Compra de Pasadena rendeu propina de US$ 15 milhões, afirma Cerveró

Do montante, ele diz ter recebido US$ 2,5 milhões com o negócio. Delator afirmou que o senador Delcídio do Amaral ficou com US$ 1,5 milhão

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró afirmou, em depoimento, que funcionários da empresa Astra Oil e da estatal brasileira receberam um total de US$ 15 milhões de propina pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O negócio foi fechado em 2005 e acabou gerando prejuízo de quase US$ 792 milhões para a estatal, conforme o Tribunal de Contas da União (TCU).
Cerveró disse que do montante, recebeu sozinho US$ 2,5 milhões. No entanto, o senador Delcídio do Amaral (PT) teria lhe cobrado parte da propina, para usar na campanha ao governo de Mato Grosso do Sul, em 2006. O senador concorreu ao cargo, mas acabou perdendo a disputa.
Segundo o ex-diretor da Petrobras, após a insistência do senador, ele acabou cedendo parte da propina que recebeu e encaminhou ao parlamentar. Cerveró afirmou que deu US$ 1,5 milhão para Delcídio e que prometeu mais US$ 1 milhão, que poderia ser angariado com a propina para as obras de reforma da refinaria.
No depoimento, ele disse que cedeu à pressão de Delcídio porque teve a permanência no cargo de diretor da área internacional da Petrobras ameaçada pelo senador. Parte da transferência foi realizada pelo também delator Fernando Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano.
Propina de reforma
Cerveró explicou que a propina pela reforma na refinaria de Pasadena foi definida durante um almoço, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, o encontro teve a presença dos ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa, além dos executivos da Odebrecht Márcio Farias e Rogério Araújo.
A reforma da refinaria custaria entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, segundo o delator. Posteriormente, o grupo também definiu que a construtora UTC, de Ricardo Pessoa, faria parte da obra. Para tanto, ficou definido que a empresa adiantaria R$ 4 milhões de propina, para campanhas eleitorais. Cerveró afirma que coube a Delcídio dividir o valor, mas que não sabe como isso foi feito pelo senador.
Outro lado
Procurada, a assessoria de Delcídio do Amaral afirmou que as declarações de Cerveró não têm o menor fundamento e que na época o senador era considerado persona non grata pelo governo por presidir a CPI dos Correios.
A Odebrecht disse que repudia mais uma vez o que classificou como "especulações sobre uma licitação que não foi lançada e um contrato que nunca foi assinado". Os advogados de Renato Duque e Ricardo Pessoa não quiseram comentar as declarações de Cerveró. O advogado de Fernando Baiano não foi localizado.