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Ministros dizem que governo vai cortar 4 mil cargos até o fim do ano

Presidente em exercício fez a primeira reunião com ministério. Rombo no orçamento pode ser bem maior que o previsto.

O presidente em exercício, Michel Temer, reuniu a equipe de governo pela primeira vez e anunciou que o rombo no orçamento pode ser bem maior que o previsto. Para enxugar os gastos, quatro mil cargos comissionados vão ser cortados.

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O retrato da presidente afastada ainda está na parede. E assim será. Quem pensou em tirá-lo, foi advertido. A ordem foi dada na primeira reunião ministerial.

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O presidente em exercício quer também um novo modelo de comunicação. Dos ministros com ele, do governo com a sociedade, e com o Congresso.

Como primeira missão para os ministros, pediu que cada um faça um inventário do que foi deixado pelo governo Dilma, inclusive dos programas sociais. Eles terão que passar por um pente fino, uma auditoria.

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"Infelizmente os programas sociais atuais, os cadastros não se falam e não se cruzam. Então, nós vamos ter o cuidado, na área de planejamento estratégico do Ministério do Planejamento, de fazer o batimento, o cruzamento e a análise efetiva de quem está recebendo, e o que está recebendo. Se em dobro ou não. Então, a ideia é dar efetividade e justeza aos atendimentos dos programas sociais", disse o ministro do Planejamento, Romero Jucá.

Os ministros disseram que o presidente em exercício não quer fazer cortes nos programas sociais e, numa primeira análise, já sabem que eles vinham sofrendo reduções.

"Tudo isso será efetivamente tornado público para que amanhã não se queira impingir ao governo que assumiu algumas questões de diminuição de programa sociais que já foram feitos desde o começo do ano", completou Jucá.

Mas o governo sabe que terá que cortar gastos. O rombo no orçamento é maior do que os quase R$ 100 bilhões já admitidos pelo governo Dilma. Botar luz sobre esses números e fixar nova meta fiscal é projeto que depende de aprovação no Congresso.

Questionados sobre a ênfase no remédio amargo para enfrentamento da crise, sendo um governo transitório, os ministros responderam que não se trata de ideologia, mas de uma emergência, de fazer um governo de salvação.

"Nós vivemos a pior crise econômica da História do Brasil. Portanto, nós temos que ter medidas que correspondam, e fora o partido que estivesse hoje no governo, ou a ideologia, para ser mais ampla a expressão, que hoje tivesse que orientar o governo, teria que tomar essas medidas sob pena de até o final do ano não se ter condições de pagar salários. Ou se toma alguma medida agora, ou nós teremos comprometimento no governo federal, inclusive daquilo que é o mais sagrado para o trabalhador, que é a folha de pagamento. Portanto, tem que haver medida de emergência sim, e isso independe de coloração política", declarou Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil.

Os ministros anunciaram que os reajustes salariais já negociados serão mantidos. Mas sete acordos fechados nos últimos dias entre o governo Dilma e trabalhadores terão que ser avaliados. E como medida concreta já anunciaram que, até o fim do ano, quatro mil cargos comissionados e funções gratificadas vão ser cortados.

"Isso não resolve a questão do gasto público e da meta de déficit, mas em tese é um posicionamento que o governo deve tomar como exemplo para a sociedade", disse Jucá.

As mudanças na Esplanada começaram. O Ministério da Previdência sai de cena e vira uma secretaria do Ministério da Fazenda.

Os ministros foram questionados por que Temer não nomeou ministras.

"Nós tivemos um espaço de tempo muito reduzido, em várias funções nós tentamos buscar mulheres, mas por razões que não vem ao caso aqui discutirmos, não foi possível", disse Padilha.

Agora, o governo diz que, com mais tempo, vai convidar mulheres para secretarias que, embora não tenham status de ministério, são importantes.

Na conta dos ministros de Temer, há uma base de apoio no Congresso para governar. Consideram o placar do processo de impeachment, tanto na Câmara quanto no Senado, com mais de dois terços dos votos. Dizem que os resultados desse, que ainda é um governo transitório, podem garantir sua permanência.

"Nós temos convicção que vamos fazer o trabalho como governantes que vai nos assegurar que o governo que hoje é provisório se torne o definitivo antes dos 180 dias. Fruto da resposta que possamos dar à sociedade", disse Padilha.

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