Audiência Pública reúne vereadores com representantes da CPRM e moradores de bairros atingidos e adjacências

Encontro foi promovido pelo presidente da Comissão Especial Parlamentar dos Bairros em Afundamento de Solo, Leonardo Dias (PSD)

Aconteceu, na sexta-feira (16), na Câmara de Vereadores de Maceió uma nova audiência pública promovida pela Comissão Especial Parlamentar dos Bairros em Afundamento de Solo (CEPBAS) para ouvir representantes dos bairros atingidos pela instabilidade de solos causada pela extração da mineradora Braskem. Além dos moradores, representantes da prefeitura ligados ao problema e membros da equipe do Serviço Geológico do Brasil (PRRM) também estiveram na audiência, para ouvir e prestar esclarecimentos.

De acordo com informações da assessoria de comunicação da Câmara, na abertura, o presidente da comissão, vereador Leonardo Dias (PSD), deixou claro que tem se esforçado para que o problema seja reconhecido pelas demais autoridades com a gravidade que requer. “Não podemos ficar inertes diante do que precisa ser feito. Nossa missão e de todas as autoridades envolvidas é abraçar esta causa., minimizar as consequências, buscar soluções, lutar por justiça. Tudo que fizermos ainda será pouco para consolar essas famílias”, discursou, emocionado.

Após ouvir diversos moradores das áreas atingidas e dos bairros adjacentes, o coordenador executivo do departamento de gestão territorial da CPRM, o geólogo Leandro Galvanese Kuhlmann, explicou questões ligadas ao risco de cada região do mapa e em seu entorno, reforçando que atualmente há equipamentos instalados que podem apontar qualquer tremor, ainda que pequeno, nos pontos considerados críticos. “Tudo que está ao nosso alcance para fazer, que é fornecer estudos científicos das áreas, está sendo feito desde o começo das nossas sondagens”, esclareceu o geólogo.

No decorrer da sessão, alguns moradores usaram a tribuna para relatar o drama emocional pelo qual estão passando com suas famílias. O vereador Chico Filho (MDB), também discursou, lembrando que para os empreendedores da região, o dano se estendia também para as famílias que trabalhavam nos negócios que simplesmente deixaram de funcionar, repentinamente. “Qual o valor dessas vidas? O Que fazer para reparar parte desse dano”, questionou.

O superintendente da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Francisco Suruagy também estava presente e em seu discurso explicou que estão sendo analisados auxílios econômicos, como isenção, anistia e remissão de créditos tributários de ICMS para os empreendedores atingidos. “Nunca vivemos nada parecido. Quando fomos em busca de respostas, ninguém sabia nos dizer como agir, pois nunca viram nada igual ao que acontece em Maceió”, explicou Suruagy.

O representante dos ferroviários de Maceió, Ademar Passos explicou que antes dos bloqueios feitos nos trechos desativados, cerca de 20 mil passageiros utilizavam o VLT na capital, número que caiu para apenas 3 mil. “Os 17 mil restantes está sacrificando parte do salário para pagar ônibus ou transporte complementar, bem mais caro. Ainda não vimos nada relacionado à mobilidade urbana. Cada dia tudo fica mais difícil”, revelou o representante.

Da prefeitura de Maceió estavam o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, e o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada para a Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos Bairros (GGI dos Bairros), Ronnie Mota.

A Braskem foi convidada, mas enviou comunicado justificando sua ausência onde afirmava que já existe uma empresa, a Diagonal Social, que está fazendo um mapeamento das áreas adjacentes do mapa de monitoramento. Ela também afirmou que está à disposição para tirar quaisquer dúvidas da comissão especial quando o levantamento for concluído pela Diagonal Social, com previsão para o início do mês que vem.

Além da empresa, representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal foram igualmente convidados para o debate mas não compareceram.

Os vereadores Cal Moreira (PSC), Teca Nelma (PSDB) e Dr. Valmir (PT) também acompanharam a sessão.