qual um passe de mágica, apenas como retribuição real, como prêmio de lealdade, defendendo que a "identidade alagoana - essa maneira de ser e estar no mundo que nos é tão própria, de todos os que fizeram e fazem de Alagoas a pátria dentro da pátria, o lar acima do lar - começou a ser afirmada muito antes, estando repleta de luta e encharcada de suor e sofrimento".

"Uma luta que tem o cheiro da cana-de-açúcar, da farinha de mandioca, do tabaco, do gado e do peixe seco com que por tantos anos alimentamos a Capitania de Pernambuco. Uma luta que está envolvida também pelo sacrifício dos indígenas que, nas guerras de extinção, principalmente contra os Caetés, foram dizimados na região. Está impregnada da dor dos negros quilombolas que encontraram, na Serra da Barriga, em União Palmares, primeiro a esperança, depois o desespero e a destruição. Está gravada em cada movimento de resistência: na resistência contra os holandeses, na resistência contra o semiárido, na resistência contra os separatistas da Revolução Pernambucana", colocou.

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