Com rosário de escândalos, governador deve explicações à sociedade alagoana
Editorial da Gazeta questiona silêncio acusatório do governo Renan Filho diante da crise em diversas áreas
O primeiro capítulo da Constituição Federal lista os direitos e deveres individuais e coletivos, dentre os quais, há aquele que assegura o benefício do silêncio. É interpretado pelos operadores do Direito como uma espécie de salvaguarda para ninguém ser obrigado a falar, e aí terminar produzindo provas contra si próprio.
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Diante do que ocorre no governo de Alagoas, os bastidores palacianos revelam algo curioso: o governador deve estar seguindo à risca conselho de seu marqueteiro de manter distância de assuntos polêmicos da administração pública. Ao se abrigar na regalia do silêncio, pertencente ao indivíduo, ignora os deveres atribuídos ao governante.
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Como Renan Filho deve explicação à sociedade alagoana, é de se questionar: onde anda ele que não se pronuncia sobre um rosário de escândalos e desleixos que envolvem seu governo? O que tem a dizer sobre a operação da Polícia Federal (PF) que desbaratou um bando agindo na Secretaria da Educação (Seduc), comandada pelo vice Luciano Barbosa?
A única declaração de Renan Filho sobre o escândalo na Educação ocorreu no interior de Alagoas. Instado pela imprensa, afirmou que seu amigo de infância Wagner Morais, o chefão da Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp) - que cuida das licitações do governo e que estava naquela ocasião no cárcere da PF -, voltaria ao cargo num futuro breve.


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E quanto ao Jarbas Ricardo, diretor administrativo e financeiro da gráfica oficial do Estado, também preso pela PF? Do governador não se ouviu nenhuma palavra sobre seu auxiliar.
Como também não se escuta um pio de Renan Filho e dos secretários Mozart Amaral, Alexandre Ayres, Luciano Barbosa, Maurício Quintella e Cláudia Petuba sobre a não utilização, desde 2016, de recursos federais destinados a Alagoas. São mais de R$ 250 milhões disponibilizados e que, até agora, não foram aplicados em benefício da população.
O governador precisa voltar à vida real e explicar, em detalhes, os acontecimentos que deixam seu governo sob suspeita. Não vale o verso sertanejo "a gente não liga pro que o povo diz" nem a máxima "vamos deixar como está para ver como é que fica". A sociedade exige respostas, pois, quando está em jogo a transparência do erário, o silêncio vira um libelo acusatório.
