Deputados esperam pelo STF para decidir sobre eleição indireta de governador e vice
Expectativa é de que o ministro Gilmar Mendes decida sobre o pleito ainda nesta segunda-feira
Como já estava no script político, a eleição para governador e vice-governador tampões de Alagoas está ameaçada e pode não acontecer nesta segunda-feira (2). A instabilidade em torno do processo era prevista e, de concreto mesmo, somente a certeza de que ninguém sabe se o pleito vai mesmo acontecer. O fim de semana foi de intensa movimentação e de uma guerra jurídica que nenhum roteirista ousaria criar um desfecho.
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A decisão mais recente – e que ainda está valendo – é a manutenção da suspensão da eleição, proferida pelo ministro Gilmar Mendes (do Supremo Tribunal Federal – STF) nesse domingo (1º). Ele só referendou a medida tomada pelo presidente da Corte, ministro Luiz Fux, e ainda deu prazo de 48 horas para que o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) apresentassem informações sobre o processo.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) já respondeu e a grande expectativa é de que Gilmar Mendes decida qual o rumo da eleição indireta ainda nesta segunda-feira (2). Enquanto a definição não se dá, o desembargador Klever Loureiro, que deveria se despedir do Governo de Alagoas nesta segunda, permanece no comando do Estado.
Em meio a este clima, mais de 20 candidatos protocolaram o registro da candidatura para o Executivo, a maioria para o cargo de governador. Entre eles, estão os deputados estaduais Cabo Bebeto (PL), Davi Maia (União Brasil) e Paulo Dantas (MDB) – por ordem alfabética. Os demais são profissionais de vários segmentos e até influenciadores digitais, todos surfando em um momento político histórico, que, inevitavelmente, geram holofotes. Embora, estes ‘anônimos’ saibam que nem o voto deles poderão ter, levando em consideração que o poder de escolha está nas mãos dos parlamentares.


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Bebeto – que pode votar e ser votado – analisa que vive um instante difícil. Por ser candidato, pensa que a suspensão da eleição acaba sendo ruim politicamente. Segundo ele, a maneira como a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa estabeleceu as regras para o processo é o mais próximo da democracia.
“Eu fico bastante temeroso porque, inclusive, ouvindo alguns juristas, pedir a suspensão da eleição é ferir a Constituição. Ficar sem governador é complicado, principalmente pela questão financeira do Estado, pagamento da folha de pagamento e repasse dos hospitais. Espero que isso seja resolvido o quanto antes para que, na segunda-feira, a eleição aconteça e que os representantes do povo, devidamente eleitos, sejam empossados”, avalia.
Já o deputado Davi Maia analisa que a votação somente deveria acontecer quando os pontos contestados judicialmente fossem esclarecidos. “Precisa-se dirimir as dúvidas antes de a eleição ser realizada. Não se pode escolher o novo governador diante de tantos questionamentos”.
O deputado estadual Paulo Dantas, por meio da assessoria, só informou que, assim como os demais colegas, está esperando a definição por parte do STF.
A cientista política Luciana Santana acredita que o processo de judicialização pode fortalecer um dos grupos que estão disputando a eleição em 2022. Obviamente, que tudo vai depender do desfecho deste imbróglio.
“Está muito claro pra mim que há uma queda de braço entre dois grupos, e um tende a ser favorecido em detrimento do outro. Liminares podem ser cassadas a qualquer momento, e, a depender do que a Justiça decidir, o processo será alterado ou mantido. Tudo pode acontecer e mudar o rumo da situação”, ressalta Luciana Santana.

