Deputados apontam Murici para acusar Governo de AL de uso político da vacina em benefício a aliados

Prefeito Olavo Neto, primo de Renan Filho, anunciou vacinação de pessoas com 45 anos ou mais, sem comorbidades

A convocação para vacinação contra a Covid-19 das pessoas com 45 anos ou mais, sem comorbidades, no município de Murici, no interior de Alagoas, foi motivo de debate entre os deputados, na sessão desta quarta-feira (2), na Assembleia Legislativa (ALE).

A bancada da oposição voltou a acusar o governador Renan Filho (MDB) e o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, de utilizar a vacina para fazer política em benefício de prefeitos aliados. Murici é administrada por Olavo Neto (MDB), primo do governador.

O deputado estadual Davi Maia (DEM) utilizou a tribuna da Casa para colocar sob suspeita o avanço da imunização na cidade da Região Metropolitana de Maceió, enquanto a maioria dos municípios alagoanos está vacinando um público com faixa etária bem superior, justamente pela limitação de doses.

Renan Filho usou as redes sociais, nessa terça (1º), para divulgar a previsão de quase 100 mil doses da AstraZeneca, suficientes para alcançar as pessoas com 55 anos ou mais, deixando claro que as prefeituras têm liberdade para definir a regra.

“O que percebemos, com o anúncio feito pelo prefeito Olavo Neto, a quem parabenizo, é que falta de gestão não é problema lá em Murici. Porém, o que está acontecendo com os outros municípios do Estado que não conseguiram reduzir a idade para vacinação contra a Covid-19? Fiz este questionamento à Sesau e a resposta foi que a secretaria emite relatórios de vacinação toda semana”, declarou Davi Maia.

Ele diz que busca, desde o começo da imunização no Estado, respostas sobre os critérios de distribuição das doses aos municípios que são enviadas pelo Ministério da Saúde (MS). Também informou que gostaria de saber qual a equação desta vacinação, com a proporcionalidade das doses enviadas às prefeituras.

“Por que se consegue avançar na cidade de Murici, e não, em Messias, por exemplo, que é ao lado? Isto, ao meu ver, só mostra a utilização política da vacina pelo governador e pelo secretário Alexandre Ayres. O cidadão de Murici é especial? É tudo política o que estão fazendo. Acusam o Bolsonaro de genocida, mas quem está escolhendo quem será vacinado é o quê?”, pergunta.

Maia cobrou da Comissão de Saúde da ALE uma investigação acerca da situação e prometeu acionar a Controladoria Geral do Estado (CGE), da qual pedirá informações mais aprofundadas sobre o calendário e distribuição de vacinas executados pelo Governo de Alagoas.

“Será que temos 101 prefeitos incompetentes e o Olavo Neto é o diferencial? Pode ser que ele tenha criado uma fórmula que todos precisam copiar”, ironiza o democrata.

Em aparte ao discurso de Davi Maia, a deputada Jó Pereira (MDB) concordou com o colega e adiantou que, diante do cenário em Murici, seria necessária uma visita técnica ao município, para entender melhor o que está acontecendo por lá.

“Precisamos replicar aos demais municípios esta dinâmica de Murici na vacinação. Peço ao secretário de Saúde de Alagoas mais transparência nas ações. Fizemos uma série de questionamentos à Sesau, recebemos relatórios, mas nenhuma das perguntas foi respondida”.

O deputado Cabo Bebeto (PTC) criticou a gestão por deixar de responder ao Legislativo. Já o deputado Silvio Camelo (PV), como líder do governo, rebateu as acusações, enaltecendo a postura do governador na condução da pandemia, citando que a Saúde do Estado não colapsou, mesmo com a ‘torcida da oposição’ para que isto acontecesse.