EDITORIAL: O mundo real exige moralidade no uso do dinheiro público
Peça Orçamentária de 2020 chegou à Assembleia Legislativa de Alagoas para análise da sociedade
"Alagoas precisa hoje é avançar na escolarização, na distribuição de renda e em projetos de inclusão do universo de trabalhadores pobres em ambientes laborais que ofereçam renda e futuro". A afirmativa pertence ao professor Davy Sales, sociólogo e mestre em antropologia, ao refletir sobre os rumos do Estado. Seu pensamento ganha valor simbólico quando é inserido no transcurso do aniversário da nossa terra.
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Alertando as autoridades para a massa de excluídos, Sales apontou o dedo para algo que, infelizmente, prossegue deformado, sem mudança de comportamento de quem possui o poder de decisão para transformar. "Os recursos para políticas públicas de enfrentamento da pobreza têm sido utilizados de maneira inadequada, pois não se trata apenas do montante a ser investido, mas como e onde se investe".
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É o caso do Fecoep, que nasceu para desenvolver programas específicos de apoio àqueles em situação de pobreza extrema, mas teve sua finalidade original desviada pelo governo Renan Filho (MDB). A decisão em torno de onde e como investir nunca esteve tanto em debate público, e vai se intensificar ainda mais agora, pois o Parlamento alagoano acaba de receber a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2020.
Para discussão e deliberação legislativa, a peça encaminhada pelo Palácio alcança R$ 10 bilhões. Portanto, é hora de os segmentos representativos da sociedade examinarem o destino dos recursos públicos, conferindo valores e prioridades. A prioridade do povo, por exemplo, não é a de gastar a cifra milionária de R$ 80 milhões com propaganda, como o governador acabou de aprovar a licitação, uma das últimas feitas pelo chefão da Amgesp, antes de ser preso pela Polícia Federal (PF).


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O mundo real dos alagoanos exige moralidade na aplicação dos recursos públicos, para que o Estado mude seu triste cenário e deixe a zona de rebaixamento em índices vexatórios, como a respeitada Fundação Abrinq aferiu em 2018. Nessa aferição, Alagoas possui o maior índice (66%) de crianças e adolescentes de até 14 anos vivendo em situação de pobreza.
